Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Negando o que se é


A  violência não é apenas física, ela é algumas vezes muito sutil, uma forma de moldar um comportamento, tão perniciosa quanto porque as marcas são internas e se revelam em estresse, em negação de si, em culpa por ser o que se é. Vencer isso exige esforço que poderia ser direcionado para outras conquistas.
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Sou pequena
Sou tão frágil, tão coisa pequeninha
Tão comum, tão criancinha.
Sou menina esforçada
Só querendo ser amada
Sou criança comportada
Não digo não, não grito
Não desacato.
Aceito seu desejo,
Tento conhecer seu segredo
Tento ser como você me queria
Tento ser inteligente, séria, alegre e divertida
Boas notas na escola e um monte de trabalho
E a aparência impecável de menina fina
E perfeita.
Senso moral elevado (e o desejo amassado)
Tento ser assexuada, tento ser mulher negada
Tento ser ativa, eficiente, atenciosa, obediente
Me desculpa se não consigo
Se às vezes arrebento.
Te juro: eu tento.

28/11/1980 Elenara Leitão

Comentários

  1. Seu poema me lembrou de um dos contos da Clarice Lispector que eu mais adoro... Acho que a Ângela Pralini sabe como é isso...

    Aqui o link: http://www.brazzil.com/pages/shooct99.htm

    Abraço,

    Cíntia

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  2. Não conhecia esse conto....muito obrigada Cíntia por me fazer ler - e chorar de emoção - com ele. E reencontrar a Clarice que tanto me fazia sentir. "Sou orgânica"....adorei teu comentário, de coração. Beijos

    ResponderExcluir

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