Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Sergio Rodrigues - obrigada Mestre

"Casa que não tenha estudo do interior é escultura, arquitetura não é só a casca." 

Esta frase de Sergio Rodrigues definitivamente me representa. Nunca consegui projetar de fora para dentro ou sem imaginar como aquele espaço seria mobiliado. Brincalhão, debochado as vezes, arquiteto, designer, talentoso. Alguém que soube compreender que valorizar a sua raiz fazia diferença no mundo.

"Muita gente imagina que os móveis brasileiros começaram a ter sucesso nas últimas décadas, quando na realidade eu ganhei prêmio na Itália nos anos 60. Já naquela época tinha representante nos Estados Unidos. A diferença é que agora são lojas físicas, com vitrine, visitadas por arquitetos, o que dá mais visibilidade ao trabalho" (Sergio Rodrigues - Fonte)

O móvel não é só a figura, a peça, não é só o material de que esta peça é composta, e sim alguma coisa que tem dentro dela. É o espírito da peça. É o espírito brasileiro. É o móvel brasileiro”. (Sergio Rodrigues - Fonte)

Para quem como a gente, que trabalha na área, e se acostumou a ver as suas criações como clássicos do design, saber de sua partida é um choque. Mais um choque desse 2014 que está levando para outra dimensão tantas pessoas brilhantes. Como em cada passagem, além da tristeza da perda, ficam as obras, o exemplo, a vida que se revive em cada cadeira, em cada olhar e palavra que ficam como legado.

E fica o nosso muito obrigada. Todo mestre nos ensina um pouco. Nos mostra um caminho de luz. 

 “Gesamtkunstwerk (obra de arte total, em alemão) é a palavra que descreve melhor a obra do Sérgio. De seus móveis, aos seus desenhos, casas e até o seu trabalho como cenógrafo ele sempre fez tudo com muito bom gosto, harmonia e humor. Tanto pelas casas quanto pelos móveis, você percebe claramente que a preocupação maior dele é com o conforto, e mesmo assim cada peça é uma obra de arte. Ele cria móveis para ele, a esposa, os filhos, os cachorros, os gatos sentarem, e também para ler o jornal e contar histórias” (cineasta Peter Azen sobre o arquiteto)

Leia AQUI entrevista com Sergio Rodrigues
Saiba mais sobre Sergio Rodrigues AQUI 
e AQUI

sergio rodrigues e butzke | um olhar para o design from bamboo on Vimeo.

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