Postagens

A urgência de reconstruir comunidades intergeracionais

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Somos cada vez mais inundados por postagens de moradias para pessoas idosas. Mas ao invés de ser uma solução, se isso fosse na verdade um problema?  Sim, sei que já postei sobre moradias compartilhadas e continuo achando uma ideia interessante. Mas não posso deixar de atentar que estamos, como sociedade, caminhando para  uma crescente tendência de segregação por idade. Vemos a criação de bairros, complexos habitacionais e até cidades inteiras com o intuito de oferecer espaços seguros e adaptados para faixas etárias específicas, sejam elas jovens ou idosas. Embora a intenção possa ser positiva, essa separação gera consequências sociais profundas. Pode, por exemplo,  fragmentar o conhecimento e empatia entre gerações. Neste texto vamos explorar os perigos dessa divisão e mostrar que a reconstrução de laços entre as várias gerações não é apenas desejável, mas sim uma condição essencial para a sobrevivência de uma sociedade justa e funcional. A "crise geracional": estamo...

Japão e as lições chocantes sobre o futuro do envelhecer nas cidades

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O envelhecimento da população é um dos desafios mais complexos e universais do século XXI. Governos e sociedades em todo o mundo buscam formas de garantir que uma vida mais longa seja também uma vida melhor. Nesse cenário, o Japão se destaca como um epicentro dessa transformação demográfica, possuindo uma das populações mais envelhecidas do planeta e, por isso, um laboratório vivo para o futuro da longevidade. No entanto, ao olharmos mais de perto, o país revela um paradoxo surpreendente. De um lado, encontramos a cidade de Toyama, um modelo global de planejamento urbano que redesenhou a velhice com dignidade, autonomia e conexão. Do outro, uma realidade nacional sombria emerge, marcada por uma crise de solidão, pobreza e desespero que assola milhões de idosos. Essa dualidade oferece um espelho poderoso para o resto do mundo. Este artigo explora os cinco aprendizados mais impactantes e contra intuitivos que a experiência japonesa nos ensina sobre os desafios e as soluções para o futuro...

Cidades para todos: Como incluir pessoas atípicas

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Tenho me debruçado sobre a questão da inclusão nos espaços privados e públicos com mais afinco nos últimos anos. Faço parte de um coletivo que se dedica ao estudo dos processos de envelhecimento, com livros, cursos e palestras em três anos de atividade. Além do Metamorfose da Vida , também apoio o Movimento Sociedade sem Idadismo , que se propõe a debater e combater a cultura do preconceito de idade. Acompanho também, como interessada, as lutas das consideradas pessoas atípicas. E por isso esta mensagem de uma colega me abriu um grande ponto de interrogação:    “Sei que teu tema é idadismo,mas as cidades são projetadas para os típicos. Pessoas atípicas acabam excluídas. Seriam as  cidades eugenistas? Só uma reflexão.” Na madrugada, quando a li, fiquei pensando no quão pouco sabia sobre o que se pesquisa e o que se faz na prática com essa camada da população, que vem crescendo. Minha resposta para a Marília foi: "Cidades refletem a sociedade onde estão. A nossa sociedade ...

Sociedade 5.0 e Gerontoarquitetura: Entre o sonho tecnológico e a realidade brasileira

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Sabe quando você olha para aquelas cidades futuristas dos filmes e pensa "poxa, seria legal viver assim"? Pois é, os japoneses não ficaram só no sonho. Em 2016, eles lançaram a Sociedade 5.0 , um conceito que, diferente das revoluções tecnológicas anteriores que focavam em produzir mais e mais rápido, coloca as pessoas em primeiro lugar. E olha que interessante: não é sobre ter a tecnologia mais avançada, mas sobre usar a tecnologia para resolver problemas reais das pessoas. O Que Muda com a Sociedade 5.0? A sacada genial aqui é simples: em vez de fazer as pessoas se adaptarem à tecnologia, fazemos a tecnologia se adaptar às pessoas. Imagine sua casa percebendo que você levantou de madrugada e acendendo automaticamente uma luz suave no corredor para evitar quedas. Ou um sistema de saúde que monitora sua pressão sem você precisar ir ao posto toda semana. É disso que estamos falando. E quando juntamos isso com a Gerontoarquitetura , que é basicamente pensar espaços considerando...