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Arquitetura dinâmica

Comecei a ler um livro bem interessante, Arquitetura e Filosofia, de Mauricio Puls. Uma leitura acadêmica, densa, onde o autor, que não é arquiteto - mas sociólogo , procura entender através do olhar filosófico o que faz com que alguns edifícios sejam considerados belos. E como essa percepção de beleza depende da visão de quem o vê.

Em geral tendemos a admirar aquilo que reflete nossos valores, nossas visões de mundo. A arquitetura, ao contrário das artes plásticas. tem uma finalidade de uso, ela envolve, ela serve de abrigo. Como definir então uma obra que transmita um signo, que seja significativa para uma comunidade, uma classe social, uma nação ?

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto É que Narciso acha feio o que não é espelho (Sampa- Caetano Veloso)

Nós, arquitetos, temos uma visão do que seria o belo para uma obra arquitetônica. E mesmo assim existem várias viézes sobre isso. E quem não é arquiteto ? O que é belo ? E para quem o belo é construído ?

A chamada arquitetura dinâmica como a que está sendo proposta em Dubai, a moderna Disneylândia construtiva ? Seria mais dinâmica que as construções erguidas em morros cariocas, caóticas, mas únicas e até criativas em sua diversidade de formas e arranjos ? Que o diga o holandês Eric Vanderfeesten que está se inspirando nas favelas brasileiras para suas propostas habitacionais.

Um espaço é rico ou belo por ser o que ? Criativo, luxuoso, util, aconchegante ? Que valores ele deve espelhar para que um grupo social o considere relevante ?

Um edificio bonito continua o sendo assim considerado, se está ao lado de uma favela ? Dubai pode ser considerada bela numa sociedade em tantos morrem de fome e ao relento ? A beleza existe per si, desligada do entorno, alheia ao mundo ? Ou é exatamente na concepcão de um edificio deslumbrante que se resgata uma significacão de perplexidade, de contradicão, de um mundo que deveria existir e portanto agucador de reacões humanas ? A arte na arquitetura existe também para dar novos significado à vida humana ? Podem gerar sentimentos de protecão e ódio, de pertencer e de exclusão, de aconchego ou temor. O que acham ?

Comentários

  1. Faz tanto tempo que não penso em arquitetura.. e seu texto me desafiou a raciocinar. Tema complexo esse e, creio, polêmico: beleza. Ela recebe novos valores com o passar do tempo, mas tem sua vida própria, sua inspiração pessoal, sua imortalidade... então acho que as duas coisas, contraditoriamente, se relacionam. O tal prédio que gira com o vento e cada andar se articula dando novas formas à arquitetura original, parece tão fantástico que nem cogito sua beleza...fico pensando na sua utilidade.. e a favela no morro, tão bela e delicadamente colorida em quebra-cabeças, afinal tem a serventia de abrigo.

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  2. Eu lembrei das peles de Hundertwasser.

    Po exemplo: Uma favela tem uma pele mais sensível, humilde (tijolos expostos, tábuas velhas e desordenadas)

    Um Lindo Domingo!

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  3. Há o belo por si e o que se relativiza. Penso que na arquitetura não é muito diferente... Abraço!

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  4. A última foto é de São Paulo, quase com certeza. Conheço um arquiteto da Adolpho Lindenberg que projetava coisas parecidas em locais muito nobres, ou seja quase invadiram o pouco que restou da Mata Atlantica....
    êle postou a foto...
    LINDA!!!!!!!!!!
    Porém os ecologistas caíram matando.
    Acho que tinham razão.
    Mas Ele visitava as obras de Helicóptero e as fotos que batia eram maravilhosassssssssssssss.
    No fim se cansou. Uma pena!
    Mil bjs

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  5. Não sei se vc já leu "Arquitetura da Felicidade" do De Botton, também filósofo e também discutindo arquitetura, com muita propriedade. De Botton explica o fundamental, a meu ver: a arquitetura de uma época tem a ver com seus valores, e é isso que presenciamos, historicamente.
    Bjs!
    Malice

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  6. Tenho procurado veementemente por esse livro, bastante rico.

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