Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Diga-me como me medes e direi como me comportarei

Encontrei esse texto no facebook no perfil de alguém (desculpa, esqueci onde achei..). O título: O que muda o mundo de Natália Garcia me chamou a atenção e eu guardei para ler com calma. No primeiro paragrafo já senti que o texto ia me envolver,

 "Eu nunca me interessei por concursos de beleza. Mas confesso que tenho uma fantasia de estar entre as finalistas do Miss Universo para responder à pergunta “qual o seu maior desejo para o mundo?”. De preferência, queria responder por último, depois que todas as minhas concorrentes dissessem “a paz mundial”. Eu diria, então, pausadamente, que o que mais quero na vida é “mudar as métricas que norteiam as decisões no planeta”.

Bingo! Me lembrei da velha máxima que aprendi no mestrado em Engenharia de Produção ao ler o guru Goldratt: "Diga-me como me medes e direi como me comportarei"

Muito, muito lógico. Se recebo recompensas por ser A, vou tentar ser A para recebe-las. Se sou medido por X, vou tentar alcançar X. Funciona nas pessoas, nas organizações, nos planejamentos e nas cidades...

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Talvez muitos ganhos fossem realmente feitos se os governos se pautassem por métricas mais ajustadas ao real problema. E no texto a autora cita um especificamente sobre a interação com as pessoas e o trânsito nas cidades. Muitos dos atos de governos, em todos os níveis, são para se ajustar à métricas que possam servir de propaganda e parâmetro de que são melhores que o concorrente. E alguns desses atos são bons, outros nem tanto.
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E não apenas nos governos, me lembro que também no mestrado estava apresentando um trabalho em um congresso sobre a satisfação do cliente comprador de imóveis e fui confrontada com a métrica da velocidade de vendas como argumento de que os imóveis eram um sucesso. Mas esse é um viés de olhar do empreendedor e nem sempre significa real satisfação de quem vai morar. Falei sobre isso nesse texto sobre Arquitetura e o Usuário.

"O desafio não está só em adaptar indicadores e métricas existentes, mas inventar novos"

Daniel Hoornweg já defendia na Rio+20 a adoção de novas métricas para se pensar as cidades como organismos vivos. Lá ele disse que “é a métrica que mostra quanto material urbano entra e sai de uma cidade em determinado período de tempo. Quanto se produz de lixo, quanto se consome de água, de energia e outros dados. É como medir o colesterol de um ser humano. São informações muito importantes, em especial para o setor de construção”.

O importante é que essas novas métricas não sejam apenas pontuais, que corram o risco de estagnarem e se tornarem novas/velhas métricas que sejam apenas indicadoras de performance e não impulsionadoras de felicidade, de vida e de inovação constantes. Cidades são organismos vivos, pessoas são mutantes. Tudo o que para no tempo vira peça de museu, bonita para ser exposta algumas vezes, para aprendermos com elas, mas o que o nosso dia a dia precisa são de atos concretos e eficientes.


Leia mais em Cidades feitas para as pessoas e Escala urbana - uma cidade para pessoas


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