Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Prédio público sustentável - Viveiro do Senado Federal

Site do Arquiteto Mário Viggiano
Recebi uma dica da Sam Shiraishi sobre uma obra sustentável em edifício público e fui lá conferir. E o que vi me agradou demais! É o Viveiro do Senado Federal, uma amostra que coisas boas estão sendo feitas na casa do Legislativo. Um exemplo de como a adoção de de conceitos simples de sustentabilidade podem ajudar a disseminar a cultura da sustentabilidade, segundo o arquiteto responsável pelo projeto. São ações simples que os gestores de prédios públicos devem refletir:
  • Como o projeto pensado para a sustentabilidade pode gerar economia futura, ou seja o projeto que se paga
  • Pode ajudar na redução do impacto ambiental e minimização das emissões de carbono 
  • E talvez o mais importante de tudo, ajudar a disseminar a cultura de que o uso dos sistemas sustentáveis pode gerar economia através do exemplo de obra pronta e funcionando.
Segundo o arquiteto Mário Viggiano “o edifício sustentável é aquele capaz de proporcionar benefícios na forma de conforto, funcionalidade, satisfação e qualidade de vida sem comprometer a infraestrutura presente e futura dos insumos, gerando o mínimo possível de impacto no meio ambiente e alcançando o máximo possível de autonomia”.

O autor do projeto, também responsável pelo Casa Autônoma, nos conta no video abaixo como a obra foi feita usando uma estrutura de eucalipto, materiais reaproveitados do Senado, como vidros, telha e tubos de papelão descartados, energia solar gerando energia e sistema de aproveitamento de água da chuva.

E o mais bacana é ver a obra pronta (veja no video no fim da página) e constatar como os critérios e conceitos adotados estão funcionando na prática, o bom uso da luz natural, o uso de cortina verde para filtrar o calor, o uso de sobras de resíduos orgânicos que visam tornar o viveiro 100% autônomo, economizando e ajudando a reduzir o impacto ambiental.

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As plantas são adubadas com uma compostagem que utiliza o lixo orgânico gerado no Senado e por uma criação de minhocas no local. Até mesmo a o pó do café é usado para fazer os pacotes onde as mudas de plantas são colocadas. Além disso foram usados princípios da arquitetura bioclimática, os tijolos foram feitos no local e segundo li, o viveiro foi a primeira construção pública a produzir sua própria energia via painéis fotovoltaicos.

Achou bacana? Eu também. Pois o arquiteto organizou um cartilha de edifícios públicos sustentáveis que pode ser baixada e auxiliar no projeto de mais e mais construções que ajudem o meio ambiente. Nada mais função de prédio público que disseminar boas práticas pelo exemplo, não acham?  


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