Pular para o conteúdo principal

Arquitetura dos imigrantes


Sempre fico imaginando como deve ter sido a vida do imigrante europeu, que saiu de sua terra no século retrasado e veio parar aqui nas terras brasileiras, mais especificamente aqui no Rio Grande do Sul. Falo do Europeu porque foram meus avós e sempre é mais fácil falar do que se conhece, nem que seja por ouvir falar.

Hoje, com a nossa facilidade de ir e vir, e principalmente estar em contato, nem conseguimos conceber como era a vida deles. Aqui chegaram, com a sua cultura e tiveram que se adaptar ao meio. Um resgate que fizeram foi usar a técnica conhecida como enxaimel para fazer suas casas. Quem viaja para cidades de turismo como Gramado(RS) ou Campos do Jordão(SP) já viu algumas construções com esse estilo. A grande maioria fake, ou seja, não é estrutura como eram as antigas casas dos imigrantes. Esses utilizaram aqui essa maneira de construir porque era mais fácil e barata para eles. Em geral usavam toras de madeira como arcabouço e o fechamento em barro, tijolo ou até mesmo pedra.

O enxaimel não era uma técnica construtiva alemã, sua origem nem é bem conhecida, mas foi muito usada em várias regiões europeias de acordo com a necessidade. E aqui no Rio Grande do Sul marcou algumas aldeias que abrigaram imigrantes germânicos. 

As construções dos imigrantes em geral são uma arquitetura sem arquitetos, em que os próprios moradores erguiam suas casas, suas escolas que ficavam por perto e faziam seus móveis em madeira. Mesmo depois de urbanizados, muitos imigrantes e seus descendentes importavam plantas arquitetônicas de seus países. Me lembro de uma casa que reformei que tinha usado uma dessas plantas no inicio do século XX e reproduziu tão literalmente que nem foi adaptada para a nossa orientação solar !

Eu fiquei pensando muito sobre isso ao visitar o Parque do Aldeia do Imigrante 
na cidade de Nova Petrópolis na Serra Gaúcha; vendo sua aldeia que
trouxe antigas casas, igreja e lápides e as reconstruiu para mostrar 
como era a vida dessas pessoas. Passeamos por caminhos floridos 
como os que guardo na memória das cidades de origem alemã onde cresci. 
E a própria placa da escola nos dá uma dimensão do que deviam ser aqueles tempos: Linha Temerária...

Fotos : Elenara Stein Leitão - Local Parque da Aldeia do Imigrante em 
Nova Petrópolis - Serra Gaúcha 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Slim Fit, uma micro casa que tem muito espaço

  Uma micro casa vertical de 50m², vencedora do Design Awards 2018 na cateHabitat, chamada de SLIM FIT House pela arquiteta portuguesa radicada na Holanda, Ana Rocha , é uma proposta de moradia permanente para pessoas que moram sós nas grandes cidades. Segundo o site da arquiteta, a micro-residência, que ocupa menos que duas vagas de estacionamento, tem como conceito ser projetada " para o grupo crescente de solteiros que preferem a localização ao invés do tamanho, e que desejam viver de forma compacta, mas confortável, durável, cheia de identidade e, acima de tudo, centralmente em contextos urbanos." A casa vertical joga bem com a equação sensação de espaço e economia de metragem. Setoriza área de alimentação, refeições e despensa no térreo. Uma escada, sutilmente mesclada a um armário estante faz a ligação aos outros andares. No segundo, um estar e dormitório e banheiro no terceiro.     Fotos: Christiane Wirth Nos siga também nas redes sociais Twitter   Flipboard   Faceboo

Redes sociais, o aprendizado e as interações perdidas e achadas

Sim que a vida digital trouxe uma série de vantagens em nossas vidas. Posso ser jurássica e em muitos casos, ainda analógica, mas amo uma interação social e profissional virtual. Um dos grandes locais onde conheci vários amigos super queridos, profissionais, que tanto me acrescentaram, foi o grupo de Arquitetura do Yahoo. Lembro até hoje quando li em uma revista de arquitetura sobre ele, me inscrevi e lá estava eu no meio de debates de todas as matizes e locais. Por isso senti profundamente quando os grupos daquela plataforma foram extintos.  Leia também  Nuvem passageira Por sorte, também sou acumuladora em redes virtuais . Meu espaço de email guarda uma série de debates desde 2005. Às vezes volto a eles e constato o quanto tem de assuntos relevantes, inclusive para os dias atuais. Fazendo uma breve reflexão tendo a pensar que, nesses 15 anos de interação virtual e convivência em redes, perdemos muito em profundidade de debates, embora tenhamos crescido em possibilidades. Lógico que f

Transformando um problema em solução - impressão 3D

Uma cabana feita com impressão 3D usando concreto e uma madeira que era imprestável, porque destruída por um inseto invasor, é o projeto realizado pelos professores de arquitetura, Leslie Lok e Sasa Zivkovic, da Cornell University. O Emerald Ash Borer é um besouro que ataca bilhões de freixos em todos os Estados Unidos e as inutiliza para o uso comercial. fazendo com que as árvores infestadas sejam queimadas ou simplesmente largadas como refugo. Foi pensando neste problema que os pesquisadores da HANNAH chegaram a essa solução de aproveitamento da madeira para construção. Para tanto construíram uma plataforma robótica para processar essa madeira que seria descartada. Como isso foi feito? Usando um braço robótico que antes construía carros e foi adaptado para dar forma à madeira, aliado a um sistema de impressão 3D que usa uma quantidade mínima necessária de concreto. O resultado? Fotos: HANNAH / Andy Chen / Reuben Chen Nos siga também nas redes sociais Twitter   Flipboard   Facebook  

Dicas para economizar na conta da luz

  Não bastasse os sustos do ano, os gastos do fim dele (ufa!) que não são apenas presentes, mas impostos, 13°, etc, etc, vamos ter também bandeira vermelha nas contas de luz. A Agência Nacional de Energia Elétrica já tomou essa decisão, que começa a vigorar no começo de dezembro.  O verão se aproxima com promessas de muito calor, estamos usando muitos aparelhos em casa para manter nossa rotina e trabalho seguindo. Então o que podemos fazer para economizar e não levar (tanto) susto na hora de pagar a conta?    Consciência Em primeiro lugar: consciência. Parece básico, mas não é. Sabe aquele ato automático de abrir a geladeira e ficar pensando no que vai comer? Ou beber? Não faça. Deixar acesas luzes em ambientes onde ninguém está. Apague. Lembro sempre do meu pai que nos incutiu essa cultura do não desperdício desde pequenos. Assimile e passe adiante. Splits e ar condicionado Este será um verão atípico porque muitas vezes teremos que abrir mão de ventilação mecânica em função da pandemi