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Teoria + ateliê... a boa formação do arquiteto

Um ótimo texto dos drops do Vitruvius...

 http://www.vitruvius.com.br/drops/drops.asp

            O ensino da arquitetura abarca uma questão de suma importância: a dissociação clássica entre duas vertentes, a teórica e a prática. É uma praxe entre os alunos priorizar as disciplinas práticas de ensino projetual do ateliê e menosprezar as teorias, de primordial importância para a obtenção de uma fundamentação acerca das questões que envolvem a concepção do projeto.

      Infelizmente, alguns estudantes só entram em contato com o universo da teoria se solicitados, quando muito devoram inúmeras revistas de arquitetura com sedutoras imagens passando por cima dos enriquecedores ensaios e resenhas, elaborados com muita seriedade por renomados críticos da atualidade.

      Qual o estudante de arquitetura que não se lamuria por “ser obrigado” a ler os tratados renascentistas?! Ora! Sabemos que até hoje grande parte do discurso estético tem se organizado em torno dos alicerces renascentistas (posição defendida por muitos críticos, dentre eles, Bruno Zevi). Não é à toa que muitos buscam justificar uma solução projetual através de conceitos como ritmo, proporção, harmonia, medida... São o legado da arquitetura da renascença, que perdura durante séculos e se mantém na ordem do dia. Não poderia haver leitura mais apropriada!

      Reflexões como estas, estão convenientemente analisadas e difundidas através dos seqüenciais THAUs (Disciplina intitulada por Teoria, História e Crítica da Arquitetura e Urbanismo) aplicados nos cursos de graduação. A escola sempre fornece a ferramenta, mas cabe somente ao aluno se beneficiar do discurso teórico e compreender sua importância.

      Ah! O ateliê! Esse sim merece a preferência! Qual é o arquiteto que não sente saudades do ateliê? Pois foi justamente nele que pudemos alçar os vôos mais elevados, dar forma até mesmo às utopias mais incabíveis se transportadas para a vida real. Lembro-me como se fosse hoje, na inexperiência de uma jovem estudante, exercitar a disciplina de projeto através do estudo da arquitetura deconstrutivista. Não havia outra alternativa, senão recorrer à teoria para compreender o processo da deconstrução, herança do filósofo e literato francês Jacques Derrida, traduzido para a arquitetura através da deformação e da decomposição da forma. Enlevada com a descoberta de tal vertente, chega o momento maior da simulação projetual... Êxtase! Finalmente pudemos desenhar algo desconcertante, ousado e intrigante, e ainda assim, conseguir justificá-lo com sabedoria, fato ímpar consumado através do estudo do discurso teórico. Experiência que se mantém viva na memória de qualquer estudante!

      Aos futuros arquitetos sugiro que ingressem no universo da teoria o quanto antes, e se permitam tomar conhecimento até mesmo dos sedutores projetos neofuturistas do Archigram, grupo inglês que mergulhou no universo da ficção científica para elaborar projetos que exploravam com criatividade as possibilidades investigativas da atividade profissional. O fermento da profissão é, e sempre será, a capacidade de inventividade inerente de cada um, que juntamente com a bagagem cultural e a personalidade desempenham papel primordial no exercício da profissão. Portanto, Porque não enriquecer seu repertório conceitual e começar desde já? Ou enquanto é tempo? Habitualmente, depois de encerrada a etapa acadêmica, sobram raras oportunidades de alçar vôos tão criativos. Pense nisso!

      “Se mergulharmos na profissão sem antes ter conhecido a arquitetura em sua verdadeira base, desinteressada, científica e poética, o vôo para o futuro partirá muito baixo e o jovem correrá o risco de ser rapidamente devorado pela banalidade do contexto.” (1)

      Nota

      1
      Vittoriano Viganò. Apud FAROLDI, Emilio, VETTORI, Maria Pilar. Diálogos de Arquitetura. São Paulo: Siciliano, 1997.

      Liziane de Oliveira Jorge, Belo Horizonte MG
    
       


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