Blog da Arquiteta Elenara Stein Leitão que, desde 2004, fala sobre arquitetura, urbanismo, interiores e design abordando assuntos ligados à sustentabilidade e uma concepção de espaços que conciliem bom gosto, funcionalidade e aconchego com um toque humano.
Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão. Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...
Cardápio
Entrada : Terrine de salmão com pãozinho (foto)
Prato principal: Almôndega ao molho Aurore com conchiglie e ervilhas
Sobremesa: Soufflé glacé aux fraises (melhor parte, dos deuses).
Vi a versão do Fantasma da Ópera de 2004 no cinema. Mas existem versões no cinema desde 1925. O Gaston Leroux, em cujo livro é baseada a história, era um jornalista e, na verdade, a história de amor é bem menor no seu livro do que foi mostrado no cinema e teatro. O Erik (nome do Fantasma) era bem mais feio que o Gerald Butler e bem menos charmoso. Ao contrário, a história tem muito de terror e a trama policial é bem marcante no livro. E um dos personagens centrais é sem dúvida o teatro. A Ópera de Paris. Como é construido sobre um pântano, o autor lançou a ideia de um rio subterrâneo e um mundo construído pelo Erik, que era até arquiteto,além de brilhante músico. Mas acho que a história nos bate mesmo pela intensa paixão desse personagem. Mas para mim uma paixão de certa forma egoista,mais pela criatura que formara para a música que pela mulher Christine...O que acham vocês ?
Mas um dos maiores personagens é mesmo o impressionante Palais Garnier, a Opera de Paris. Achei uma descrição bem interessante sobre ele feita pelo Jorge, aqui nesse site e que vou reproduzir abaixo:
AÓpera de Paris é um desses prédios capazes de revolucionar a história da arquitetura. Esse edifício é parte do plano de renovação de Paris empreendido durante o governo do Imperador Napoleão III pelo prefeito Barão Haussmann, e que deu à Cidade-Luz as feições pelas quais a conhecemos hoje: seus amplos bulevares arborizados, praças, parques, monumentos e prédios de poucos andares. Em 1860 foi aberto um concurso internacional para o projeto do prédio da Academia Imperial de Música, e para surpresa geral, o vencedor foi um jovem arquiteto praticamente desconhecido, embora já tivesse sido agraciado com o mais prestigioso prêmio artístico da França – o Prix de Rome. Seu nome: Charles Garnier.
As obras tiveram início ainda em 1861, porém sofreram uma série de percalços que a fizeram se arrastar muito além do cronograma inicial: em 1870, a Guerra Franco-Prussiana e a queda do Imperador Napoleão III, em 1871 a terrível Comuna de Paris, que resultou em dezenas de milhares de mortes e na destruição de parte da cidade. Depois de inúmeras interrupções e de o orçamento original ter sido estourado em muito, a Ópera foi finalmente inaugurada em 1875 e causou de imediato um impacto profundo no mundo da arquitetura.
De fato, o edifício é impressionante, de dimensões gigantescas; os mais nobres materiais, como mármores de diversas partes do mundo, mosaicos, lustres gigantescos de cristal. As mais modernas tecnologias da época foram adotadas, inclusive o uso de concreto nas fundações – era uma das primeiras ocasiões em que se usava em grande escala esse material desde que havia sido redescoberto pouco tempo antes (sua técnica havia sido perdida desde o tempo dos romanos).
A quantidade de salões, escadarias e galerias é tão grande que no final sobra pouco espaço para a platéia; a Ópera de Paris possui 2.200 lugares, enquanto que o Teatro Municipal de São Paulo, muito menor, possui 1673. A fim de criar uma perspectiva que favorecesse visualmente o edifício, foi criada uma nova avenida, que não estava prevista nos projetos originais de Haussmann – a Avenida da Ópera. É uma das poucas avenidas de Paris sem fileiras de árvores plantadas nas calçadas, a fim de que não prejudicar a visualização da Ópera. Em 1900, outro cuidado foi tomado durante a construção do metrô, com a instalação de balaustradas de mármore ao invés das entradas de ferro no estilo art nouveau das demais estações, que poderiam estabelecer um conflito visual com o estilo da Ópera. Infelizmente, não se teve a mesma preocupação nos anos 60 quando o teto da platéia recebeu uma horrenda pintura moderna de Marc Chagall, numa verdadeira agressão visual ao velho edifício.
A Ópera de Paris, com sua incrível profusão de esculturas e ornamentos na fachada, marca uma guinada na história da arquitetura, onde a sobriedade e austeridade do neoclassicismo até então dominantes passam a ser preteridos em favor da chamada arquitetura “eclética. Trata-se de uma arquitetura “barroca”, no sentido da exuberância e não apenas do estilo (embora o estilo barroco tenha influenciado fortemente o projeto de Garnier).
