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10 Lições que aprendi na faculdade de Arquitetura

Recebo algumas correspondências falando de como os leitores gostaram dessa ou de outra postagem aqui do blog. E sempre fico super feliz! É ...

2017/10/20

Um sistema único e nunca mais repetido na história - Duomo de Florença

Adoro séries históricas. São o meu novo vício. Através delas revivo o velho hábito de aprender história através dos filmes, da literatura e das artes. E tive a oportunidade de ver alguns capítulos da história dos Medici. Os de Florença, não os daqui. Até porque os de lá marcaram sua época com o mecenato que resultou em muito da beleza artística da Florença que hoje conhecemos e admiramos. 
Duomo da Catedral de Santa Maria del Fiore
A série mostra a história de Cosimo di Medici, banqueiro e incentivador das artes e artistas. Um episódio da série, que se passa no início dos anos 1400, me chamou particularmente a atenção: a aparição de Filippo Brunelleschi que vence um concurso para construir a cúpula da Catedral de Santa Maria del Fiore. 
As grandes obras de catedrais demoravam muito para serem finalizadas naquelas eras. A Catedral de Florença começou a ser construída em 1296, sob as fundações de uma antiga igreja e tinha o projeto de Arnolfo di Cambio. Entre paradas e retomadas, os séculos se sucederam, e a catedral tinha uma aparência imponente, mas sua cúpula continuava a descoberto. Era um problema de difícil solução na época. Eis que em 1418 a empresa que administrava as obras, que contava com recursos vindos de impostos (inclusive sobre heranças), anuncia o concurso. Vencido por Brunelleschi (que usou o estratagema do ovo que pára em pé como argumento, segundo se conta, e que devia ter uma lábia bem boa) os trabalhos da construção da famosa cúpula só iriam terminar em 1434. Na série se conta que incentivar a construção foi uma feliz ideia de um hábil Cosimo Medici para incentivar o trabalho e a economia em uma combalida Florença empobrecida pelas guerras. 

Fonte
Mas e qual seria a técnica usada pelo relojoeiro para resolver o problema da cúpula de Santa Maria del Fiore? Segundo um estudo sobre a obra feito por Massimo Ricci seria "um sistema único e nunca mais repetido na história" cujo resultado final faria Florença entrar para a história...

....Entre estas soluções, uma teve grande destaque, justamente a de Fillipo Brunelleschi, na qual a construção da cúpula poderia ser executada sem qualquer tipo de armadura de madeira, mas através da utilização de uma série de concêntricos e autoportantes anéis em pedras (arenito) reforçados em sua parte externa com correntes de ferro. Desta forma esses anéis protegeriam a estrutura contra esforços laterais durante a fase de construção.....(e também) a divisão da cúpula em duas partes. A primeira seria uma cúpula interna, espessa e em forma de concha, tendo em sua base 2 metros de espessura e em seu topo 1,5 metros. A segunda, externa, com o intuito de proteção contra o vento, a água e qualquer tipo de intempéries, menos espessa e com uma forma mais majestosa. Entre as duas cúpulas, buscando facilitar a inspeção e acerto de reparos, foi construída uma escadaria curva, hoje muito utilizada para a visitação. Essas cúpulas eram reforçadas por 24 nervuras de arenito, sendo 8 delas definindo os vértices do octógono e, as restantes, menores e inseridas na estrutura, duas a duas nos lados do octógono. (Fonte)
Fonte
E conseguiu. Embora alguns apontem que a cúpula estruturalmente seja uma loucura e que nem seja assim tão funcional, já que permite a passagem de pouca luz, ela carrega em sua imponência o título de maior cúpula de alvenaria já feita na história. E o que talvez reforce a sua magia seja que até hoje não se sabe com certeza como teria sido feita, já que não sobraram vestígios de seu projeto, restando estudos feitos a posteriori. 
Fonte

