Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Visão do cadeirante sobre como deveriam ser os espaços

Estava passeando na web e achei esse vídeo com um depoimento muito interessante sobre como seria uma cidade ideal na visão de um cadeirante.

A cidade ideal na visão de uma cadeirante por Casa
Pois é, nada como ouvir as pessoas para entender o problema (e aqui problema é como chamamos qualquer programa a ser resolvido) e poder gerar as melhores soluções que sejam utilitárias e formalmente bonitas. Vejam os exemplos abaixo que peguei em uma rápida pesquisa na web.  
Juliana Santana para a Casa Cor Brasília 2011 

Juliana Santana para a Casa Cor Brasília 2011 
Rampa em tudo bela e criativa
Com uma expectativa de vida cada dia mais longeva, nada como pensar de maneira universal, prevendo possíveis incapacidades que podem nos acometer e que podem tornar nossas vidas com menor qualidade se o espaço a nossa volta não for previamente pensado para esses momentos.
Eu mesma já tive que subir escadas sentada por quebrar uma perna. E isso no auge dos meus vinte anos. Imagine quem não anda, não vê, tem algum problema de artrose ou joelho ?
Ou seja, quanto mais universal for a solução, maior a probabilidade de atender uma gama maior de pessoas e gerar mais satisfação e proporcionar mais dignidade às pessoas.


Norma Brasileira 9050 - Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos


Os dez princípios do desenho universal 
  • Equiparação nas possibilidades de uso: o design é útil e comercializável às pessoas com habilidades diferenciadas;
  • Flexibilidade no uso: o design atende a uma ampla gama de indivíduos, preferências e habilidades;
  • Uso simples e intuitivo: o uso do design é de fácil compreensão;
  • Captação da informação: o design comunica eficazmente ao usuário as informações necessárias;
  • Tolerância ao erro: o design minimiza o risco e as consequências adversas de ações involuntárias ou imprevistas;
  • Mínimo esforço físico: o design pode ser utilizado de forma eficiente e confortável;
  • Dimensão e espaço para uso e interação: o design oferece espaços e dimensões apropriadas para interação, alcance, manipulação e uso;
  • Circulação de largura de 0,90 m e altura de 2,10 m;
  • Vãos de porta de 0,80 m (mínimo);
  • Diâmetro mínimo de 1,50 m para manobras de uma cadeira.
Veja mais na entrevista sobre Arquitetura inclusiva

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