A cidade também envelhece. E a casa, às vezes, envelhece antes de nós

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Como arquiteta, tenho uma certa implicância com a ideia de que minha profissão seja apontada como algo que começa, e as vezes termina, essencialmente na estética. Talvez porque, depois de tantos anos de prática, trabalhando com espaços internos e externos, e as pessoas que ali vivem e circulam, tenha ficado cada vez mais evidente para mim que uma porta, uma escada, uma calçada ou uma janela podem interferir muito mais na vida de alguém do que aquilo que aparece nas fotografias dos projetos. Quando falamos de envelhecimento, isso fica ainda mais evidente. A realidade nos mostra que o Brasil está envelhecendo rapidamente. Aquela pirâmide etária que aprendemos a desenhar nos livros de geografia já não representa o país que temos. E ainda estamos tentando entender o que isso significa para as nossas casas, para as nossas cidades e para o sistema de saúde. Eu costumo pensar que há uma pergunta simples por trás de tudo isso: onde queremos envelhecer? A resposta da maioria das p...

Rafi Segal - "The Politics of Israeli Architecture"

“Uma vez que a conexão entre arquitetos e política fica visível, e o fator político que guia o projeto é revelado, então as perguntas qual política? política de quem? e quais as suas implicações? ficam mais importantes. Para o bem e para o mal, porque, é inevitável, essas questões precisam se tornar do discurso arquitetônico, senão a arquitetura perde seu valor cultural, tornando-se simplesmente uma técnica, uma profissão de consultor, que trabalha só quando contratado, limitado apenas pelo orçamento e pelo capricho do cliente”. Rafi Segal - arquiteto israelense, autor de Civilian Occupation - The Politics of Israeli Architecture .
Trecho da entrevista concedida à revista AU (www.piniweb.com) n.126 de setembro de 2004.
O autor, juntamente com Eyal Weizman, realizou uma pesquisa sobre a arquitetura dos assentamentos israelenses e o seu papel no conflito do Oriente Médio. Essa pesquisa, que havia sido selecionada para representar Israel no UIA em Berlim 2004, acabou sendo censurada e resultou no livro citado acima.
A arquitetura não é uma arte isolada do cotidiano, como, aliás, não o é nenhuma espécie de arte. Mas a arquitetura, pelo seu caráter utilitário, deveria ter como meta o bem estar humano, promovendo a qualidade de vida e não ajudando a manter a segregação e a setorização como acontece em vários locais do mundo.

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