Até a metade do séc. XX, a cultura francesa era a mais admirada e imitada no mundo inteiro. Porém, havia um país em particular onde a admiração pela França chegava ao nível da veneração; e esse país era o Brasil. Tanto é que, nas duas maiores cidades os teatros principais foram inspirados, ou melhor, são quase réplicas da Ópera de Paris: são os Teatros Municipais do Rio de Janeiro e São Paulo.
Realmente nota-se pelas fotos e corte que é um edifício impressionante. Especialmente no corte se nota a envergadura da área acima do palco e o subterrâneo sob o palco. Pode-se imaginar que um artista como o Erik descrito no livro pudesse ter realmente criado um mundo encantado nesse cenário.
Essa casa super simpática me lembrou de imediato duas referências: Uma, os edificios em Atenas que ficavam perto do meu hotel. Todos tinham imensas floreiras que fazia com que ficassem tão simpáticos! Mas olhando com mais foco, me veio a segunda referência. Na verdade as fachadas da frente e fundos são como segundas peles, floreiras que criam um micro clima super agradável no interior do prédio. Justo como a casa do colega Oscar Muller. Eu juro que tenho fotos no computador, mas não consegui acha-las para colocar aqui. A dele é uma casa de vila e, na parte dos fundos, tem uma cortina de metal onde as plantas, em geral trepadeiras, se mesclam e criam um efeito super interessante. Não achei mais referências sobre esse projeto no site e não sei o autor do projeto e nem como é feita a manutenção das floreiras. Em algumas se tem alcance por dentro da casa, em outras me pareceu um pouco complicado, mas o conceito é super bom. PS: O Elcio no comentário abaixo deixou o link com ...
DIREITO À PAISAGEM Adeli Sell “O belo é o esplendor da ordem” - Aristóteles Os campos, as montanhas, as colônias são lugares abertos, há poucos obstáculos feitos pela mão humana; logo, quando falamos de DIREITO À PAISAGEM, estamos falando de cidades, de espaços construídos, obstruídos, que mudaram a paisagem original. Por isso temos que falar do DIREITO À CIDADE. É uma relação sujeito-objeto. O mundo e os seres humanos se afetam mutuamente. DIREITO Á CIDADE O Direito à Cidade é um direito difuso e coletivo, de natureza indivisível, de que são titulares os habitantes da cidade, as gerações presentes e futuras. É o direito de habitar, de usar, de participar da produção de cidades justas, inclusivas, democráticas e sustentáveis. Alguns falam de cidades inteligentes, pois estas teriam o condão de serem efetivamente mais justas. É na Lei n° 10.257, de 10 de julho de 2001 que temos a Regulamentação dos artigos 182 e 183 da Constituição Federal, estabelecendo diretrizes gerais da po...
Como é o processo projetual de um/a Arquiteto/a? Difícil de mensurar. Me lembro quando estava no mestrado, tinha gente pesquisando os tais processos de qualidade. Para mim, mensurar quantitativamente o processo de projetar, na época, me parecia surreal. Já escrevi aqui um chamado sobre "Como você projeta? " onde expliquei mais ou menos como funciona o meu processo. E agora achei um guia rápido falando sobre isso nesse site , descrevendo exatamente o Processo de Projetar. Vale a visita para visualizar a quantidade de material gerado por um projeto. Vamos passear por ele? Passo 1: Entrevista e discussões iniciais Esse passo é fundamental. Na minha experiência profissional já posso até dizer quando um projeto vai dar certo ou não. É preciso empatia com o proprietário. Não, não se precisa pensar igual, nem quer dizer que vamos ficar amigões, mas é preciso uma cumplicidade e empatia para atingir um objetivo comum. E, fundamental, é a eta...
Arquitetura....sonho dourado de muitos jovens que sonham com um futuro glamouroso e cheio de notas na conta bancária. Mas será realmente assim? Veja algumas razões de porque NÃO fazer arquitetura. 1- Principal motivo: DINHEIRO. Para os que visam a recompensa financeira em primeiro lugar: Arquitetura não é uma mina de ouro. Esqueça os figurões que vê na mídia com escritórios em Miami e Paris. Eles são a minoria da minoria. A grande maioria dos colegas arquitetos está ralando em seus escritórios ou em escritórios alheios. E ainda faz bico no fim de semana. 2- Recompensa intelectual : Tudo bem, não vou ganhar rios de dinheiro, mas vou ser reconhecido como uma pessoa criativa e maravilhosa que vive para ajudar os outros. Sim! Ajudar os amigos, parentes e conhecidos dando palpites de como eles podem arrumar suas casas e espaços. Palpite não é projeto , lembre. Sem contar que fica horas pesquisando para achar soluções interessantes e vem alguém e copia. E leva as glórias. 3- Saúde ...
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