Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Pai, construtor de sonhos


Com meu pai aprendi a construir sonhos. De pequena eram de areia, esculpidos com maestria na praia, mistos bem dosados de água e areia. Depois foram se transformando em histórias contadas, imaginação aguçada. Aprendi que sonhos se constroem de atos feitos com amor.

Construímos casas concretas depois que me formei, mas nenhuma tão mágica como os castelos de areia que ele moldou em meu coração. 

Pela vida afora sempre levo um pouco dele com mim. E hoje me sinto duplamente abençoada por tê-lo comigo nos seus 89 anos de vida bem vivida, resumidas numa frase: Sou um homem feliz.



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