O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Projeto Open Source usando terra ganha concurso de arquitetura - Sankofa House

Mostrar que a arquitetura de terra pode ser bela e ressaltar a sua potencialidade é o mote do Mud Design House de 2014, um concurso internacional para recém formados e estudantes cujo desafio era: criar
 uma unidade unifamiliar de cerca de 30 x 40 pés em um terreno de 60 x 60 pés para ser construído pela máxima utilização da terra e da mão de obra local na região Ashanti de Gana.  


O custo máximo? U$ 6.000,00 fora a terra. E qual o objetivo? Mostrar que a construção com terra, material abundante na região, são viáveis tecnicamente e podem ser feitos de maneira econômica e com bons projetos. E com isso resgatar essa técnica milenar que hoje tem o estigma local de ser uma arquitetura ruim e para os mais pobres. E outro mote é que os projetos apresentados são colocados à disposição de todos (Open Source) para que possam ser usados, analisados e melhorados. 

O projeto que venceu é a
Sankofa Casa, projeto do estúdio francês Mamoth.



A concepção do projeto vencedor levou em consideração aspectos climáticos do país, ao optar pela solução de casas que possam ser ampliadas, onde dois volumes são ligados por um pátio coberto que atende ao convívio social da família.  



As paredes de adobe (ou terra) tem um isolamento do exterior por uma moldura de madeira. O telhado usa uma camada dupla de fibras naturais que tem dupla função: age como filtro e garante sombra, indispensável em um clima quente. Para conseguir captar a água da chuva, calhas metálicas são usadas entre os telhados, e levadas para um tanque no pátio, uma solução que lembra a herança cultural arquitetônica da região (Ashanti)


  
Vejam AQUI os outros vencedores. 
Leia AQUI sobre construção natural em barro

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