Publicidade

2014/10/31

Exemplos de reciclagem e atuação usando lixo urbano - Arquitetura e Design

FONTE
Exemplos de construções usando restos que descartamos, sejam de construções, sejam do lixo tradicional, estão se proliferando. Não que eu considere como uma vertente de futuro e um solucionador da questão do descarte. Longe disso. A sua função é mais de denúncia, de conscientização para o profundo consumismo e transitoriedade que vemos se acirrar em nossa sociedade industrializada. E nesse sentido, de educação e quebra de paradigmas os acho bem relevantes.  

A Bow- House é um exemplo. Projeto da arquiteta Stephane Malka foi construído usando esquadrias reaproveitadas em uma praça holandesa.
FONTE
Além do uso de material descartado, o projeto serve como se pode aproveitar áreas públicas também consideradas degradadas com um espaço de todos, um abrigo que acolhe quem por ventura ali passar. Um espaço que se agrega e como que se conforma em um envoltório emocional, preenchendo os vazios e garantindo privacidade.  

A própria maneira como se montam as portas e janelas reaproveitadas, como uma imensa colcha de retalhos, ou um jogo de armar, também é considerado pela autora como um "ato de resistência contra as leis do mercado e da mercantilização da construção, bem como de lobby por parte das autoridades locais, que envenena a arquitetura com seus padrões e rótulos."


Aqui mais um exemplo de outra casa feita com esquadrias reaproveitadas.

FONTE
Já a proposta dos alunos de uma escola gaúcha (Alberto Pasqualini em Novo Hamburgo) foi uma resposta a uma pergunta em um debate sobre sustentabilidade:  "Será que daria para construir um sofá, ou até uma casa inteira com todo o lixo aqui da escola?"

E sim, dava. E dê-lhe pesquisa para chegar ao resultado prático. Como a ideia era usar o lixo da escola, foram usadas as milhares de garrafa pet descartadas, madeiras de demolição dos prédios da escola. E resgataram antigas tecnologias (enxaimel) que os antepassados trouxeram ao estado de seus países de origem.   
FONTE  (Fotos Diego Vara)
Ainda foram usadas caixas de leite e suco (as chamadas TetraPak), isopor que foi recolhido ou doado. Os únicos materiais que não foram retirados do lixo foram a areia e o cimento, comprados pela escola, mas misturado pelos alunos.

Fonte (Fotos Diego Vara)
E já que estamos falando em conscientização ambiental, achei interessante compartilhar essa proposta de estudantes de um escola técnica gaúcha ( a Liberato também em Novo Hamburgo).

O lixo, além de separado pelo consumidor, deve ser recolhido. E muitas cidades não contam com meios de transporte que seja adequado e prático. Pois os estudantes bolaram um triciclo (a bicicleta que serviu de suporte foi doada) com uma caixa de metal acoplada, que pode ser uma boa opção para substituir as carroças ou a tração humana (esses dias vi um homem de muletas carregando uma caixa com lixo que ia amarrada à uma corda em sua cintura....impossível não se parar e pensar sobre isso!).
FONTE
Exemplos de atuação sobre realidades. Todas com uma proposta crítica e construtiva, de denúncia e conscientização, resultando em pesquisas e novas propostas. Sim, isso é Arquitetura e Design com função e personalidade. Agem e fazem pensar.

Falo mais sobre arquiteturas que quebram paradigmas aqui Arquitetura rebelde em tempos de crise

2014/10/30

Dez anos - mudanças no Arquitetando Ideias


2004. Dez anos atrás iniciava o ARQUITETANDO IDEIAS aqui no blogger. No princípio um local para guardar e replicar coisas que via e pesquisava. Aos poucos foi se transformando e me transformando. Virou um local de questionamentos, de expansão de ideias, de vida! 

 Hoje iniciamos uma nova etapa. Havemos domínio próprio! Nunca me liguei muito nisso. Sempre me liguei mais no conteúdo, no que poderia contribuir. E espero realmente ter contribuído com muitas pessoas. Vocês contribuíram e muito na minha vida. Houve momentos nesse último ano que se não fosse o Arquitetando Ideias acho que teria saído de mim. Enfim, sobrevivi. O blog sobreviveu. Cresceu. Virou gente grande. E por isso algumas pequenas mudanças. Não no conteúdo, na forma. Espero que gostem. Eu gostei.

Então de hoje em diante www.elenaraleitao.com.br está aqui, com o mesmo carinho e pesquisa de sempre. Arquitetando ideias sobre uma arquitetura mais humana, mais inteligente, mais sustentável, mais inteira. Falada de forma que todos entendam e gostem.

