Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Projetando para a criança - Montessori

Criar espaços que estimulem as crianças de modo que possam aprender com os seus sentidos e experiências. Esse o desafio de quem vai projetar espaços usando como base o método Montessori. Já falei sobre isso AQUI. Segundo ele, nascemos preparados para nos adaptar ao nosso meio ambiente e a maneira como nosso cérebro irá aprender a fazer isso é criada durante a primeira infância. Por isso o cuidado em oferecer às crianças condições para que possam experenciar o mundo por si mesmas, embora com a supervisão de adultos, que são facilitadores nessa descoberta.
Kindergarten Fuji, Tachikawa, Tokyo - Japão
Em um dos textos que li para escrever esse post me deparei com essa frase de Alvin Toffler:
"Os analfabetos do século 21 não serão aqueles que não sabem ler e escrever, mas aqueles que não conseguem aprender, desaprender e reaprender."
E é exatamente essa capacidade de adaptação e re-adaptação que deve ser estimulada em um ambiente de aprendizado. Essa a grande contribuição, segundo li, que o método Montessori pode dar: a formação de pessoas com pensamento crítico, capacidade de colaboração e comunicação.
E então, como deve ser uma ambiente que proporcione isso? Há alguns sites onde podemos ver dicas para quartos e escolas, mas poucos que se aprofundem em termos de arquitetura. Encontrei apenas um que fala a respeito de quais fatores ambientais são importantes para o projeto e construção de um espaço adequado à esse tipo de interação e aprendizado com o mundo real. Vou resumir alguma coisa aqui, quem quiser pesquisar mais a fundo pode ler o artigo (em inglês) AQUI  
Espaços - pontos a considerar
  1.  Estímulos visual, tátil e cinestésicos devem ser estimulados através da definição de altura, limites, alturas e inclinações diferenciadas de espaços.
  2. Respeito pela escala da criança em elementos como esquadrias, móveis, estímulos.
  3. Proporcionar que a própria estrutura do prédio seja uma ferramenta de aprendizado.
  4. Oferecer contato criativo e rico com pessoas, animais, vegetação, água, ar e até mesmo a sujeira. Todos esses estímulos influenciam no aprendizado com o meio ambiente e a natureza. 

Kindergarten Fuji, Tachikawa, Tokyo - Japão

Kindergarten Fuji, Tachikawa, Tokyo - Japão

Alguns critérios de Projeto para escolas Montessori:
  1. A entrada deve ser convidativa, estabelecer uma ligação visual. Ganchos para pendurar roupas, mochilas, espelho de corpo inteiro.
  2. Evidenciar a claridade, seja pela luz natural, seja por materiais claros.
  3. Tratamento das paredes deve respeitar a escala dos pequenos.
  4. Mobiliário feito para o tamanho das crianças, com cantos arredondados
Kindergarten Fuji, Tachikawa, Tokyo - Japão
  1. O acesso direto ao ambiente das salas de aula ao ar livre é desejável.Áreas de lazer ao ar livre devem ser consideradas como áreas de aprendizagem ao ar livre
  2. Materiais utilizados devem obedecer a critérios de sustentabilidade.
  3. Separação de espaços abertos de acordo com a faixa etária são desejáveis em áreas de jogos.
E por aí vão uma série de recomendações de acessibilidade, ergonomia, usabilidade, etc. Eu tenho para mim que mais que receitas de bolo em espaços e esquemas de faça isso ou faça aquilo, o que um espaço Montessoriano precisa é de criatividade e foco nas necessidades de cada criança. Seguir regras, mesmo as bem intencionadas, pode ser tão repressor, quanto impor projetos mais comuns.
Liberdade. Espaços que se permeiem com a natureza. Uso correto e amplo da luz, do sol, das sombras. Uso de materiais locais, vegetação local, dar as condições para que a criança ( e a criança que mora em nós adultos também) se aproprie do espaço de forma instintiva, aguçar a intuição e a experiência de se apoderar do ambiente.

Kindergarten Fuji, Tachikawa, Tokyo - Japão
E dos exemplos de escolas Montessorianas que vi, separei dois exemplos. Um interno no primeiro vídeo e o outro um jardim de infância japonês, o Kindergarten Fuji, em Tachikawa, Tokyo. Esse volume oval, com crianças brincando no terraço me encantaram. O círculo representa a fórmula geométrica perfeita para construção. As árvores existentes foram aproveitadas no projeto que respeita em tudo a escala infantil. O edifício é como uma imensa praça, cujo jardim é visualizado de todos os pontos. Não há exclusão da natureza, ao contrário. E o conceito é exatamente o de criar sem excluir, com alegria das risadas e da convivência que nossos tempos modernos acabaram roubando de nossas crianças.  Projeto de Takaharu + Yui Tezuka
PS: Esse post foi resultado de uma sugestão da Samantha do blog A Vida como a Vida quer a quem agradeço a oportunidade de conhecer mais sobre esse assunto tão interessante. O mote seriam casas, mas achei bem mais matéria (e mais consistentes) sobre as escolas. Mas estudando como são projetadas, já consigo imaginar uma casa montessoriana...  
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