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Síndrome do Edifício Doente

Feito um bom projeto, uma boa execução e estamos combinados. Não! Um edifício, como tudo na vida, exige manutenção. Quanto mais complexo em instalações, especialmente as de condicionamento de ar, mais perigoso se torna. E as doenças decorrentes desse problema foram denominadas Síndrome do Edifício Doente.

Na faculdade de Arquitetura aprendi que sol e ar corrente são coisas extremamente preciosas em um projeto. Se tivermos condição de fazer uma ventilação cruzada, que é quando existem janelas de tal modo posicionadas que o ar corre na peça, isso será muito benéfico em termos de qualidade de saúde e vida. Mas...condicionar ambientes abertos exige mais energia. E essa se torna cada dia mais escassa. Especialmente da década de 70 houve uma grande crise onde a humanidade tomou consciência (ou começou a se assustar) com a possível escassez do petróleo que até então parecia inesgotável. Começaram a surgir alternativas de prédios que economizassem energia. E uma das maneiras era vedar. Vedar o prédio para que a climatização fosse mais econômica e racional. Bacana. Só que...como não havia troca com o ar externo e a sua consequente e necessária renovação, houve maior concentração de poluentes que geraram doenças. A tal da Síndrome de Edifício Doente.
Poluentes químicos como o monóxido e o dióxido de carbono (CO e CO2), amônia, dióxido de enxofre e formaldeído, produzidos no interior dos estabelecimentos a partir de materiais de construção, materiais de limpeza, fumaça de cigarro, fotocopiadoras e pelo próprio metabolismo humano, e os poluentes biológicos, como fungos, algas, protozoários, bactérias e ácaros, cuja proliferação era favorecida pela limpeza inadequada de carpetes, tapetes e cortinas, foram a causa do que se convencionou chamar de "Síndrome do Edifício Doente" (Sick Building Syndrome – SBS). Fonte

Alguns dos sintomas que podem acometer as pessoas são: irritação dos olhos, nariz e garganta, dor de cabeça, tonturas, dor de cabeça, entre outros.E quando 20% dos ocupantes do edifício sentem sintomas como esses, que se aliviam ao sair do prédio, esse é considerado um caso de SDE - Síndrome do Edifício Doente.   
Segundo o Inmetro,no final da década de 90 a  Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, órgão regulamentador do sistema de saúde, publica a Portaria nº 3.523, estabelecendo, para todos os ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo, a obrigatoriedade de elaborar e manter um plano de manutenção, operação e controle dos sistemas de condicionamento de ar
Um caso que causou grande repercussão no Brasil e alertou para o problema foi a morte do então Ministro da Comunicação do Governo FHC, Sérgio Motta, atribuída à falta de manutenção do ar condicionado de seu escritório. Várias medidas de controle e checagem foram criadas desde então, mas ainda há alertas de que essa etapa da manutenção deveria ser melhor pensada desde o projeto. Leia AQUI artigo de uma empresa de engenharia que lista problemas encontrados para fazer a manutenção desses sistemas.


Na verdade devemos estar atentos à complexidade do ambiente construído. Ele é bem mais do que projetar e construir. Essas etapas, para serem dignas do seu mister, tem que prever, tem que prevenir, tem que pensar que qualquer escolha ou especificação pode ser a diferença entre a saúde e doença de alguém. 

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