Comunicação pública, acessibilidade e cidadania: quando as escolhas falam mais alto

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Vivemos tempos curiosos. Nunca produzimos tanta informação e, ainda assim, milhões de pessoas seguem excluídas de decisões que afetam diretamente suas vidas. Muitas vezes a barreira não está na falta de acesso à internet ou aos meios de comunicação. Ela se encontra muitas vezes na linguagem, na complexidade desnecessária, na distância criada entre quem comunica e quem precisa compreender. Foi com essa reflexão que participei, como assessora de acessibilidade, do 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública, realizado em Porto Alegre. Promovido pela Dominus Consultoria e Capacitação em parceria com a Estratégia de Comunicação & Copy Sawitzki Inovação e Experiência Humana, o evento reuniu profissionais, gestores públicos, pesquisadores e especialistas para discutir temas que hoje ocupam lugar central na vida democrática. Ao longo do dia, palestrantes como Sandra Bitencourt, Maria José Finatto, Rodrigo Abella, Soraia Hanna, Daniela Machado, Leandro Rolim e Gustavo Ferenci compartilhar...

Negando o que se é


A  violência não é apenas física, ela é algumas vezes muito sutil, uma forma de moldar um comportamento, tão perniciosa quanto porque as marcas são internas e se revelam em estresse, em negação de si, em culpa por ser o que se é. Vencer isso exige esforço que poderia ser direcionado para outras conquistas.
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Sou pequena
Sou tão frágil, tão coisa pequeninha
Tão comum, tão criancinha.
Sou menina esforçada
Só querendo ser amada
Sou criança comportada
Não digo não, não grito
Não desacato.
Aceito seu desejo,
Tento conhecer seu segredo
Tento ser como você me queria
Tento ser inteligente, séria, alegre e divertida
Boas notas na escola e um monte de trabalho
E a aparência impecável de menina fina
E perfeita.
Senso moral elevado (e o desejo amassado)
Tento ser assexuada, tento ser mulher negada
Tento ser ativa, eficiente, atenciosa, obediente
Me desculpa se não consigo
Se às vezes arrebento.
Te juro: eu tento.

28/11/1980 Elenara Leitão

Comentários

  1. Seu poema me lembrou de um dos contos da Clarice Lispector que eu mais adoro... Acho que a Ângela Pralini sabe como é isso...

    Aqui o link: http://www.brazzil.com/pages/shooct99.htm

    Abraço,

    Cíntia

    ResponderExcluir
  2. Não conhecia esse conto....muito obrigada Cíntia por me fazer ler - e chorar de emoção - com ele. E reencontrar a Clarice que tanto me fazia sentir. "Sou orgânica"....adorei teu comentário, de coração. Beijos

    ResponderExcluir

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