Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Piquenique no MAM, Flores Raras e arquitetas invisíveis

Essa semana vou participar de um piquenique nos jardins do MAM no Rio de Janeiro. Vamos aprender mais sobre o balanço energético, ou como se dá esse equilíbrio entre as calorias que a gente põem para dentro e as que saem. É um projeto do Viva Positivamente e quem vai nos dar umas aulas legais são os doutores Victor Matsuo e Claudia Cravo. Com certeza será um dia super agradável e eu vou falar sobre ele em uma outra postagem.
MAM - RIO


Por enquanto estou sonhando em conhecer os jardins projetados por Burle Marx (sim, eu nunca passeei a pé por eles, o máximo que fiz foi visitar o monumento aos pracinhas - e isso quando eu tinha dez anos (!!!).


Apresentação de Projeto - Aterro do flamengo from Megumi Nishimori

O projeto do Parque do Flamengo, também conhecido como Aterro do Flamengo, e as obras que nele constam fazem parte da história do urbanismo e arquitetura do Brasil. Por isso, ao assistir recentemente ao filme Flores Raras, fiquei surpresa ao conhecer uma mulher que fez parte da história da construção do Parque e da qual eu nunca tinha ouvido falar. Quem seria Lota Macedo Soares no cenário arquitetônico brasileiro? Eu nunca tinha ouvido falar nela e para mim a autoria dos projetos do Parque do Flamengo eram de outros arquitetos, todos homens, é obvio. Onde estariam as referências à Sergio Bernardes, Affonso Eduardo Reidy e Roberto Burle-Marx? Fui pesquisar e achei mais estranhamentos de outros arquitetos que podem ser vistos nos dois artigos cujos links coloco aqui: Flores raras e banalíssimas e A arquitetura do Rio de Janeiro vai ao cinema. Vemos que o filme adotou sim liberdades poéticas para valorizar a personalidade de Lotta na sua história de amor com a poeta americana Elizabeth Bishop.
 
Elizabeth Bishop e Lotta de Macedo Soares

Mas, se ela não era arquiteta de formação acadêmica e sim autodidata, que papel na realidade teve Lotta na história de um espaço que tanto enriqueceu a cidade? A urbanização do aterro do Flamengo já fazia parte de antigos projetos urbanísticos da cidade quando assumiu o governador Carlos Lacerda. (Um adendo, pessoalmente não gosto do papel desse personagem na história do Brasil, mas essa é outra história). Lacerda, que era amigo de Lotta, a chama para a coordenação do projeto do parque. Havia intenções de usar essa área como grandes pistas de carros e ela bateu pé junto ao governador e dizia que:

 “Um simples corredor para carros poderá se transformar numa imensa área arborizada e acabará se convertendo num símbolo para a cidade” (fonte).  

Além dessa visão estratégica de um futuro que se tornou verdadeiro, o parque se tornou referência paisagística já que, segundo Ivete Farah, pela primeira vez se usaram cerca de três dezenas de novas espécies nativas e exóticas no país. Lotta não projetou, mas executou. Esteve a frente na concepção da ideia e na coordenação das equipes de profissionais que construíram o parque. Não é pouco. Para uma mulher na década de 50 diria que é muito. Porque então eu nunca ouvi falar dela na faculdade de Arquitetura?

E assim chego ao terceiro mote do que me chamou a atenção. Esses dias descobri uma página no face chamada arquitetas invisíveis. Ela fala justamente sobre o fato de que "Mulheres são como fantasmas na arquitetura moderna: presentes em todos os lugares, cruciais, mas, estranhamente, invisíveis." Eu mesma já falei sobre essa desigualdade de tratamento AQUI.

Não é apenas Lotta que não é falada. A história das mulheres na arquitetura parece ser contada pela metade. Ou menos que isso. E pouco me importa se Lotta tinha diploma ou não, ela era precursora, teve um papel atuante que merece ser mais estudado. Ela e outras profissionais que atuam em forma dinâmica e tantas vezes ficam anônimas para a história. 

Então, fechando o raciocínio, vemos que na vida profissional é também necessário um balanço energético. Mulheres gastam tanta energia e aplicação quanto homens e continuam fora do equilíbrio do reconhecimento. 

Equilíbrio, uma palavra básica, de fácil entendimento e tão difícil de alcançar na prática. Espero aprender mais sobre ela no piquenique nos jardins do MAM. Espero encontrá-la mais seguido na vida.

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