Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Achillina di Enrico Bo ( Lina Bo Bardi ) ArquitetA

“Nunca procurei a beleza, mas sim a poesia”....
Das fotos da arquiteta italiana, nascida a 5 de dezembro de 1914, a que mais gosto é esta. Olhar firme e curioso. Uma mistura de beleza e poesia, bem como a sua obra. Um quê de desafio como a sua vida foi. Sua arquitetura pode emocionar, pode causar polêmica, pode não ser agradável. Mas nunca vai ser uma coisa sem sal. Nunca vai passar em vão ou se perder na mesmice de tantos criadores que fazem o mesmo do mesmo. Não Lina. Não ela.

Para falar dela deixo as suas palavras e seus croquis. Uma arquiteta que escrevia, que falava, que desenhava. Numa área onde as mulheres arquitetas ainda lutam para fugir do papel de coadjuvantes, Lina deixa uma obra imensa. Minhas homenagens à ela.

Lina por Lina


“Quando não posso construir, desenho; quando não posso desenhar, escrevo; quando não posso escrever, falo.”

"No fundo, vejo a arquitetura como serviço coletivo e como poesia. Alguma coisa que nada tem a ver com ‘arte’; uma espécie de aliança entre ‘dovere’ [dever] e ‘prática científica’. É um caminho meio duro, mas é o caminho da arquitetura.” 

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  “A arquitetura contemporânea brasileira não provém da arquitetura dos jesuítas, mas do pau a pique do homem solitário, que trabalhosamente cortara os galhos na floresta, provém da casa do seringueiro, com seu soalho de troncos e o telhado de capim”

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O Brasil está conduzindo, hoje, a batalha da cultura. Nos próximos dez, talvez cinco anos, o país terá traçado os seus esquemas culturais, estará fixado numa linha definitiva: ser um país de cultura autônoma, construída sobre raízes próprias, ou ser um país inautêntico, com uma pseudocultura de esquemas importados e ineficientes.
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"[...] O Brasil, hoje, está dividido em dois: o dos que querem estar a par, dos que olham constantemente para fora, procurando captar as últimas novidades para jogá-las, revestidas de uma apressada camada nacional, no mercado da cultura, e o dos que olham dentro de si e à volta procurando fatigadamente, nas poucas heranças duma terra nova e apaixonadamente amada, as raízes duma cultura ainda informe para construí-la com uma seriedade que não admite sorrisos.


"Arquitetura, para mim, é ver um velhinho ou uma criança com um prato cheio de comida atravessando elegantemente o espaço de nosso restaurante à procura de um lugar para se sentar, numa mesa coletiva”

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The New World of Lina Bo Bardi from N J Vergueiro on Vimeo.

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