Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

Síndrome do Edifício Doente



Feito um bom projeto, uma boa execução e estamos combinados. Não! Um edifício, como tudo na vida, exige manutenção. Quanto mais complexo em instalações, especialmente as de condicionamento de ar, mais perigoso se torna. E as doenças decorrentes desse problema foram denominadas Síndrome do Edifício Doente.

Na faculdade de Arquitetura aprendi que sol e ar corrente são coisas extremamente preciosas em um projeto. Se tivermos condição de fazer uma ventilação cruzada, que é quando existem janelas de tal modo posicionadas que o ar corre na peça, isso será muito benéfico em termos de qualidade de saúde e vida. Mas...condicionar ambientes abertos exige mais energia. E essa se torna cada dia mais escassa. Especialmente da década de 70 houve uma grande crise onde a humanidade tomou consciência (ou começou a se assustar) com a possível escassez do petróleo que até então parecia inesgotável. Começaram a surgir alternativas de prédios que economizassem energia. E uma das maneiras era vedar. Vedar o prédio para que a climatização fosse mais econômica e racional. Bacana. Só que...como não havia troca com o ar externo e a sua consequente e necessária renovação, houve maior concentração de poluentes que geraram doenças. A tal da Síndrome de Edifício Doente.
Poluentes químicos como o monóxido e o dióxido de carbono (CO e CO2), amônia, dióxido de enxofre e formaldeído, produzidos no interior dos estabelecimentos a partir de materiais de construção, materiais de limpeza, fumaça de cigarro, fotocopiadoras e pelo próprio metabolismo humano, e os poluentes biológicos, como fungos, algas, protozoários, bactérias e ácaros, cuja proliferação era favorecida pela limpeza inadequada de carpetes, tapetes e cortinas, foram a causa do que se convencionou chamar de "Síndrome do Edifício Doente" (Sick Building Syndrome – SBS). Fonte

Alguns dos sintomas que podem acometer as pessoas são: irritação dos olhos, nariz e garganta, dor de cabeça, tonturas, dor de cabeça, entre outros.E quando 20% dos ocupantes do edifício sentem sintomas como esses, que se aliviam ao sair do prédio, esse é considerado um caso de SDE - Síndrome do Edifício Doente.   
Segundo o Inmetro,no final da década de 90 a  Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, órgão regulamentador do sistema de saúde, publica a Portaria nº 3.523, estabelecendo, para todos os ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo, a obrigatoriedade de elaborar e manter um plano de manutenção, operação e controle dos sistemas de condicionamento de ar
Um caso que causou grande repercussão no Brasil e alertou para o problema foi a morte do então Ministro da Comunicação do Governo FHC, Sérgio Motta, atribuída à falta de manutenção do ar condicionado de seu escritório. Várias medidas de controle e checagem foram criadas desde então, mas ainda há alertas de que essa etapa da manutenção deveria ser melhor pensada desde o projeto. Leia AQUI artigo de uma empresa de engenharia que lista problemas encontrados para fazer a manutenção desses sistemas.


Na verdade devemos estar atentos à complexidade do ambiente construído. Ele é bem mais do que projetar e construir. Essas etapas, para serem dignas do seu mister, tem que prever, tem que prevenir, tem que pensar que qualquer escolha ou especificação pode ser a diferença entre a saúde e doença de alguém. 

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