A casa também envelhece com quem mora nela

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Conheci o arquiteto e urbanista Ciro Férrer em uma live sobre GeroArquitetura, onde ele falou como nasceu a sua vivência neste campo: foi cuidador da sua avó por cinco anos. Aquela experiência transformou a sua visão de ver a arquitetura não apenas como técnica, mas principalmente como uma missão humana. Eu senti uma empatia com a sua história porque é bem semelhante com a minha. Cuidei e acompanhei meus pais em época de maior fragilidade por cerca de vinte anos. E também como ele, percebi que a arquitetura deve ser uma ferramenta de resgate. De que o projetar não deve ser apenas para o momento presente, mas para ser uma prevenção e garantia de que você, nosso cliente, continue sendo o protagonista da sua própria vida, com a dignidade que merece e sem depender excessivamente de filhos, familiares ou amigos. Fui me aprofundar mais sobre a prática e a teoria de Ciro Férrer e isso me fez pensar em algo que observo há muitos anos na prática profissional. Costumamos imaginar o envelhecimen...

Cittaslow - uma proposta urbana com alma


Crescimento acelerado, aglomeração de pessoas, carros e muita pressa. 

Nossas cidades refletem nosso estilo de vida ocidental. Já nascemos com pressa, queremos abarcar o mundo com o pouco tempo que julgamos ter...será que temos saída? 

Algumas pessoas julgam que sim. Foi nesse espirito que nasceu o movimento Slow Food em contraponto ao Fast Food. Parece lógico e tranquilo, parar e gozar a vida. Mas para muitas pessoas isso pode ser algo difícil. 

Pois foi baseado no conceito do Slow Food que um prefeito italiano ( Paolo Saturnini)  de uma linda cidadezinha chamada Greve in Chiantiha, que fica na Toscana e é conhecida pelos seus vinhos, pensou em como poderia conciliar seu destino de cidade turística com um crescimento que não a descaracterizasse, ou seja uma proposta urbana com alma, respeitando sua identidade e valores culturais. Surgiu então o movimento Cittaslow .
Qual a ideia básica do Movimento Cittaslow?

Saturnini:
O objetivo é melhorar a qualidade de vida dos cidadãos a partir de propostas vinculadas ao território, ao meio ambiente, ao protagonismo comunitário e ao uso de novas tecnologias. O inimigo é o estresse, a pressão de valores não naturais, a perda de referências, a pressa. Tudo isto gera má qualidade de vida. 
http://www.cittaslow.org

Esse movimento cresceu e várias cidades no mundo inteiro se submeteram aos requisitos para pertencer à rede de cidades lentas. O perfil se adéqua mais às pequenas cidades, mas nada impede que as grandes metrópoles possam se debruçar sobre sobre eles e aplicá-los localmente, em bairros e alguns em forma mais extensiva. 

Para aderir à rede, os municípios candidatos devem ter até 50.000 habitantes e atender a diversos compromissos, entre os quais:

•    A política de planejamento deve servir para melhorar o território, e não apenas para ocupá-lo

•    Devem implementar uma política ambiental baseada na promoção da recuperação e reciclagem de resíduos, quando não for possível evitá-los
•    Devem usar os avanços tecnológicos para melhorar a qualidade ambiental e de áreas urbanas
•    Devem promover a produção e utilização de produtos alimentícios obtidos de maneira natural e ambientalmente respeitosos, excluindo os produtos transgênicos
•    Devem entender que o fortalecimento da produção local deve estar ligada ao território: agricultores e moradores tradicionais devem preservar suas mais antigas tradições, mesmo quando é incentivado o relacionamento entre consumidores e produtores
•    Devem implementar, quando necessário,  políticas e serviços públicos de defesa de grupos geralmente excluídos
•    Devem promover a hospitalidade respeitosa e a convivência harmoniosa entre os moradores e turistas, sem exploração, mas com valorização
•    Devem mobilizar e educar a consciência dos residentes e dos operadores turísticos sobre o que significa viver em uma cidade lenta e suas implicações, com especial atenção para a sensibilização dos jovens, através de planos de formação específicos.
Essas e outras informações super interessantes se encontram na entrevista que o prefeito Paolo Saturnini concedeu ao jornalista Rogerio Rusche
Leia no link abaixo a íntegra da entrevista

"Cittaslow: a revolução urbana que respeita a alma "

*Meu especial agradecimento ao Rogerio Ruschel que permitiu que eu reproduzisse aqui alguns trechos dessa entrevista. Recomendo uma visita ao seu portal e a leitura de artigos que lá se encontram, em especial os que falam sobre cidades e seus problemas. 

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