Pular para o conteúdo principal

Arquitetura sul africana - Luyanda Mpahlwa

Aproveitei a Copa do Mundo para pesquisar um pouco sobre a arquitetura da Africa do Sul. Assim como no Brasil existe um monopólio de informações sobre o eixo Rio-São Paulo, a arquitetura africana tem muito pouco espaço na maior parte das nossas revistas e literatura arquitetônicas.

Uma das páginas que pesquisei é sobre Luyanda Mpahlwa, sócio da MMA Architects, na Cidade do Cabo, na Africa do Sul. Eles são responsáveis por um projeto inovador de habitação em Township, que recebeu o Curry Stone Design Prize, um prêmio de U$ 100.000 dedicado aos designers que planejam soluções para populações pobres. Seu projeto de habitação premiado, iniciada pela organização sul-Africano, Design Indaba, a pioneira de novas soluções de habitação acessível, possui paredes exteriores composta de sacos de areia.

O arquiteto sul africano Luyanda Mpahlwa passou duas décadas na prisão e no exílio em função de suas atividades anti-apartheid. Ficou aprisionado na Ilha de Robben, complexo penal onde Mandela ficou preso por longos anos. Graças a Anistia Internacional conseguiu exílio na Alemanha onde retomou seus estudos de Arquitetura e hoje sua empresa tem ganho reconhecimento internacional para seus projetos, tanto em seu pais como no exterior. Ele também foi consultor técnico para a construção de estádios para a Copa de 2010, a primeira em continente africano.

"Eu estava em Berlim durante um tempo quando a Alemanha estava passando por uma transformação", lembra Mpahlwa, que permaneceu na capital, após receber seu diploma de arquitetura. "Havia tanta coisa acontecendo, você podia até escolher o tipo de projetos que queria trabalhar”. Sua experiência em um campus dos edifícios da embaixada dos países nórdicos se provou muito útil. Depois de regressar à África do Sul e criar seu escritório, foi o responsável pelo projeto da embaixada de seu pais em Berlim. Segundo ele, no projeto «há fortes influências européias e americanas e ainda não são muito profundas as experiências culturais de como os povos indígenas têm articulado seus espaços." O resultado de construção de 50.000 metros quadrados, concluída em 2003, expressa a diversidade da África do Sul mediante a incorporação de materiais locais, como arenito da região de Mpumalanga, e ofícios tradicionais, tais como arte rupestre, esculpida em madeira, metal forjado e cestaria. Uma antiga técnica de construção em escultura de barro para criar murais foi reinterpretada de forma moderna. "Esta arte tem sido transmitida ao longo de gerações de mulheres. Nós encontramos algumas que estão ganhando a vida com a realização da tradição e as trouxemos a Berlim. Sua presença no canteiro de obras criou sensação, ninguém tinha visto em Berlim mulheres em andaimes antes. "

"Foi sempre minha intenção de voltar à África do Sul e contribuir para a construção e desenvolvimento do meu país", diz Mpahlwa, que se considera ser um dos "afortunados".
Fonte

Luyanda Mpahlwa com o projeto de sua empresa de habitação no distrito de Mitchell's Plain, que venceu a edição inaugural Curry Stone Design Prize  



Luyanda Mpahlwa
MMA Architects 'embaixada Sul Africano em Berlim
Fotografia © Wieland Gleich (superior); © Reinhardt Gerner (acima).

Comentários

Postar um comentário

Sua opinião é super importante para nós ! Não nos responsabilizamos pelas opiniões emitidas nos comentários. Links comerciais serão automaticamente excluídos

Postagens mais visitadas deste blog

10 ideias para adiantar o Natal

Quando tinha uns dez anos (faz tempo...) fiz um trabalho escolar de arte e propaganda. Minha ideia foi um Papai Noel adiantado, que vinha pela metade do ano para aproveitar um xis produto que não lembro qual era. Meu pai, como todo pai babão, super me elogiou e nunca esqueci por isso. Nem lembro a nota que tirei na escola. Naquela época, década de 60, o Natal começava em dezembro. Meados de dezembro. Quando eu iria imaginar que estava sendo profética e que talvez, daqui uns tempos, o Natal nem passe. Emende com outras festas. Agora já convive o tal de ralouin que é em outubro.



Natal me lembra luz. Um paradoxo entre verão, calor e imagens de muita neve e comidas quentes. Me lembra canela, bolachinhas alemãs que minha mãe fazia e que eu podia cortar as massinhas e ajudar a confeitar. Árvore sendo montada e presépio

Separei dez ideias que achei bem bacanas de enfeites e árvores que podem ser montadas de forma simples e bem criativa.


1- Do blog da Renata Tomagnini achei estas charmosas dob…

Ideias de como usar nichos para decorar seus espaços

Aproveitando nichos para decorar sua casa ou seu escritório. 

Veja algumas ideias interessantes de como fazer desde pequenos detalhes que enfeitam até aproveitamento de vãos que guardam objetos e auxiliam na organização.

Simplicidade:A elegância mora nos detalhes e na síntese. Um rasgo bem usado, sem maiores excessos, apenas salientado pelo uso de cor e pequeno detalhe em madeira. Atentem para a iluminação nas laterais e em como o rodapé acompanha o rasgo.

Como utilizar cortinas na decoração

Hoje temos postagem de convidados. O Cesar Fernandes da Tibério Construtora
vai nos falar sobre como utilizar cortinas na decoração.


Cortinas são fundamentais para diversos ambientes do seu lar. Além de transmitir uma sensação de amplitude ajudam a controlar a entrada de luz. E ainda dão um up no visual de qualquer ambiente. A decoração com cortinas pode parecer óbvia, mas é uma das formas mais práticas de renovar um ambiente.
Tamanho Para causar uma sensação de amplitude invista nas cortinas que começam pelo menos 15 cm antes da borda da janela e vão até o chão. Na verdade o tamanho vai depender muito do ambiente. Há casos em que pode-se usar todo o vão da parede. A altura que ela fica do piso da sua casa pode ser de sua escolha mas como o objetivo é dar um ar de maior extensão para a parede, recomenda-se que fique junto ao piso. Leve em conta que há tecidos que podem encolher em lavagens. As vezes é melhor fazer um pouco maiores para que não fiquem pequenas na manutenção. 
CoresNão exis…

Robôs no lugar de operários na construção civil. Não é futuro

Ao ler uma reportagem sobre os canteiros de obras sem operários e sobre as inovações na execução na construção civil, não posso deixar de lembrar da célebre foto de Charles C. Ebbets de 1932. Operários comendo tranquilamente sobre uma viga no 69º andar das obras do GE Building, em Nova York. Montagem (o que parece não ser) ou verdade, a imagem nos dá calafrios ao imaginar construções sem o mínimo aparato de segurança. 

Pensar que, menos de cem anos depois desta foto, estaremos debatendo não apenas construções mais gigantescas que as do início do século XX, mas a utilização de aparatos de robotização em projetos e execução que saem cada vez mais do campo da ficção para a realidade.

Contar com drones nos canteiros de obras, conectados à tablets ou smartphones, não apenas facilita como agiliza os serviços que antes contavam apenas com trabalho humano braçal. E muitas vezes com a sorte já que se localizam em locais mais inacessíveis ao olhar.
Segundo o artigo citado no primeiro parágrafo, &q…