Comunicação pública, acessibilidade e cidadania: quando as escolhas falam mais alto

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Vivemos tempos curiosos. Nunca produzimos tanta informação e, ainda assim, milhões de pessoas seguem excluídas de decisões que afetam diretamente suas vidas. Muitas vezes a barreira não está na falta de acesso à internet ou aos meios de comunicação. Ela se encontra muitas vezes na linguagem, na complexidade desnecessária, na distância criada entre quem comunica e quem precisa compreender. Foi com essa reflexão que participei, como assessora de acessibilidade, do 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública, realizado em Porto Alegre. Promovido pela Dominus Consultoria e Capacitação em parceria com a Estratégia de Comunicação & Copy Sawitzki Inovação e Experiência Humana, o evento reuniu profissionais, gestores públicos, pesquisadores e especialistas para discutir temas que hoje ocupam lugar central na vida democrática. Ao longo do dia, palestrantes como Sandra Bitencourt, Maria José Finatto, Rodrigo Abella, Soraia Hanna, Daniela Machado, Leandro Rolim e Gustavo Ferenci compartilhar...

Arquitetura tem rótulo?

Quem me conhece sabe que não advogo por reserva de mercado e nem acho que um diploma define competência.

Tive uma bela lição logo que entrei na universidade e fiz uma cadeira de artes visuais. Bárbara. De uma criatividade imensa, abria os olhos para as artes, sensibilizava para a criação. O professor era...advogado. Nunca exerceu, mas sem aquele diploma não poderia nos dar aula sobre o que realmente sabia fazer.

Também já vi muito colega que não sabia projetar. De arquiteto tinha o título, não o saber.

A Arquitetura também. Já vi milhares de rótulos. Arquitetura isso, aquilo. Até de inteligente já foi chamada. Eu acho graça. Não acredito muito em segregar. Azulzinho para menino. Minimalismo porque é tendência. Telhado plano porque é in nas aulas da faculdade. Bay window e steel frame porque se usa em Miami...

Arquitetura é muito mais que tendência. É reunir uma série de condicionantes em uma solução que funcione, seja sustentável, seja bela e expressiva.
"Arquitetura é antes de mais nada construção, mas, construção concebida com o propósito primordial de ordenar e organizar o espaço para determinada finalidade e visando a determinada intenção. E nesse processo fundamental de ordenar e expressar-se ela se revela igualmente arte plástica, porquanto nos inumeráveis problemas com que se defronta o arquiteto desde a germinação do projeto até a conclusão efetiva da obra, há sempre, para cada caso específico, certa margem final de opção entre os limites - máximo e mínimo - determinados pelo cálculo, preconizados pela técnica, condicionados pelo meio, reclamados pela função ou impostos pelo programa, - cabendo então ao sentimento individual do arquiteto, no que ele tem de artista, portanto, escolher na escala dos valores contidos entre dois valores extremos, a forma plástica apropriada a cada pormenor em função da unidade última da obra idealizada."


"A intenção plástica que semelhante escolha subentende é precisamente o que distingue a arquitetura da simples construção."

"Por outro lado, a arquitetura depende ainda, necessariamente, da época da sua ocorrência, do meio físico e social a que pertence, da técnica decorrente dos materiais empregados e, finalmente, dos objetivos e dos recursos financeiros disponíveis para a realização da obra, ou seja, do programa proposto."

"Pode-se então definir arquitetura como construção concebida com a intenção de ordenar e organizar plasticamente o espaço, em função de uma determinada época, de um determinado meio, de uma determinada técnica e de um determinado programa."

COSTA, Lúcio (1902-1998)

Arquitetar é mais do que empilhar tijolos e/ou calcular índices construtivos. É mais que planejar cidades, ambientes, praças, quartos, edifícios. Para mim é inconcebível traçar paredes sem pensar nas pessoas, no mobiliário, na luz, na construção, no entorno. Tive bons professores. Um me lembro bem. Olhou meu partido, disse tudo bem, E agora como faz para ficar de pé ? ". Atrás de uma simples pergunta, ele inseriu uma metodologia. Arquitetura é muito mais que beleza per si. É materialização de um problema. Tem que pensar em tudo.  

Arquitetura não tem rótulo não. Ela é sustentável se pensa no entorno, se aproveita materiais da região, se não faz terra arrasada e aproveita. Re-usa, não desperdiça. As vezes uma proposta simples é mais sustentável que uma ousada mistura de materiais ultra eco que vem lá de outro lado do mundo. Ou seja, Arquitetura é conceito e não aparência.



Excelência é o que faz da construção Arquitetura.

O que é arquitetura? from Miguel Cañas on Vimeo.

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