O quanto as cidades são seguras para mulheres?

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Estava em uma conversa em um aplicativo de mensagens (aquele mesmo que quase todos usam) quando surgiu o assunto sobre uma rua bem famosa daqui. E eu disse que não me sentia segura ao andar por ela. Que tinha uma percepção de insegurança. E a resposta foi que seria talvez uma visão pessoal. Como sei que a visão (e experiência) das mulheres sobre o que é uma cidade segura pode ser diferente das visões masculinas, fui pesquisar a respeito em artigos acadêmicos e governamentais recentes para entender mais sobre a realidade. É mesmo percepção pessoal. Ou.... Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva, divulgada em setembro de 2024, mostrou um dado alarmante: que 97% das brasileiras sentem medo de sofrer violência quando se deslocam pela cidade. A mesma pesquisa aponta que 71% das mulheres já sofreram algum tipo de violência durante seus deslocamentos urbanos. Entre mulheres negras e LBT, os índices sobem ainda mais.  Isso não é sensação isolada. Se per...

Teoria + ateliê... a boa formação do arquiteto

Um ótimo texto dos drops do Vitruvius...

 http://www.vitruvius.com.br/drops/drops.asp

            O ensino da arquitetura abarca uma questão de suma importância: a dissociação clássica entre duas vertentes, a teórica e a prática. É uma praxe entre os alunos priorizar as disciplinas práticas de ensino projetual do ateliê e menosprezar as teorias, de primordial importância para a obtenção de uma fundamentação acerca das questões que envolvem a concepção do projeto.

      Infelizmente, alguns estudantes só entram em contato com o universo da teoria se solicitados, quando muito devoram inúmeras revistas de arquitetura com sedutoras imagens passando por cima dos enriquecedores ensaios e resenhas, elaborados com muita seriedade por renomados críticos da atualidade.

      Qual o estudante de arquitetura que não se lamuria por “ser obrigado” a ler os tratados renascentistas?! Ora! Sabemos que até hoje grande parte do discurso estético tem se organizado em torno dos alicerces renascentistas (posição defendida por muitos críticos, dentre eles, Bruno Zevi). Não é à toa que muitos buscam justificar uma solução projetual através de conceitos como ritmo, proporção, harmonia, medida... São o legado da arquitetura da renascença, que perdura durante séculos e se mantém na ordem do dia. Não poderia haver leitura mais apropriada!

      Reflexões como estas, estão convenientemente analisadas e difundidas através dos seqüenciais THAUs (Disciplina intitulada por Teoria, História e Crítica da Arquitetura e Urbanismo) aplicados nos cursos de graduação. A escola sempre fornece a ferramenta, mas cabe somente ao aluno se beneficiar do discurso teórico e compreender sua importância.

      Ah! O ateliê! Esse sim merece a preferência! Qual é o arquiteto que não sente saudades do ateliê? Pois foi justamente nele que pudemos alçar os vôos mais elevados, dar forma até mesmo às utopias mais incabíveis se transportadas para a vida real. Lembro-me como se fosse hoje, na inexperiência de uma jovem estudante, exercitar a disciplina de projeto através do estudo da arquitetura deconstrutivista. Não havia outra alternativa, senão recorrer à teoria para compreender o processo da deconstrução, herança do filósofo e literato francês Jacques Derrida, traduzido para a arquitetura através da deformação e da decomposição da forma. Enlevada com a descoberta de tal vertente, chega o momento maior da simulação projetual... Êxtase! Finalmente pudemos desenhar algo desconcertante, ousado e intrigante, e ainda assim, conseguir justificá-lo com sabedoria, fato ímpar consumado através do estudo do discurso teórico. Experiência que se mantém viva na memória de qualquer estudante!

      Aos futuros arquitetos sugiro que ingressem no universo da teoria o quanto antes, e se permitam tomar conhecimento até mesmo dos sedutores projetos neofuturistas do Archigram, grupo inglês que mergulhou no universo da ficção científica para elaborar projetos que exploravam com criatividade as possibilidades investigativas da atividade profissional. O fermento da profissão é, e sempre será, a capacidade de inventividade inerente de cada um, que juntamente com a bagagem cultural e a personalidade desempenham papel primordial no exercício da profissão. Portanto, Porque não enriquecer seu repertório conceitual e começar desde já? Ou enquanto é tempo? Habitualmente, depois de encerrada a etapa acadêmica, sobram raras oportunidades de alçar vôos tão criativos. Pense nisso!

      “Se mergulharmos na profissão sem antes ter conhecido a arquitetura em sua verdadeira base, desinteressada, científica e poética, o vôo para o futuro partirá muito baixo e o jovem correrá o risco de ser rapidamente devorado pela banalidade do contexto.” (1)

      Nota

      1
      Vittoriano Viganò. Apud FAROLDI, Emilio, VETTORI, Maria Pilar. Diálogos de Arquitetura. São Paulo: Siciliano, 1997.

      Liziane de Oliveira Jorge, Belo Horizonte MG
    
       


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