Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

Imagem
Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Sonho esculpido em castelos

Quando a gente vê um castelo de sonhos fica imaginando o que passou na cabeça de quem concebeu. No caso do Schloss Neuschwanstein
e dos vários castelos construídos por um único rei, nossa imaginação corre ainda mais solta. Quem era e como pensava esse homem?

"Desejo continuar sendo um eterno enigma para mim e para os outros."

Essa frase de Ludwig II, também chamado de o rei louco da Baviera talvez resuma o que ele foi. Um visionário? Um rei adiante do seu tempo que foi amado por seu povo? Um amante das artes, especialmente de Wagner? Um construtor adepto de modernas tecnologias? Um homem solitário e incompreendido?  

Foi para tentar entender um pouco mais de sua história que fui ao almoço Clio chamado Ludwig II: entre o sonho e o delírio. O professor Arthur Torelly Franco nos brindou com um panorama de sua vida e seus enigmas de personalidade.  

Enigmático, fascinante, estigmatizado, Ludwig II foi sem dúvida uma das mais carismáticas figuras do século XIX, porém considerado um louco por suas ideias corajosas. Neste Almoço Clio, o pesquisador Arthur Torelly Franco adentra o universo do rei da Baviera que deixou sua memória, sonhos e delírios esculpidos em castelos.


Na época de seu reinado ele gastou fábulas de dinheiro para construir castelos suntuosos. E mais que isso, castelos que uniam tecnologia e magia. Salas com rococós ricamente trabalhados convivem com encanamentos modernos e sistemas de aquecimento que não eram comuns naquela época. Alguns dizem que foi considerado louco e talvez assassinado em função dessa prodigalidade e manias estranhas. Hoje, passado uma centena de anos, suas obras são uma das maiores fontes de riquezas da Baviera....

Isso me faz pensar no valor simbólico da Arquitetura. No que a faz diferente e permanente. Confesso que meu viés pela felicidade das pessoas me faz pensar que se esse dinheiro fosse aplicado nas pessoas da época talvez fosse melhor: mais escolas, mais saúde, mais educação. Mas...um outro lado meu vê como uma pessoa ou pessoas com visões além do comum criam obras que transcendem ao tempo e acabam beneficiando as regiões a longo prazo. Julgar qual o melhor? Talvez não seja preciso. Deixemos que fique como enigma.


A gastronomia ficou a cargo dos chefs Leonardo Magni e Liliana Andriola e, como sempre, remetia à região e personagem tema do almoço.



A entrada foi Batatinhas assadas com obatza e chucrute.



O prato principal foi Spatzle com molho de mostarda e pernil de porco assado 



E a sobremesa um delicioso Bienenstich (bolo de amêndoas) 




Ludwig II

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

DIREITO À PAISAGEM

Processo da Arquitetura

A cidade também envelhece. E a casa, às vezes, envelhece antes de nós