Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Regras para uma arquitetura de baixo consumo

Vejo muitas pessoas leigas - e alguns estudantes - tratando a Arquitetura como forma. Ou mais como forma do que como uma solução muito bem pensada para resolver os problemas de espaço com que nos defrontamos. 

Desde a primeira caverna, o abrigo primordial, os homens e mulheres tem se debruçado e erigido do mais simples ao mais grandioso. Nos últimos trinta ou quarenta anos, muito do conhecimento vernacular foi delegado a um segundo plano porque a tecnologia assumiu um papel mais preponderante. Vivíamos épocas de energia barata e uma bela instalação de aquecimento e refrigeração faziam milagres. 

Hoje já não. Pagamos por alguns anos de muito desperdício e consumismo. E à Arquitetura e aos arquitetos urge dar respostas aos problemas de consumo energético. Várias novas e antigas tecnologias surgem para minimizar esse gasto.

Mas são nas decisões de projeto que muitos deles podem ser evitados. Literatura há em grande número sobre isso. E a formação dos arquitetos contempla o conhecimento de várias delas. Senão, muito do conhecimento de como se construía ajuda bastante.

Por isso gostei de ler esse livro (quase de bolso) com 101 regras básicas para uma arquitetura de baixo consumo energético. Ele me lembrou um colega, super organizado, que tinha um caderno onde colocava informações super importantes. Na hora em que fosse preciso, ia lá e elas estavam à mão. E para o número de condicionantes que um arquiteto tem que processar quando projeta, ter dados e informações a mão, é muito facilitador.   
Esses dias ouvi um seminário com o Arq. Gustavo Penna onde ele falava do seu processo de projeto e de como era importante o prédio "falar"com o entorno. Lembrei dele ao ler o primeiro capítulo do livro: trabalhar com a situação e localização.  
Ah! Então é receita de bolo? Pego o livro, sigo as regras e vou ter uma ótima construção! Calma aí, gente. O alerta é justamente de não esquecer que cada região e localização é um caso único. Estudar como se resolviam e alguns macetes de como resolver situações peculiares como os ventos predominantes, insolação, locais onde faz muito calor no verão e frio no inverno, etc, requerem conhecimento.

E é justamente a esse conhecimento que o livro ajuda. Uma mão na roda! Até porque no final ele lista uma bibliografia que orientou cada capítulo. Isso é ótimo para aprofundar a pesquisa.

Uma ressalva: achei que ainda ficou confuso para leigos a questão da insolação. Como o livro foi escrito no hemisfério norte, muitas das regras tem que ser traduzidas para quem mora no hemisfério Sul (caso da Brasil). Atenção com isso! Mas o livro aconselha aos profissionais usarem cartas de insolação, sejam reais ou virtuais.

Leiam aqui:  Insolação em simples palavras   

Ficaram curiosos? Dou uma palhinha com quatro regras.   




Querem saber mais??? 101 regras básicas para uma arquitetura de baixo consumo energético 

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