Técnica persa de construção de cúpula sem escoras dominada pelos persas, que Bruneleschi utilizou em Florença
"Ele desenhou uma estrutura com 91 m de altura, com 45,5 m de diâmetro em forma dupla, ou seja, duas cúpulas, uma interna e outra externa com 463 degraus no interior (como se fosse um sanduíche de degraus) com um peso de aproximadamente 37000 toneladas, composta por mais de 4 milhões de tijolos, a ser montada sem andaimes." (fonte)
Fonte
 
Há várias teorias de como ele resolveu o problema (a mais correta até agora parece ser a de Massimo Ricci - veja vídeo AQUI). O que percebemos é que esta cúpula em toda a sua magnificência é um exemplo de como a Arquitetura pode trazer soluções técnicas inusitadas fazendo com que um edifício se torne mais que uma obra tecnicamente bem feita, mas que incendeie os olhares, a imaginação, gere controvérsias e que pessoas se debrucem sobre ele até hoje, passados quase seis séculos.
Fonte

Brunelleschi and the Fibonacci Principle and Proportions


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2017/10/19

Escada como surpresa visual em ambiente minimalista

Uma impressionante escada que é praticamente um escultura de madeira em meio à um ambiente minimalista parisiense. É obra do designer Ora Ito para os jornais Le Parisien e Les Echos.

Uma interessante contraposição aos espaços mais neutros, a escada vai se transformando para cada um dos três pavimentos dos escritórios como se fosse uma serpente viva, trazendo movimento e um toque instigante que liga os espaços e as pessoas.    

 " A escada ultrapassa a arquitetura. Os escritórios são intencionalmente minimalistas, tranquilos e funcionais sem decoração estranha. Os detalhes refinados são discretos. A única surpresa visual para colaboradores e visitantes é este enorme corpo que sobe através do edifício e se presta a várias funções em vários espaços: área de recepção, particionamento, cantina e paredes de auditório ". Ora Ito


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2017/10/15

Memórias da faculdade

Foto: Elenara Stein Leitão - no processo durex que a gente usava para fazer fotos panorâmicas
FAU UFRGS final dos anos 70, início dos 80. Na época haviam poucas faculdades de arquitetura no RS e a gente enchia a boca para falar URRGUISSSSS só para ver o olhar de admiração das pessoas que nos olhavam de cima a baixo. A gente precisa dessas aprovações ao ego quando tem 20 anos.

Foi neste prédio na esquina maldita que jovens cheios de entusiamo e sonhos se cruzaram pelos corredores e a famosa escadaria da faculdade de Arquitetura. Lembro disso agora porque com as facilidades da web estamos nos reunindo de forma virtual - os formados, os que largaram pelo meio, os que viveram de alguma forma o sentimento de pertencer aos Arq anos 80. 
Fonte
Lá se vão mais de três décadas de contato com a profissão. E rememorar os colegas, lembrar das festas, das maneiras de se projetar e de como cada um levou e leva a sua vida profissional me deixa cheia de uma nostalgia de vida. Já falei sobre as 10 lições que a faculdade de Arquitetura me trouxe como aprendizado e sobre como era o projetar naqueles eras pré CADs em normógrafos e outras cositas estranhas. Mas acho que ainda não falei sobre os colegas e o quanto eles compartilharam comigo com suas experiências de vida.Quando se começa um curso de graduação pensamos nas matérias, nos desafios de horários, nos trabalhos e no custo seja financeiro ou emocional. Mas existem os parceiros de jornada. Gente como a gente que trilha a mesma rota e passa pelos mesmos desafios. E como nos ajudam! Se posso dar mais um conselho aos estudantes que acaso me leiam nesse momento: cultivem as amizades com os colegas. Elas são preciosas em nossas vidas!
Me lembro que transitei por vários grupos. No começo como vinha de outra faculdade, transferida, me entrosei mais com os estudantes de fora. Particularmente com estudantes de convênio como chamávamos os que vinham dos países vizinhos. Foi excelente também para que compreendesse melhor o espanhol, língua fundamental na bibliografia da época. Com eles aprendi novas culturas, fiz excelentes viagens, apreendi um pouco mais sobre a liquidez das fronteiras. E de como diferentes culturas podem influenciar no resultado do ato de projetar. 

