Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Sergio Rodrigues - obrigada Mestre

"Casa que não tenha estudo do interior é escultura, arquitetura não é só a casca." 

Esta frase de Sergio Rodrigues definitivamente me representa. Nunca consegui projetar de fora para dentro ou sem imaginar como aquele espaço seria mobiliado. Brincalhão, debochado as vezes, arquiteto, designer, talentoso. Alguém que soube compreender que valorizar a sua raiz fazia diferença no mundo.

"Muita gente imagina que os móveis brasileiros começaram a ter sucesso nas últimas décadas, quando na realidade eu ganhei prêmio na Itália nos anos 60. Já naquela época tinha representante nos Estados Unidos. A diferença é que agora são lojas físicas, com vitrine, visitadas por arquitetos, o que dá mais visibilidade ao trabalho" (Sergio Rodrigues - Fonte)

“O móvel não é só a figura, a peça, não é só o material de que esta peça é composta, e sim alguma coisa que tem dentro dela. É o espírito da peça. É o espírito brasileiro. É o móvel brasileiro”. (Sergio Rodrigues - Fonte)

Para quem como a gente, que trabalha na área, e se acostumou a ver as suas criações como clássicos do design, saber de sua partida é um choque. Mais um choque desse 2014 que está levando para outra dimensão tantas pessoas brilhantes. Como em cada passagem, além da tristeza da perda, ficam as obras, o exemplo, a vida que se revive em cada cadeira, em cada olhar e palavra que ficam como legado.

E fica o nosso muito obrigada. Todo mestre nos ensina um pouco. Nos mostra um caminho de luz. 

 “Gesamtkunstwerk (obra de arte total, em alemão) é a palavra que descreve melhor a obra do Sérgio. De seus móveis, aos seus desenhos, casas e até o seu trabalho como cenógrafo ele sempre fez tudo com muito bom gosto, harmonia e humor. Tanto pelas casas quanto pelos móveis, você percebe claramente que a preocupação maior dele é com o conforto, e mesmo assim cada peça é uma obra de arte. Ele cria móveis para ele, a esposa, os filhos, os cachorros, os gatos sentarem, e também para ler o jornal e contar histórias” (cineasta Peter Azen sobre o arquiteto)

Leia AQUI entrevista com Sergio Rodrigues
Saiba mais sobre Sergio Rodrigues AQUI 
e AQUI

sergio rodrigues e butzke | um olhar para o design from bamboo on Vimeo.

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