Divido com vocês essa nova etapa! Obrigada pela companhia! 

Elenara 

2014/10/29

EcoHare - educação ambiental no umbigo do mundo

Pensem comigo: que exemplo mais parecido com o planeta Terra que uma ilha isolada de tudo? E é mais ou menos isso que a Ilha de Páscoa é. O umbigo do mundo. Um lugar de difícil acesso, mesmo nos dias de hoje. Mas...um local que chama a atenção de turistas. E estes e a população consomem. E deixam resíduos. (Já li que geram algo em torno de 8 toneladas/dia na alta temporada!). E o que fazer com este lixo todo???? Pois foi o a solução encontrada que me chamou a atenção quando vi o terceiro episódio do Pacto pelo Planeta na NatGeo. 
FONTE

A Ecohare - o nome já revela a mistura de princípios de sustentabilidade com a palavra com que os habitantes da Ilha de Páscoa denominam as casas em Rapa Nui- é mais que uma casa feita de garrafas de plástico, de vidro e pneus reciclados. É um símbolo bem interessante da conscientização ambiental.
A ideia que norteou o projeto foi chamar a atenção para o problema do lixo, ajudar a conscientizar na necessidade da redução do consumo e descarte, e ao mesmo tempo mostrar soluções para reutilização e reciclagem desse material descartado.
 

FONTE

A EcoHare é resultado de uma parceria do governo (Ministérios da Energia e do Municipio da Ilha de Páscoa), iniciativa privada (Coca-Cola Chile) e comunidade, o que a torna ainda mais interessante. Os estudantes ajudaram na coleta do material que iria para o lixo e foi transformado em Eco-tijolos (tecnologia que foi aprendida pelos trabalhadores locais). Esse recolhimento fez parte de uma campanha de ensino da separação e reciclagem do lixo na ilha. 



A casa será um centro de educação ambiental e reciclagem. Na sua fundação foram usados os pneus e ela ainda vai contar com o aproveitamento do sol para gerar a sua energia. Princípios de arquitetura bioclimática foram usados como ventilação cruzada que substitui a ventilação mecânica e ajuda na economia energética. Também vai utilizar a água da chuva para armazenamento e uso em vasos sanitários e pias. Além disso, estima-se que a sua construção seja bem mais rápida e barata que as tradicionais
FONTE SUDARTE

FONTE SUDARTE
FONTE SUDARTE

FONTE SUDARTE
A casa será um centro de educação ambiental e reciclagem. Na sua fundação foram usados os pneus e ela ainda vai contar com o aproveitamento do sol para gerar a sua energia. Princípios de arquitetura bioclimática foram usados como ventilação cruzada que substitui a ventilação mecânica e ajuda na economia energética. Também vai utilizar a água da chuva para armazenamento e uso em vasos sanitários e pias. Além disso, estima-se que a sua construção seja bem mais rápida e barata que as tradicionais.

Uma bela iniciativa que merece aplausos. Sim, eu também acho que seria melhor não se precisar fazer isso. Sim, eu também preferia que a Ilha de Páscoa ( e todo o planeta) tivesse o seu meio ambiente preservado e ainda como nos foi legado pelos antepassados. Mas não sou ingênua para achar que vamos mudar nossos hábitos de consumo da noite para o dia ou que vamos voltar ao tempo em que nada disso seria necessário. Vamos continuar viajando, vamos continuar consumindo plásticos e vamos continuar gerando lixo, muito lixo. E tudo o que puder ser feito no sentido da educação e minimização do problema vai continuar merecendo o meu aplauso sim.


Fonte

2014/10/28

#minhapagina60 - minha história sobre a Feira do Livro

É tempo de feira do livro e sempre é um tempo que se espera com ansiedade. Já falei sobre isso em batida do ponto. Esse ano a Feira vai fazer 60 anos e para comemorar essa baita história, os organizadores bolaram uma campanha emocionante. Abrir páginas 60 dos livros e compartilhar, seja em fotos, seja em vídeos. Eu fiz essa experiência hoje, ao visitar a mostra do Moacyr Scliar no Santander Cultural. Confesso que a página do livro que abri tinha tudo a ver com os momentos atuais. Eu gosto de fazer isso, abrir e ver a mensagem do livro. Vocês não?

 O livro de onde li a página.
 E aqui o espaço que mais me impactou na mostra. Entrar por um corredor, escuro, um espaço como se fosse uma passagem de mundos, que simbolizava a vinda dos imigrantes judeus chegando ao novo mundo e à cidade de Porto Alegre. E ao sair do túnel, um Bom Fim reproduzido em fotos e com suas ruas delineadas no chão me emocionou deveras.  
E minha estreia nos vídeos contando minha história sobre a feira do livro. Sei que falta técnica, mas achei interessante explorar esse meio de comunicação também. Espero que gostem. E eu vou adorar saber as histórias e/ou páginas 60 de vocês também.

