Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Pavilhões para debater a alimentação e energia para a vida

Exposições mundiais e universais (juro que não entendo direito a diferença, mas dizem que a última é maior...) sempre foram propulsoras de grandes obras arquitetônicas e mostram avanços tecnológicos dos expositores. O Brasil já foi palco de uma em 1922 no Rio de Janeiro, até Porto Alegre teve a sua em 1935. 

Este ano é Milão que inaugura a sua Expo Milão 2015. Vários e belos pavilhões foram construídos para representar seus países (inclusive o Nepal que precisou de ajuda italiana após o terrível sismo de 2015). Embora com algumas ausências devido à crise econômica (Portugal, por exemplo), 140 países se fizeram representar, mesmo enfrentado protestos locais em função dos gastos públicos e denúncias de corrupção. Mas a cidade de Milão e a Itália esperam um número expressivo de visitantes que deixem um também expressivo lucro monetário. 

O tema da Expo Milão 2015 é Alimentar o planeta, energia para a vida. A ideia é levantar debates e soluções para refletir sobre esse problema e equacionar a disparidade entre desperdício e falta de alimentação na humanidade.   

A arquitetura tem um papel destacado nos projetos dos pavilhões que, em geral, refletem as culturas e soluções que esses países estão oferecendo ao mundo e às suas populações.  

ESLOVÊNIA

 
A Eslovênia, por exemplo, nos mostra um pavilhão com estrutura em aço e revestido com
madeira sustentável, lembrando que é um dos países com mais florestas na Europa. A forma lembra a topografia local, com suas montanhas, planícies e montes. Mas mantendo a referência aos seus campos de cultivo de alimentos. 

O simbolismo da marca "I Feel Eslovênia", que ressalta a tríada verde, atividade, saúde, é mostrada nos cinco temas apresentados: salinas, abelhas, águas minerais e termais, caminhadas e ciclismo e
a medição de partículas de carbono negro.

O carbono negro é considerado uma das causas de um possível aquecimento global. E no pavilhão esloveno é mostrado o resultado de um projeto chamado de "Aventura da Ciência" onde um piloto do país recolheu dados em todo o planeta terra. 

O projeto do pavilhão esloveno é de SoNo Arhitekti

Fonte
 

Dica da Samantha Shiraishi

BRASIL

Obvio que fui atrás do pavilhão brasileiro.Escolhido por concurso (vejam AQUI o resultado e mais propostas concorrentes) o projeto do Estúdio Arthur Casas explorou o tema através dos conceitos de "flexibilidade, fluidez e descentralização."
 
Uma grande estrutura em forma de caixa, com com fechamentos em cortinas e redes, simbolicamente mostra a ideia de acabar com os limites para alcançar o equilíbrio, ao mesmo tempo em que mostra pesquisas e modelos de produção brasileiros.

Fonte

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