Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Construindo cidades saudáveis

Cidade saudável é aquela em que as condições oferecidas privilegiem o bem estar físico, mental e social de sua população. Para a OMS Cidade saudável é aquela que está continuamente criando e modificando seu ambiente físico e social e expandindo seus recursos para que as pessoas se capacitem a apoiar umas às outras, para que todos desempenhem a contento todas as funções da vida e desenvolvam ao máximo seu potencial (fonte)

A ONU já se preocupou com isso e elencou algumas condições para que uma cidade seja considerada saudável: respostas efetivas à população, capacidade de lidar com as crises, capacidade de modificação e renovação, dar condições para que sua população possa usufruir desse desenvolvimento.



Construção de ciclovias, equipamentos urbanos bem planejados, locais onde as pessoas possam andar favorecem a saúde da população e evitam gastos governamentais com doenças. Vejam os exemplos abaixo de cidades canadenses:

  • Canadá gasta cerca de $12 bilhões ao ano com tratamento de doenças ligadas à obesidade
  • 75 por cento dos fatores que influenciam a saúde ocorrem fora do sistema de saúde
  • Cada supermercado dentro de 1 km da casa de uma pessoa reduz a probabilidade de excesso de peso em 11 por cento
  • Caminhar por um bairro para comprar em lojas locais corta a probabilidade de obesidade em 35 por cento
  • Jovens adolescentes são 2,5 vezes mais propensos a andar se há um destino de lazer em um raio de 1 km de sua casa
Ou seja, promover a walkability em um bairro ou cidade pode fazer com que melhore a saúde geral da população. Assim como fazer a coleta de lixo, promover o saneamento básico, fazer com que as ruas tenham mais árvores e preservem o seu meio ambiente em parques e praças onde a população possa se divertir e caminhar, fazer esportes. Promover rotas de caminhada a pé, sem privilegiar o transporte por carros, com bancos e equipamentos com telhados verdes e/ou células fotovoltaicas, por exemplo, podem beneficiar as pessoas e ser uma ação pró ativa para o ambiente. Integrar as políticas de saúde, habitação, saneamento, habitação, lazer e transporte, fazendo com que a cidade saudável gere mais saúde em seus habitantes.  
    Fonte

    Dez requisitos definidos para Organização Mundial da Saúde (OMS) para uma cidade saudável


    1. ambiente físico limpo e seguro
    2. ecossistema estável e sustentável
    3. alto suporte social, sem exploração
    4. alto grau de participação social
    5. necessidades básicas satisfeitas
    6. acesso a experiências, recursos, contatos, interações e comunicações
    7. economia local diversificada e inovadora
    8. orgulho e respeito pela herança biológica e cultural
    9. serviços de saúde acessível a todos
    10. alto nível de saúde.
    Fonte
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