2014/10/27

Parasite Pavilion - emoções na passagem


O Parasite Pavilion foi projetado para a Bienal de Veneza de 2014 usando um sistema de arcos auto sustentáveis e com impacto zero. Uma parada que permite uma experiência sensorial fantástica em meio à exposição.

O interessante dessa experimentação é criar no visitante um impacto ao entrar e percorrer o espaço que se abre. É permeável, mas é abrigado. Conforma mas se abre ao infinito. Projeto de Pier Alessio Rizzardi com a colaboração de Hsieh Ying Chun | WEAK! Architects.




 
 
Essas experiências de corredores que levam à espaços e nos trazem emoções me lembram dois locais em especial: a entrada da catedral de Brasília, onde pela primeira vez senti na prática essa sensação do recolhimento que levava da luz do espaço exterior à luz do interior, passando pela transição do confinamento do corredor. Outra vez foi quando vi a Guernica em Madrid. Ainda em um pequeno museu, passava pelo corredor de rascunhos para chegar ao espaço todo negro onde o quadro era o ponto focal. Espaços distintos, emoções intensas. Os corredores bem projetados me fascinam, talvez me despertem sensações ancestrais.  

Fotos de © Marco_Cappelletti_MG_0139


Parasite Pavilion - Venice Biennale 2014 from Studiotredici on Vimeo.

2014/10/26

Patrulhamento - não caia nessa

Acompanhando os inúmeros comentários em redes sociais, jornais e sites vejo que algumas pessoas concordam em um ponto, em meio ao mar de divergências que vivemos nos tempos atuais: A imensa intransigência que perpassa no comportamento de quem, em vez de argumentos, usa de paixões extremadas em forma de xingamentos e estranhamentos para com quem não pensa exatamente como eles. Dos comentários aos atos nas ruas vemos que essa rigidez revela um comportamento que eu chamaria de patrulhamento. 

Estranhamento pelo diferente é algo normal. Diria que nosso condicionamento cultural nos leva a ter um olhar diferenciado sobre o que não é comum. Se esse olhar vai se transformar em repúdio ou fascinação e vontade de saber mais, vai depender do que? 

Não sou psicóloga e nem estudiosa do comportamento humano para discorrer sobre teorias que nem cheguei a estudar. Mas....tenho alguma experiência de vida para notar que o estranhamento do adulto se difere um pouco do da criança. Talvez os primeiros sejam mais condicionados a rechaçar de cara do que os pequenos....

Não pense que isso aconteça apenas com preferências ideológicas ou clubistica. Ou mesmo de comportamento. Na estética isso se vê com frequência. O que é normal? O que é elegante? O que vai cair no agrado de todos? 
A resposta? Nada! 

Nada nunca vai agradar a todos. Ponto. E quando agrada uma chamada maioria nem sempre agrada a gente. Ou essa maioria nem sempre é maioria numérica, mas apenas aquelas pessoas que detém maior poder de comunicação. Por isso sempre falo aos clientes quando ficam temerosos em expor opiniões e querendo saber a minha opinião sobre o que é correto para suas casas....quem sabe o que lhe cai bem é você. Eu posso auxiliar em toques e maneiras de harmonizar o SEU gosto. 
E sabem porque isso me chama cada vez mais a atenção? Porque vemos cada vez mais coisas e pessoas com cara de todo mundo. Ou melhor, cada vez mais as individualidades, as personalidades se destacam. Ter cara e voz própria. Ter opinião sua, embasada em sua experiência e vontade. Isso aliado ao estudo, à pesquisa e ao aperfeiçoamento constante, fazem pessoas interessante e produtos que marcam. E são cada vez mais raras.
Nesses tempos em que vivemos liberdade - e só quem questiona isso é quem não viveu nos tempos em que ela não existia - a pior forma de se podar é dar voz à autocensura. Talvez a isso as pessoas chamem de ditadura. O patrulhamento que sentem sobre si. De grupos. De formadores de opinião. Da sociedade. Do governo. Da família, igreja, amigos.  De si mesmos. 

A receita para superar isso? Não sei. A minha é preservar a minha liberdade interna. Ideologias, tendencias, gurus, fórmulas são boas como referências. Não como verdades absolutas. Questiono mesmo as minhas verdades, que dirá a dos outros.

Então fica a dica: patrulhamento, não caia nessa. Nem sobre você, nem sobre os outros.


Imagens: Google e Pinterest

Publicidade

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More