O quanto as cidades são seguras para mulheres?

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Estava em uma conversa em um aplicativo de mensagens (aquele mesmo que quase todos usam) quando surgiu o assunto sobre uma rua bem famosa daqui. E eu disse que não me sentia segura ao andar por ela. Que tinha uma percepção de insegurança. E a resposta foi que seria talvez uma visão pessoal. Como sei que a visão (e experiência) das mulheres sobre o que é uma cidade segura pode ser diferente das visões masculinas, fui pesquisar a respeito em artigos acadêmicos e governamentais recentes para entender mais sobre a realidade. É mesmo percepção pessoal. Ou.... Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva, divulgada em setembro de 2024, mostrou um dado alarmante: que 97% das brasileiras sentem medo de sofrer violência quando se deslocam pela cidade. A mesma pesquisa aponta que 71% das mulheres já sofreram algum tipo de violência durante seus deslocamentos urbanos. Entre mulheres negras e LBT, os índices sobem ainda mais.  Isso não é sensação isolada. Se per...

Lugar de mulher é onde ela quiser - na construção civil também

Quando a gente vê uma obra pronta, um ambiente bonito e bem acabado nem sempre se dá conta da trabalheira que isso dá. E quando se dá conta, sempre pensa em muita poeira, muita força bruta e mãos calejadas. Mas como todo setor de trabalho, a indústria da Construção Civil é local de mulher sim. Inclusive no canteiro de obras. 

Não somos apenas arquitetas, engenheiras, designers que conquistamos nosso espaço fazendo projetos, acompanhando obras, especificando, mandando e detalhando. Também no pegar a mão na massa (literalmente) a presença feminina se faz cada dia mais presente. E mantendo o charme sim que mulher é multitarefa por natureza e essa qualidade é super bem vinda nesse setor.  


“A mulher tem mais capacidade que o homem em ser multitarefa. Elas se destacam na própria ação do engenheiro, que acompanha várias frentes de trabalho ao mesmo tempo. E também se sobressaem em serviços que exigem cuidados mais elaborados e atenção para detalhes.”Marcello Zappia - Diretor da Tecnisa
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Embora ainda representem uma pequena parcela da mão de obra disponível, essa participação vem crescendo, também embalada pelo boom que o setor teve nos últimos anos. Me recordo que quando me formei, na década de 80, a presença de mulheres nos canteiros era rara como executantes. E já éramos um numero bem expressivo nas faculdades. Hoje ninguém estranha uma mulher de capacete e botinas mandando em uma obra. Já executando...
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Mas esse quadro tende a mudar com a oferta de cursos de aperfeiçoamento para mão de obra feminina - e um exemplo é o projeto Mão na Massa  que oferece qualificação social e profissional com aprendizagem teórica e prática. E a prática é realizada com obras de melhorias em entidades sociais e espaços comunitários. Uma maneira de empoderamento e resgate de mulheres em situação de vulnerabilidade social.
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Em uma rápida pesquisa para escrever esse pequeno toque sobre o tema, achei um dado bem interessante. Segundo ele, a construção civil é um setor onde as mulheres recebem na entrada, em média, um salário superior aos dos homens. Um dos únicos aliás.  
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Ou seja, um setor de potencialidades, onde a presença feminina pode trazer vantagens para todos. Quem trabalha em obras sabe da dificuldade de achar uma mão de obra qualificada e caprichosa. E este caprichosa tem muito a ver com sustentabilidade porque mão de obra caprichosa em geral não desperdiça, não faz tanto retrabalho porque executa bem logo.


E quero acabar com essa imagem. Sabemos que a Construção Civil ainda é um setor onde a presença masculina prepondera. É considerado por muitos como um setor machista. E é. Por isso achei bem pertinente lembrar que Lugar de mulher é onde ela quiser.
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Autor : Elenara Leitão

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