10 de jun de 2008

CIDADES

As cidades, sinto-as febris como adolescentes, dançando sobre as pistas da sua própria luz, consumidas por uma inquietação difusa, cruéis, livres, impuras, amantes, absolutas de novo, com toda a sua sujidade inaugural. Sítios de queda e construção, leviandade e levitação, onde os acontecimentos se precipitam em cadeia e a verdade pequena de cada um existe verdadeiramente, alertando a composição química do todo a cada passo. Dizia às vezes que as cidades cansam, de desalmadas. Fazes-me falta - Inês Pedrosa

Uma cidade, com suas ruelas e caminhos infinitos é um caos a organizar. Seus espaços escondem vidas e hábitos que nos fazem cidadãos e participantes da organização de uma sociedade. Nossos hábitos nos fazem animais sociáveis, egressos das cavernas e formadores de núcleos. Núcleos que fazem civilizações e formam culturas. Hábitos que fazem edificações que se amontoam e ruas que perdem suas identidades com uma rapidez infinita. Nossas cidades refletem a nossa ausência de valores, o nosso vazio existencial. O que somos nós como urbe, o que fazemos nós de nossa sociabilidade? Onde se esconde a nossa solidariedade de seres que se dizem humanos? Onde a arquitetura de nossas vidas se confunde com a construção de nossas cidades? Mais que arquitetos, devíamos ser sonhadores e construtores de utopias, antes de lançarmos a pedra fundamental de nossas culturas.

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