Participei também dos grupos de estudantes aplicados. Aqueles que tiravam boas notas e que faziam o curso no tempo certo. Convivi com os que trabalhavam duro durante a faculdade, faziam bico e precisavam esticar o curso para poder terminar por falta de condições financeiras de se manter. Como era época da ditadura, também conheci aqueles estudantes que de repente surgiam do nada, e com seus cabelos escovinha contrastavam com os cabeludos inquietos das turmas. Duravam pouco. O tempo de um semestre. O suficiente para tentarem fazer amizade e perguntarem muito. Depois sumiam. 

Tinham os amigos para toda a vida. Eram diferentes dos amigos do semestre. Com os primeiros a gente trocava planos e sonhos de uma maneira mais intensa que foram se consolidando porque a gente continuou a se encontrar pelos anos afora. Tinha os colegas que marcaram a gente e tinha os que a gente marcou.  

Olhando agora para os rostos mais maduros e tentando conciliar com aquelas caras juvenis de outrora passa tanta emoção. É como se uma etapa de nossas vidas voltasse, uma das mais bonitas, mais sofridas, mais cheias de garra e conquistas.

Companheiros de jornada, bom revê-los! 

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2017/10/13

Casa autônoma feita em concreto

Uma casa construída em concreto com grandes calhas para cultivo hidropônico, que garante a alimentação dos habitantes, é o projeto dos estudantes da Universidade de Washington para o Decathlon Solar.

 
 

Casa CRETE pretende mostrar a viabilidade do uso concreto como técnica construtiva em habitações com viés sustentável. Com um bom isolamento a casa é resistente ao fogo, ao clima e à atividade sísmica. E ao mesmo tempo é projetada para grande auto-suficiência - "incluindo geração de energia (através de painéis solares) , reutilização de água e produção de alimentos".


Fonte e maiores informações : Inhabitat

Fotos: Mike Chino


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2017/10/08

Espaços de Museus - outros olhares

"Não se deixe intimidar com os museus. Eles pertencem a todos "
Quando arquitetos falam de Museus normalmente de deixam levar pelos vícios da profissão e pensam em imagens onde as formas se sobressaem. 

Imagens de uma pesquisa Google basica
E mesmo os espaços internos, se povoados, são normalmente assépticos e fico imaginando quando é possível encontrar espaços tão vazios para admirar obras de arte. Em Museus famosos, quando acontecem, são inesquecíveis como quando vi a Guernica ainda em um pequeno espaço de Madri. Mas a Mona Lisa vi acompanhada de uma multidão...

Refleti sobre isso mais especialmente ao ler o livro de uma amiga. O livro se chama Essências e Geografias de Berenice Sica Lamas. Conheci a Bere em uma oficina de poesias uns anos atrás e lendo agora um mosaico de suas vivências, experiências, viagens e descobertas me senti transportada para um olhar sensível que me mostra o espaço de museus de uma maneira tão bonita. Os espaços e formas conformam sensações e sentimentos que ela nos descreve com tanta simplicidade e complexidade que me encantou. Me lembrei de tantas experiências pessoais e de como convivi com esses espaços em pequena, como eles são fundamentais para nossa trajetória, como resguardam não só a beleza, aquilo que costumeiramente entendemos como Arte, mas são reflexos de épocas, de questionamentos, de enfrentamentos e reflexões. 

Nesses nossos tempos em que o papel da Arte vem sendo tão debatido, sinal inequívoco de sua extrema necessidade como polarizador das tensões e questionamentos de sociedades e pessoas, mais os espaços dos Museus se tornam relevantes como impulsionadores desses encontros pessoais e culturais. Tenho para mim que Arte é como a Arquitetura. Não necessitam rótulos. Apenas pedem que se debruce sobre as obras e tente entende-las, seus significados, suas intenções, sua existência. Vão além do simplório gosto ou não gosto. 

E nesses questionamentos encontrei alguns textos interessantes sobre o papel dos museus nos mundo de hoje. E me detive em quatro. 

