A cidade também envelhece. E a casa, às vezes, envelhece antes de nós

Imagem
Como arquiteta, tenho uma certa implicância com a ideia de que minha profissão seja apontada como algo que começa, e as vezes termina, essencialmente na estética. Talvez porque, depois de tantos anos de prática, trabalhando com espaços internos e externos, e as pessoas que ali vivem e circulam, tenha ficado cada vez mais evidente para mim que uma porta, uma escada, uma calçada ou uma janela podem interferir muito mais na vida de alguém do que aquilo que aparece nas fotografias dos projetos. Quando falamos de envelhecimento, isso fica ainda mais evidente. A realidade nos mostra que o Brasil está envelhecendo rapidamente. Aquela pirâmide etária que aprendemos a desenhar nos livros de geografia já não representa o país que temos. E ainda estamos tentando entender o que isso significa para as nossas casas, para as nossas cidades e para o sistema de saúde. Eu costumo pensar que há uma pergunta simples por trás de tudo isso: onde queremos envelhecer? A resposta da maioria das p...

Construindo cidades saudáveis

Cidade saudável é aquela em que as condições oferecidas privilegiem o bem estar físico, mental e social de sua população. Para a OMS Cidade saudável é aquela que está continuamente criando e modificando seu ambiente físico e social e expandindo seus recursos para que as pessoas se capacitem a apoiar umas às outras, para que todos desempenhem a contento todas as funções da vida e desenvolvam ao máximo seu potencial (fonte)

A ONU já se preocupou com isso e elencou algumas condições para que uma cidade seja considerada saudável: respostas efetivas à população, capacidade de lidar com as crises, capacidade de modificação e renovação, dar condições para que sua população possa usufruir desse desenvolvimento.



Construção de ciclovias, equipamentos urbanos bem planejados, locais onde as pessoas possam andar favorecem a saúde da população e evitam gastos governamentais com doenças. Vejam os exemplos abaixo de cidades canadenses:

  • Canadá gasta cerca de $12 bilhões ao ano com tratamento de doenças ligadas à obesidade
  • 75 por cento dos fatores que influenciam a saúde ocorrem fora do sistema de saúde
  • Cada supermercado dentro de 1 km da casa de uma pessoa reduz a probabilidade de excesso de peso em 11 por cento
  • Caminhar por um bairro para comprar em lojas locais corta a probabilidade de obesidade em 35 por cento
  • Jovens adolescentes são 2,5 vezes mais propensos a andar se há um destino de lazer em um raio de 1 km de sua casa
Ou seja, promover a walkability em um bairro ou cidade pode fazer com que melhore a saúde geral da população. Assim como fazer a coleta de lixo, promover o saneamento básico, fazer com que as ruas tenham mais árvores e preservem o seu meio ambiente em parques e praças onde a população possa se divertir e caminhar, fazer esportes. Promover rotas de caminhada a pé, sem privilegiar o transporte por carros, com bancos e equipamentos com telhados verdes e/ou células fotovoltaicas, por exemplo, podem beneficiar as pessoas e ser uma ação pró ativa para o ambiente. Integrar as políticas de saúde, habitação, saneamento, habitação, lazer e transporte, fazendo com que a cidade saudável gere mais saúde em seus habitantes.  
    Fonte

    Dez requisitos definidos para Organização Mundial da Saúde (OMS) para uma cidade saudável


    1. ambiente físico limpo e seguro
    2. ecossistema estável e sustentável
    3. alto suporte social, sem exploração
    4. alto grau de participação social
    5. necessidades básicas satisfeitas
    6. acesso a experiências, recursos, contatos, interações e comunicações
    7. economia local diversificada e inovadora
    8. orgulho e respeito pela herança biológica e cultural
    9. serviços de saúde acessível a todos
    10. alto nível de saúde.
    Fonte
    Fonte

      Comentários

      Postagens mais visitadas deste blog

      Cortina verde na fachada

      Processo da Arquitetura

      10 motivos para NÃO fazer arquitetura

      Captar água da chuva