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EDIFICAÇÕES - Arquitetura sustentável

Artigo que recebi do arquiteto uruguaio Roberto Steneri e que estou compartilhando com vocês.
Em abril
de 2010 ele estará ministrando um workshop de Arquitetura Sustentável na Unisinos. RS.
Maiores detalhes em Workshop arquitetura sustentável


Boa tarde! Sou o arq. Roberto, vamos falar hoje de Arquitetura Sustentável. Mas porque falar de arquitetura sustentável? Não é uma moda ou um novo estilo arquitetônico. Segundo o arq. Norman Foster a indústria da construção consome o 50% dos recursos mundiais, quer dizer que os prédios usam na sua construção, uso e manutenção a metade da energia gerada na terra. Ë muito isso... Além disso são responsáveis pela metade do gás carbônico CO2 produzido. O uso de combustíveis fósseis: carvão, gás e petróleo para calefação, iluminação e ventilação dos prédios é responsável do 50% do aquecimento global, a outra causa é o transporte com um 25%. Estas cifras referem-se às edificações convencionais as quais são a maior parte das que se constroen hoje. Mas temos as edificações sustentáveis, estas fazem parte do Desenvolvimento Sustentável.

Mas o que é o Desenvolvimento Sustentável? É o desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer o atendimento das necessidades das gerações futuras. Conforme o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, edificação sustentável é aquela que quantifica os impactos que causa ao meio ambiente e à saúde humana, empregando todas às tecnologias disponíveis para mitiga-los. “É um edifício que consome menos energia, água e outros recursos naturais, considera o Ciclo de Vida dos materiais e o da edificação desde seu projeto, passando pela sua construção e manutenção, até o esgotamento da sua destinação original.”  Até agora a construção duma edificação era um fato isolado no sentido que era o ato de construir; já com o Ciclo de Vida é um processo. Mas porque é importante o Ciclo de Vida? Já falamos do grande consumo de recursos da indústria da construção, então falando duma vida útil de pelo menos 50 anos as decisões do arquiteto vão influenciar por muito tempo o Meio Ambiente Construído. Hoje nos países de ponta na área da sustentabilidade como no Reino Unido por ex. fala-se assim de Meio Ambiente Construído e não só de arquitetura. Podemos definir então o Ciclo de Vida como: o fluxo de materiais, energia e resíduos que gera um prédio durante toda sua vida útil, de maneira que o impacto ambiental pode-se conhecer por adiantado Por ex. a vida útil meia dos acabamentos de boa qualidade é 10 anos, a das instalações é 20 anos e assim por diante.

Vamos ver quais são os custos dum edifício em toda sua vida útil de 50 anos, este é o 100%. Estas cifras são do Eng. Ceotto e referem-se à prédios de escritórios, mas poderiam-se generalizar para outros tipologias. O item projeto representa o 1%, a construção o 14%, uso e operação 80%, finalmente 5% para adaptação para reúso. O interessante e dramático do caso é que a porcentagem de uso e operação é quase 6 vezes o da construção, normalmente se tenta influenciar só neste 14% da construção esquecendo o  80% de uso e operação. Pois bem este 80% corresponde aos custos da água, energia, esgoto e manutenção que são os necessários para que o prédio esteja funcionando. Então o impacto desse edifício no meio ambiente é diretamente proporcional a esses custos, para minimizar o impacto devemos baixar o máximo possível esses custos, vamos ver quais são as nossas chances de intervenção como arquitetos. Na etapa do projeto às possibilidades são de 80%, na etapa de construção são 15%, e na de uso e operação são de só 5%. Mas a boa notícia é que na etapa de projeto nossas possibilidades de intervenção são de 80%, e representa o menor custo na vida útil do prédio: só 1%.

O estudo do Ciclo de Vida tem ainda outra vantagem: introduz pontes entre o projeto, a fabricação, a construção e a manutenção. Num começo este análise foi referido apenas aos materiais e sua influencia na sustentabilidade do prédio e do meio ambiente construído. Mas como a construção é um processo complexo onde intervêm materiais combinados formando produtos, surgiram métodos de avaliação da sustentabilidade como o Eco-Quantum da Holanda onde se estuda o Ciclo de Vida dos elementos da construção como janelas por ex. com seus componentes: vidro, caixilhos, vedações, etc  Hoje no mundo existem diversos sistemas da avaliação da sustentabilidade, uns focados no projeto e outros mais abrangentes focados ainda na operação dos prédios.  E também há protocolos destes dirigidos especificamente aos programas arquitetônicos particulares: residenciais, escritórios, escolares,etc  Ainda temos que cada método tem seu uso específico, suas vantagens e desvantagens. Outro aspecto a salientar nas edificações sustentáveis é o do fim da vida útil dos prédios, o qual até agora não era levado em conta, tal como qualquer fabricante que tenha uma ética de sustentabilidade ao fabricar um produto tem que pensar na disposição final quando esteja fora de uso, por ex. a disposição final das pilhas, etc Nós podemos fazer 3 coisas ao fim da sua vida útil:

1- reutilizar às partes numa nova construção por ex.usando madeiras e perfis metálicos de demolição.
2- reciclagem dos materiais usando por ex. concreto quebrado como árido para um novo concreto.
3- demolir a edificação e verter os resíduos num aterro. 

Sempre é bem melhor reutilizar que reciclar pois esta reciclagem consome energia; também é melhor reciclar que colocar num aterro.

Finalmente para atingir o Desenvolviemento Sustentável é fundamental o papel das edificações mas também o das cidades, pois quase o 80% da nossa vida passa no interior dos prédios e a maior parte do tempo restante com o deslocamento no transporte. Mas também porque a produção do gás carbônico CO2 é um fenômeno essencialmente urbano. Pela vez primeira na historia da humanidade no ano 2000 duma população mundial de 6.200 milhões de habitantes, a população urbana é maior que a rural. Então o deslocamento das pessoas do campo às cidades exerce pressão sobre os terrenos edificáveis, a água e a energia disponíveis, e sobre à capacidade de tratamento do esgoto e os resíduos.

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