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Sustentabilidade na Construcão - Encontro CTE

Recebi no boletim da ANTAC e achei interessante compartilhar os pontos relevantes que foram debatidos no Encontro Internacional de Sustentabilidade na Construção, realizado pelo CTE em São Paulo, em junho de 2008. As palestras realizadas no Encontro podem ser vistas no site do CTE no link: http://www.cte.com.br/eventos/eventos2008/sustentabilidade/palestras.asp
  • O movimento da sustentabilidade se espraia por vários segmentos industriais e por vários países. No setor da construção temos duas importantes entidades atuando internacionalmente: (1) o World Green Building Council (www.worldgbc.org) que tem origem no modelo americano e promove a difusão dos conceitos de sustentabilidade no mundo, contribuindo com a criação de conselhos de construção sustentável em diferentes países; (2) a Sustainable Building Alliance, originada no modelo francês e que está criando uma rede de entidades visando adoção de critérios para certificação de empreendimentos.
  • A sustentabilidade de empreendimentos tem sua origem no projeto. Em países desenvolvidos vem se adotando o conceito e a prática do Sustainable Design, em que a concepção do produto já incorpora as diretrizes e as tecnologias sustentáveis – eficiência energética, economia de água, materiais reciclados, etc. - como premissas de projeto, sendo posteriormente desdobradas para a especificação dos materiais e para a execução da obra e a operação do empreendimento. No Brasil esta prática é ainda embrionária.
  • O maior impacto dos custos das edificações, se situa na fase de uso e operação dos empreendimentos, considerando uma vida útil de 50 anos. Para edifícios comerciais, em média, 80% dos custos acontecem nesta fase, enquanto 20% acontecem na fase de concepção, projeto e obra. Considerando que os principais recursos consumidos na fase de uso e operação são a água e a energia, é fundamental a adoção de diretrizes de sustentabilidade na etapa de projeto e construção, visando o futuro desempenho ambiental do empreendimento.
  • Os custos de uma construção sustentável são obviamente maiores que de uma construção convencional. Este incremento pode estar em uma faixa de 1% a 6% dependendo da sofisticação do empreendimento, seu tamanho e sua tipologia. Os benefícios gerados por este investimento acontecem ao longo da fase de uso e operação, pois o empreendimento sustentável tem seus custos de condomínio significativamente menores, devido principalmente à economia de água e energia.
  • Hoje dispomos no Brasil de um conjunto de tecnologias sustentáveis para a construção. Temos capacitação para desenvolvimentos de projetos com alta eficiência energética, adotando modelos matemáticos e softwares que simulam o desempenho da edificação e permitem a tomada de decisões sustentáveis. No campo da economia de água temos também no mercado uma série de componentes de baixo consumo, sistemas de captação, tratamento e reuso de água, medição individualizada, irrigação e metodologias de projeto que permitem o uso racional da água.
  • Os processos de fabricação de materiais, execução de obras e uso e operação de empreendimentos geram emissões significativas de carbono e contribuem com o aquecimento global do planeta. As fases que mais geram emissões são a de fabricação dos materiais – extração de matéria prima, fabricação, embalagem, transporte e aplicação – e a de uso e operação do empreendimento ao longo de sua vida útil. A execução da obra propriamente dita tem baixíssima contribuição no total nas emissões de carbono, considerando todo o ciclo de produção do empreendimento.
  • Existem atualmente no Brasil dois modelos de certificação de empreendimentos: o modelo americano que adota as normas LEED como referência e é coordenado pelo Green Building Council do Brasil e o modelo francês AQUA que adota um referencial técnico adaptado ao Brasil e é coordenado pela Fundação Vanzolini da USP. No campo dos materiais e produtos, temos o Selo Ecológico do Instituto Falcão Bauer que avalia a sustentabilidade a partir da Análise do Ciclo de Vida do produto e das boas práticas ambientais e sociais da empresa fabricante.
  • A certificação é apenas uma ferramenta de avaliação de empreendimentos e produtos. A prática efetiva da sustentabilidade na construção tem uma dimensão bastante mais ampla que a certificação. Envolve atitude e postura empresarial para desenvolvimento de empreendimentos, projetos, fabricação de materiais, execução de obras e uso e consumo consciente. Para fortalecer o movimento da construção sustentável faz-se também necessária a participação do Estado na formulação de políticas públicas e das escolas e universidades na adoção dos conceitos de sustentabilidade na formação de arquitetos, engenheiros e demais profissões que atuam no mercado da construção. No Brasil a dimensão social da sustentabilidade assume papel altamente relevante, em especial no setor da construção, onde a remuneração e a qualificação profissional são deficientes e onde há a prática intensa da informalidade.
  • A sustentabilidade tem também uma dimensão corporativa e seus princípios podem ser adotados como valores das organizações. Ela pode ser incorporada pelas empresas como uma estratégia de gestão dos negócios equilibrando os aspectos econômicos, ambientais e sociais. Além dos aspectos ambientais a sustentabilidade deve incorporar a prática da responsabilidade social empresarial focada na melhoria da qualidade de vida e na valorização dos colaboradores da empresa e na interação da empresa com a sociedade e com seus stakeholders – partes interessadas no negócio.
  • Os princípios da sustentabilidade podem ser também aplicados na gestão da cadeia de fornecedores das empresas. Ressalta-se neste sentido a atuação do Programa Tear do Instituo Ethos que vem conduzindo importante trabalho nas cadeias produtivas de empresas líderes, provendo as empresas fornecedoras de conceitos, metodologias e indicadores para a gestão sustentável de seus negócios.
  • O movimento da construção sustentável está em franco progresso no Brasil. Evoluímos significativamente nos últimos dois anos, em especial no campo de projetos, consultoria e tecnologia, induzidos pelos processos de certificação de empreendimento. Muito há por fazer no campo habitacional, na formação profissional, no combate à informalidade, na adoção de práticas de responsabilidade social e na difusão do consumo consciente.

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