Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Rafi Segal - "The Politics of Israeli Architecture"

“Uma vez que a conexão entre arquitetos e política fica visível, e o fator político que guia o projeto é revelado, então as perguntas qual política? política de quem? e quais as suas implicações? ficam mais importantes. Para o bem e para o mal, porque, é inevitável, essas questões precisam se tornar do discurso arquitetônico, senão a arquitetura perde seu valor cultural, tornando-se simplesmente uma técnica, uma profissão de consultor, que trabalha só quando contratado, limitado apenas pelo orçamento e pelo capricho do cliente”. Rafi Segal - arquiteto israelense, autor de Civilian Occupation - The Politics of Israeli Architecture .
Trecho da entrevista concedida à revista AU (www.piniweb.com) n.126 de setembro de 2004.
O autor, juntamente com Eyal Weizman, realizou uma pesquisa sobre a arquitetura dos assentamentos israelenses e o seu papel no conflito do Oriente Médio. Essa pesquisa, que havia sido selecionada para representar Israel no UIA em Berlim 2004, acabou sendo censurada e resultou no livro citado acima.
A arquitetura não é uma arte isolada do cotidiano, como, aliás, não o é nenhuma espécie de arte. Mas a arquitetura, pelo seu caráter utilitário, deveria ter como meta o bem estar humano, promovendo a qualidade de vida e não ajudando a manter a segregação e a setorização como acontece em vários locais do mundo.

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