Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Casinhas - para brincar, sonhar e criar

Era uma casa muito engraçada....quem nunca desenhou uma quando pequeno? Das mais variadas formas. Opa! Nem tanto. Nossas casas de criança são um triângulo e um retângulo em sua maioria. Uma porta, uma chaminé...os mais estilosos já fazem uma casa com mais complementos. Há os que desenhem edifícios! Mas em geral nossas primeiras casinhas são bem parecidas com as debaixo.    
"Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela, não
Porque na casa
Não tinha chão"
Vinicius de Moraes
Talvez essa imagem da infância explique o fascínio pela figura da casa, representativa do que chamamos lar. Reuni ao acaso uma série de representações do tema, mostrando o quanto ela está presente em nosso imaginário de adultos também. Mesmo os não arquitetos, ou pelo menos os não ligados tão estreitamente ao tema, devem sentir um misto de ternura e aconchego com as representações de casinhas tão ternas e simples, aquelas que a gente guarda no coração de criança.
Desde a forma de botões em cartas já tão antigas às casinhas de bonecas, em uma forma tão mais contemporânea, imitando uma cidade em caixas de papelão, mas mantendo a mesma ideia da casinha de sempre.
Não é necessário sair de casa.
Permaneça em sua mesa e ouça.
Não apenas ouça, mas espere.
Não apenas espere, mas fique sozinho em silêncio.
Então o mundo se apresentará desmascarado.
Em êxtase, se dobrará sobre os seus pés.
As casinhas não servem apenas de brincadeira, mas como fonte de inspiração para criação de artesanato e objetos de enfeite das casas de verdade,
As possibilidades são inúmeras e os exemplos mais ainda. É deixar a imaginação fluir e resgatar as referências da infância.
Quem disse que eu me mudei?
Não importa que a tenham demolido:
A gente continua morando na velha casa em que nasceu.

Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.
E muito de nossos sonhos e concepções de casa acabam por povoar e prevalecer em nossas escolhas futuras. Não pensem que isso não faz parte de estudos de construtoras e incorporadoras porque faz sim. E são responsáveis por muitas das nossas escolhas de compras. 

Lar. Aconchego. Casa. Todas moram dentro de nós. Cabe a cada um faze-las belas. 

Fotos : Pinterest e Google

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