Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Biblioteca mineira em Bambu - um projeto de saber para o futuro

Essa biblioteca em bambu conheci por indicação de uma colega - a arquiteta Cris Haas. Além de adorar trabalhos com bambu e já ter escrito algumas postagens sobre o uso deste material (veja AQUI), o nome homenageia um grande brasileiro por quem tenho a maior admiração, Milton Santos.

Descobri que esse trabalho faz parte do Projeto Ravena 30 da BAMCRUS uma OSCIP mineira que procura gerar renda e trabalho para populações mais carentes através do conhecimento e uso do bambu como material viável para variadas aplicações. O projeto se propõem a estimular o cultivo de árvores nativas em consórcio com bambu para que num futuro próximo possa haver uma oferta dessa matéria prima no mercado mineiro, contribuindo assim com a melhoria econômica dos produtores. Pretendem também divulgar a Política Nacional de Incentivo ao Manejo Sustentado e ao Cultivo do Bambu. O Projeto ainda visa a Educação para uma Cultura de Sustentabilidade através de uma parceria com escolas públicas e a formação de mão de obra especializada para trabalhar com o material através da oferta de cursos.

Foi em um desses cursos que foi construída a primeira biblioteca pública da comunidade de Ravena, MG, usando bambu, energia solar, captação de água da chuva, sanitário seco e paredes de terra crua. Segundo o site do curso se trata de uma "iniciativa da sociedade civil a ser realizada com recursos próprios. Uma obra social, educativa e cultural, para desfrute e empoderamento comunitário, sem a utilização de recursos públicos ou patrocínio de qualquer empresa. Sendo o projeto arquitetônico de autoria de Eric Crevels, estudante do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFMG, que decidiu, com o apoio e orientação das Professoras Dra. Silke Kapp e Dra. Margarete Maria de Araújo Silva, fazer do seu TCC – Trabalho de conclusão de curso, a realização de uma obra ancorada em processos construtivos sustentáveis."
Obra pronta
Na fanpage da Cerbambu podemos ver fotos da obra pronta e na de Lúcio Ventania as fotos dos detalhes construtivos da construção da biblioteca durante o curso.  
Maquete digital do interior do projeto

Fotos da construção
Obra pronta


Maquete digital da Biblioteca

E por fim meus parabéns aos idealizadores, aos autores e participantes deste projeto que resultou em uma obra bela, sustentável e que homenageia uma grande brasileiro. E que vai ter uma função nobre, levar cultura e conhecimento em forma da viagem pelos livros.   

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