Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

Arquitetura dos imigrantes


Sempre fico imaginando como deve ter sido a vida do imigrante europeu, que saiu de sua terra no século retrasado e veio parar aqui nas terras brasileiras, mais especificamente aqui no Rio Grande do Sul. Falo do Europeu porque foram meus avós e sempre é mais fácil falar do que se conhece, nem que seja por ouvir falar.

Hoje, com a nossa facilidade de ir e vir, e principalmente estar em contato, nem conseguimos conceber como era a vida deles. Aqui chegaram, com a sua cultura e tiveram que se adaptar ao meio. Um resgate que fizeram foi usar a técnica conhecida como enxaimel para fazer suas casas. Quem viaja para cidades de turismo como Gramado(RS) ou Campos do Jordão(SP) já viu algumas construções com esse estilo. A grande maioria fake, ou seja, não é estrutura como eram as antigas casas dos imigrantes. Esses utilizaram aqui essa maneira de construir porque era mais fácil e barata para eles. Em geral usavam toras de madeira como arcabouço e o fechamento em barro, tijolo ou até mesmo pedra.

O enxaimel não era uma técnica construtiva alemã, sua origem nem é bem conhecida, mas foi muito usada em várias regiões europeias de acordo com a necessidade. E aqui no Rio Grande do Sul marcou algumas aldeias que abrigaram imigrantes germânicos. 

As construções dos imigrantes em geral são uma arquitetura sem arquitetos, em que os próprios moradores erguiam suas casas, suas escolas que ficavam por perto e faziam seus móveis em madeira. Mesmo depois de urbanizados, muitos imigrantes e seus descendentes importavam plantas arquitetônicas de seus países. Me lembro de uma casa que reformei que tinha usado uma dessas plantas no inicio do século XX e reproduziu tão literalmente que nem foi adaptada para a nossa orientação solar !

Eu fiquei pensando muito sobre isso ao visitar o Parque do Aldeia do Imigrante 
na cidade de Nova Petrópolis na Serra Gaúcha; vendo sua aldeia que
trouxe antigas casas, igreja e lápides e as reconstruiu para mostrar 
como era a vida dessas pessoas. Passeamos por caminhos floridos 
como os que guardo na memória das cidades de origem alemã onde cresci. 
E a própria placa da escola nos dá uma dimensão do que deviam ser aqueles tempos: Linha Temerária...

Fotos : Elenara Stein Leitão - Local Parque da Aldeia do Imigrante em 
Nova Petrópolis - Serra Gaúcha 

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