Um que fala no papel desses espaços nos idosos e de como podem auxiliar pessoas com perda de memória. Podem ler AQUI.
   "À medida que a sociedade mudou, também tem o trabalho dos museusOs clientes podem ter desafios com memória de curto prazo, mas isso não significa que eles não podem desfrutar e beneficiar - uma tarde em um museu de arte. Aliança Americana de Museus.
O segundo, bastante questionador, e por isso mesmo interessante, questionando sobre o papel dos Museus atualmente e de como transgredir ou desestruturar a a maneira tradicional de ver e viver um Museu. Leia AQUI  
Clayton M. Christensen , autor de "Perturbar a classe: como a inovação disruptiva irá mudar a maneira como o mundo aprende" diz que "inovação disruptiva .... transforma um produto que historicamente era tão caro e complicado que apenas algumas pessoas com muito dinheiro e muita habilidade tiveram acesso a ele. A inovação disruptiva torna muito mais acessível e acessível que uma população muito maior tem acesso a ela ".
Dos momentos mais belos e enriquecedores para mim ao visitar um museu é a presença de crianças. Turmas que vão acompanhadas de professores aprender a interagir com tantas descobertas. E aí o terceiro artigo questiona: Por que precisamos de gerenciamento de sala de aula em museus? E talvez aí a leitura do segundo se faça mais compreensível e até a ordem em que os coloquei aqui. 


E por último, e não menos importante. A censura. Vemos com apreensão o pedido de fechamento de exposições, a agressão verbal à visitantes das mesmas, museus famosos fazendo uma auto censura (como o caso do Louvre e da escultura abaixo) e já li até setores do legislativo municipal fazendo uma devassa em bibliotecas para extirpar livros (!). Não que a censura às artes seja uma coisa moderna, longe disso. Podem ver nesse texto sobre um pouco da censura na arte como:     
Ao longo da história da arte, obras foram alteradas, silenciadas e até mesmo apagadas devido ao "conteúdo inaceitável" das peças, sendo por questões religiosas, sociais ou políticas. No entanto, há séculos que os artistas vêm empurrando goela abaixo os limites do "ofensivo" com suas obras. Damaris de Angelo
Escultura que foi retirada do Louvre 
Mas não são justamente os Museus os guardiões da produção de pessoas que com suas visões aguçadas ajudaram a mudar padrões e a fomentaram a reflexão através de seus questionamentos?  
"Isso é algo que não deveria acontecer. Um museu deveria ser um local aberto de comunicação. O papel do museu e da imprensa é explicar o trabalho. A peça em si não é muito explícita. É uma forma abstrata, não há genitais. É bastante inocente."Joep van Lieshout
Não são os museus os locais onde reunimos pedaços de nossa produção como espécie que se pretende civilizada? Uma espécie que vai mais além da mera sobrevivência? Que se emociona com o Belo, que se inquieta com a finitude, que se indigna com tanta coisa, que "aponta a Lua, embora muitos só olhem o dedo" ....

E por que Arquitetos se importam com esse olhar sobre espaços? Porque não projetamos para o vazio. Não fazemos nossas criações para serem admiradas apenas por outros arquitetos. Projetamos para pessoas. E pessoas sentem, vivenciam, tem sensações. E tem visões e pensamentos diferenciados. Que projetemos uma arquitetura mais humana para facilitar essas trocas. 

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2017/10/05

Casa de 40m2 usa técnica tradicional na Espanha

Um escritório brasileiro relativamente jovem é responsável pelo projeto dessa casa de 40 m2 em Alicante, na Espanha. Os arquitetos da GRUA tem um trabalho bastante interessante e uma exemplo pode ser visto na Casa Vall de Laguar.
Um terreno com uma bela vista para o mar mas com uma área mínima, 80 m2.  A técnica construtiva em pedra segue a tradição do local. O volume limpo é dividido em dois pavimentos (com um mezanino): no térreo estão sala, cozinha e o quarto principal. No subsolo um escritório, banheiro e outro quarto. Os bancos que vemos nas fotos são as claraboias de ventilação do subsolo.

Projeto GRUA em colaboração com Inma Lifante


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