Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Terreno estreito mas a casa é ampla

Óbvio que se fala de terreno estreito e amplos espaços internos em 90% dos casos estarei aqui me referindo às casas japonesas. Não é de hoje que aprendi a admirar como conseguem usar essas proporções de espaços internos e externos e sabem jogar com a iluminação interna para garantir amplidão e muita sensação de luz.
Esse o terreno. Mais um desafio para uma criativa equipe de arquitetos, a Imal / Katsutoshi Sasaki Arquitetos. 

AQUI já tinha mostrado um projeto bem interessante deles, uma casa que teve a forma motivada pelos ventos da região.

Nós vivemos nos queixando do reduzido espaço de nossas casas, mas se formos analisar como usamos o espaço interno veremos que somos culturalmente um povo bem mais acumulador que o japonês. Nessa casa que é feita sobre uma planta de 2,00 x 3,00 podemos ver espaços fluídos, apesar do terreno estreito. Observem que além das cores claras, da luz interna abundante, há poucos móveis, há poucas referências em paredes e muito pouca variedade de revestimentos. 
É como se o espaço interno fosse coadjuvante das ações de quem vai ali morar. E interagisse com as funções quando elas se fizerem presentes. Comer, dormir, lazer parece que se mesclam em um amplo local de convívio e estar. 
Esquadrias bem colocadas para proporcionar luz e ventilação, terraços e jardins estrategicamente postados ajudam na fluidez dos espaços.
Dica do Massimo Castoldi 

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