Comunicação pública, acessibilidade e cidadania: quando as escolhas falam mais alto

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Vivemos tempos curiosos. Nunca produzimos tanta informação e, ainda assim, milhões de pessoas seguem excluídas de decisões que afetam diretamente suas vidas. Muitas vezes a barreira não está na falta de acesso à internet ou aos meios de comunicação. Ela se encontra muitas vezes na linguagem, na complexidade desnecessária, na distância criada entre quem comunica e quem precisa compreender. Foi com essa reflexão que participei, como assessora de acessibilidade, do 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública, realizado em Porto Alegre. Promovido pela Dominus Consultoria e Capacitação em parceria com a Estratégia de Comunicação & Copy Sawitzki Inovação e Experiência Humana, o evento reuniu profissionais, gestores públicos, pesquisadores e especialistas para discutir temas que hoje ocupam lugar central na vida democrática. Ao longo do dia, palestrantes como Sandra Bitencourt, Maria José Finatto, Rodrigo Abella, Soraia Hanna, Daniela Machado, Leandro Rolim e Gustavo Ferenci compartilhar...

Estádios são mais que construções, são templos

Fotos projeto e construção da Arena Grêmio (fotos de Elenara Stein Leitão)

Me lembro até hoje a primeira vez em que assisti uma partida de futebol em um estádio. Foi no Olimpico Monumental, o estádio que se despediu de sua torcida em 2012. Gente, eu sou gremista, antes de ser arquiteta já era. Herdei essa paixão de meu pai que foi conselheiro e torcedor apaixonado pelo seu time. Foi com ele que fui ao campo. Tenho até hoje nos meus olhos a imagem daquele espaço lotado de gente. Fiquei tão fascinada por aquilo que me esqueci de ver o jogo. Quando saiu um gol, fiquei esperando pelo Replay (rssss...coisas de mulher dirão alguns, coisa de arquiteta digo eu). As imagens mais impactantes para mim nesses espaços são a massa. Um estádio cheio explodindo em gol. O silêncio de uma derrota...Consegue ver isso quem é torcedor, quem sente a emoção de um jogo. E duvido que alguém fique indiferente a milhares de pessoas vibrando, xingando, gritando.

Hoje escrevo enquanto ouço e vejo as imagens do dia de inauguração da Arena Grêmio, o novo estádio do Grêmio. Projeto do escritório Plarq Arquitetura. 

Passamos da época dos estádios para as arenas. Embora sejam templos para o torcedor, esses espaços tem que ser rentáveis e são, por isso mesmo, multiuso.  Espaços para eventos, shoppings, espaços de residência, tudo isso faz parte do projeto.

 
Mas o que faz com que se ergam esses mega empreendimentos? A Copa de 2014? Pode ser, mas essa moderna Arena nem vai ser estádio oficial do evento. O mega rival Internacional está reformando o seu Beira Rio e deve contar com um moderno complexo daqui um tempo. Creio que aqui em Porto Alegre a resposta esteja na paixão, naquilo que descrevi lá acima, na massa que entra dentro desse espaço e lhe dá vida. 

Mais que o comércio que rege o futebol e que sabemos, é furioso. Mais que o pragmatismo de jogadores e técnicos. Mais que a grandiosidade da construção, dos números em concreto, vidro, ferro e trabalho humano. Muito mais que isso, é quando as pessoas entram ali dentro e soltam seu grito de incentivo, vestem suas camisetas e se transformam em iguais na mesma torcida é que essas construções encontram sua vocação: a de serem templos de paixão.

E por isso achei linda essa propaganda da Coca (que é patrocinadora do Grêmio). Ela mostra porque houve uma comoção na torcida gremista com a despedida do Olimpico e com a inauguração da nova Arena. E reparem que o logotipo da marca está em preto. Não haveria espaço para colocar vermelho ali....rivalidade é rivalidade. E quem gosta de futebol vai entender isso. 

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