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2013/07/31

Projetando para a criança - Montessori

Criar espaços que estimulem as crianças de modo que possam aprender com os seus sentidos e experiências. Esse o desafio de quem vai projetar espaços usando como base o método Montessori. Já falei sobre isso AQUI. Segundo ele, nascemos preparados para nos adaptar ao nosso meio ambiente e a maneira como nosso cérebro irá aprender a fazer isso é criada durante a primeira infância. Por isso o cuidado em oferecer às crianças condições para que possam experenciar o mundo por si mesmas, embora com a supervisão de adultos, que são facilitadores nessa descoberta.
Kindergarten Fuji, Tachikawa, Tokyo - Japão
Em um dos textos que li para escrever esse post me deparei com essa frase de Alvin Toffler:
"Os analfabetos do século 21 não serão aqueles que não sabem ler e escrever, mas aqueles que não conseguem aprender, desaprender e reaprender."
E é exatamente essa capacidade de adaptação e re-adaptação que deve ser estimulada em um ambiente de aprendizado. Essa a grande contribuição, segundo li, que o método Montessori pode dar: a formação de pessoas com pensamento crítico, capacidade de colaboração e comunicação.
E então, como deve ser uma ambiente que proporcione isso? Há alguns sites onde podemos ver dicas para quartos e escolas, mas poucos que se aprofundem em termos de arquitetura. Encontrei apenas um que fala a respeito de quais fatores ambientais são importantes para o projeto e construção de um espaço adequado à esse tipo de interação e aprendizado com o mundo real. Vou resumir alguma coisa aqui, quem quiser pesquisar mais a fundo pode ler o artigo (em inglês) AQUI  
Espaços - pontos a considerar
  1.  Estímulos visual, tátil e cinestésicos devem ser estimulados através da definição de altura, limites, alturas e inclinações diferenciadas de espaços.
  2. Respeito pela escala da criança em elementos como esquadrias, móveis, estímulos.
  3. Proporcionar que a própria estrutura do prédio seja uma ferramenta de aprendizado.
  4. Oferecer contato criativo e rico com pessoas, animais, vegetação, água, ar e até mesmo a sujeira. Todos esses estímulos influenciam no aprendizado com o meio ambiente e a natureza. 

Kindergarten Fuji, Tachikawa, Tokyo - Japão

Kindergarten Fuji, Tachikawa, Tokyo - Japão

Alguns critérios de Projeto para escolas Montessori:
  1. A entrada deve ser convidativa, estabelecer uma ligação visual. Ganchos para pendurar roupas, mochilas, espelho de corpo inteiro.
  2. Evidenciar a claridade, seja pela luz natural, seja por materiais claros.
  3. Tratamento das paredes deve respeitar a escala dos pequenos.
  4. Mobiliário feito para o tamanho das crianças, com cantos arredondados
Kindergarten Fuji, Tachikawa, Tokyo - Japão
  1. O acesso direto ao ambiente das salas de aula ao ar livre é desejável.Áreas de lazer ao ar livre devem ser consideradas como áreas de aprendizagem ao ar livre
  2. Materiais utilizados devem obedecer a critérios de sustentabilidade.
  3. Separação de espaços abertos de acordo com a faixa etária são desejáveis em áreas de jogos.
E por aí vão uma série de recomendações de acessibilidade, ergonomia, usabilidade, etc. Eu tenho para mim que mais que receitas de bolo em espaços e esquemas de faça isso ou faça aquilo, o que um espaço Montessoriano precisa é de criatividade e foco nas necessidades de cada criança. Seguir regras, mesmo as bem intencionadas, pode ser tão repressor, quanto impor projetos mais comuns.
Liberdade. Espaços que se permeiem com a natureza. Uso correto e amplo da luz, do sol, das sombras. Uso de materiais locais, vegetação local, dar as condições para que a criança ( e a criança que mora em nós adultos também) se aproprie do espaço de forma instintiva, aguçar a intuição e a experiência de se apoderar do ambiente.

Kindergarten Fuji, Tachikawa, Tokyo - Japão
E dos exemplos de escolas Montessorianas que vi, separei dois exemplos. Um interno no primeiro vídeo e o outro um jardim de infância japonês, o Kindergarten Fuji, em Tachikawa, Tokyo. Esse volume oval, com crianças brincando no terraço me encantaram. O círculo representa a fórmula geométrica perfeita para construção. As árvores existentes foram aproveitadas no projeto que respeita em tudo a escala infantil. O edifício é como uma imensa praça, cujo jardim é visualizado de todos os pontos. Não há exclusão da natureza, ao contrário. E o conceito é exatamente o de criar sem excluir, com alegria das risadas e da convivência que nossos tempos modernos acabaram roubando de nossas crianças.  Projeto de Takaharu + Yui Tezuka
PS: Esse post foi resultado de uma sugestão da Samantha do blog A Vida como a Vida quer a quem agradeço a oportunidade de conhecer mais sobre esse assunto tão interessante. O mote seriam casas, mas achei bem mais matéria (e mais consistentes) sobre as escolas. Mas estudando como são projetadas, já consigo imaginar uma casa montessoriana...  
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