Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Lugar de mulher é onde ela quiser - na construção civil também

Quando a gente vê uma obra pronta, um ambiente bonito e bem acabado nem sempre se dá conta da trabalheira que isso dá. E quando se dá conta, sempre pensa em muita poeira, muita força bruta e mãos calejadas. Mas como todo setor de trabalho, a indústria da Construção Civil é local de mulher sim. Inclusive no canteiro de obras. 

Não somos apenas arquitetas, engenheiras, designers que conquistamos nosso espaço fazendo projetos, acompanhando obras, especificando, mandando e detalhando. Também no pegar a mão na massa (literalmente) a presença feminina se faz cada dia mais presente. E mantendo o charme sim que mulher é multitarefa por natureza e essa qualidade é super bem vinda nesse setor.  


“A mulher tem mais capacidade que o homem em ser multitarefa. Elas se destacam na própria ação do engenheiro, que acompanha várias frentes de trabalho ao mesmo tempo. E também se sobressaem em serviços que exigem cuidados mais elaborados e atenção para detalhes.”Marcello Zappia - Diretor da Tecnisa
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Embora ainda representem uma pequena parcela da mão de obra disponível, essa participação vem crescendo, também embalada pelo boom que o setor teve nos últimos anos. Me recordo que quando me formei, na década de 80, a presença de mulheres nos canteiros era rara como executantes. E já éramos um numero bem expressivo nas faculdades. Hoje ninguém estranha uma mulher de capacete e botinas mandando em uma obra. Já executando...
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Mas esse quadro tende a mudar com a oferta de cursos de aperfeiçoamento para mão de obra feminina - e um exemplo é o projeto Mão na Massa  que oferece qualificação social e profissional com aprendizagem teórica e prática. E a prática é realizada com obras de melhorias em entidades sociais e espaços comunitários. Uma maneira de empoderamento e resgate de mulheres em situação de vulnerabilidade social.
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Em uma rápida pesquisa para escrever esse pequeno toque sobre o tema, achei um dado bem interessante. Segundo ele, a construção civil é um setor onde as mulheres recebem na entrada, em média, um salário superior aos dos homens. Um dos únicos aliás.  
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Ou seja, um setor de potencialidades, onde a presença feminina pode trazer vantagens para todos. Quem trabalha em obras sabe da dificuldade de achar uma mão de obra qualificada e caprichosa. E este caprichosa tem muito a ver com sustentabilidade porque mão de obra caprichosa em geral não desperdiça, não faz tanto retrabalho porque executa bem logo.


E quero acabar com essa imagem. Sabemos que a Construção Civil ainda é um setor onde a presença masculina prepondera. É considerado por muitos como um setor machista. E é. Por isso achei bem pertinente lembrar que Lugar de mulher é onde ela quiser.
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Autor : Elenara Leitão

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