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2016/05/01

Arquitetar libera endorfina e leptina?

A maioria dos memes sobre trabalho falam de muito esforço e pouco prazer. Haja vista a alegria com que as sextas-feiras e feriados são saudadas. E como as coitadas das segundas são execradas....Mas existe uma categoria em que isso parece ser exceção. Eles quase não tem fim de semana nem feriados. E alguns nunca se aposentam: os arquitetos e as arquitetas.   
Exagero? Talvez. Mas o que vejo e leio é o trabalhador em Arquitetura é um profissional que necessita vencer uma série de questões para atingir a tal falada valorização profissional. Mas mesmo assim muitos o fazem com muito prazer.

Não posso falar por toda a categoria. Mas posso falar por mim e por uma gama de colegas: ainda temos um diferencial competitivo imenso que talvez não saibamos transformar em vantagem financeira.

Amamos o que fazemos. A gente se queixa de trabalhar nos fins de semana, feriados, madrugadas. Mas pergunta se queremos deixar a arquitetura? A resposta clássica na minha geração era: é uma cachaça, querendo simbolizar uma espécie de vício. Bem como aquele corredor que desperta os hormônios da felicidade e continua correndo mesmo após a exaustão.

Atenção: Lógico que não estou embasada em nenhuma pesquisa para dizer isso e minha afirmação é muito mais metafórica que uma consistência científica. (E é sempre bom explicitar isso nesses tempos de leituras tão rápidas e conclusões rasteiras).

O que estou dizendo é que muitos de nós, arquitetos e arquitetas, temos o privilégio de trabalhar no que amamos. As vezes esquecemos de como cobrar por isso e muitos, talvez por trabalharem com criação, sei lá, adorariam ser "brincantes" como se define o colega Oscar Muller. 

Não me julguem mal, é obvio que os arquitetos cobram pelo seu trabalho. Eles não são seres mágicos que vivem de luz. Eles tem despesas normais como todos. Pagam água, luz, transporte. Se vestem de roupas e comem como qualquer mortal. Eles estão em permanente construção. Viajam, leem, pesquisam e se abastecem de tudo que possa expandir seus repertórios que vão fazer suas soluções melhores. 

E tudo isso custa algo. Em moeda sonante. E não é pouco.
Sim, também fazemos escambo. Trocamos nossa expertise pela do cliente. Trocamos nosso trabalho pelo do cliente. É uma forma justa também de remuneração. Podemos fazer arquitetura por quantias mínimas como uma forma de difusão. Podemos fazer arquitetura colaborativa e de cunho social. Como podemos cobrar um preço considerado justo em uma economia de mercado por um bem que vai tornar as pessoas mais felizes e com espaços mais funcionais e criativos.

O que distingue um arquiteto realmente viciado pela profissão? O brilho no olhar. A alegria de criar. O considerar seu trabalho um prazer. E isso faz uma baita diferença no projeto final. Acreditem em mim. 
“Algum dia em qualquer parte, em qualquer lugar indefectivelmente te encontrarás a ti mesmo, e essa, só essa, pode ser a mais feliz ou a mais amarga de tuas horas.”
PABLO NERUDA
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Grupos criativos - equilíbrio entre realidade e inovação

2016/04/30

Construindo cidades mais seguras

Um dos maiores temores das nossas cidades tem sido o temor urbano. Medo da violência. Insegurança de sair às ruas que impede que cidadãos tenham uma vida mais prazerosa e usufruam de múltiplas atividades urbanas. Mas como construir cidades mais seguras? Quais as respostas que a arquitetura tem para isso?
É o que vemos nessa palestra TEDx onde a arquiteta Macarena Rau Vargas nos fala de forma resumida como o temor gera mais temor e como o resgate da confiança comunitária e o contato humano são fundamentais para tornar mais seguras nossas cidades. Mais gente nas ruas.
"Un modelo sostenible de seguridad ambiental a largo plazo requiere que se construya la confianza ciudadana en los barrios para lograr el encuentro y el contacto humano por sobre el encierro"(Fonte)

Ela cita cinco pontos que seriam:

  1. Vigilância natural - e mais que cercas, são as pessoas vendo as pessoas que cria essa forma de vigilância.
  2. Reforço territorial
  3. Criar marcas positivas nos espaços
  4. Manutenção
  5. Participação comunitária  

E é na participação do usuário que ela faz o chamamento para que os sonhos das pessoas ajudem a criar as suas cidades. 
“Es necesario construir una red social donde el ciudadano sea protagonista y no sea visto como objeto por las autoridades; se requiere una sociedad civil muy fuerte que exija y vigile, que las personas se reencuentren entre sí, que vuelvan a tomar la ciudad y saquen a la delincuencia de los espacios públicos”Macarena Rau Vargas
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2016/04/28

Aquarelas em Arquitetura

Fonte
Representação gráfica. Ferramentas poderosas na comunicação dos projetos com os clientes. Estamos acostumados a ver plantas baixas humanizadas, perspectivas digitais, algumas hiper realistas. Mas também podemos representar nossas ideias de forma quase poética. Aquarelando.
Fonte
Reuni alguns belos exemplos entre representações artísticas e de apresentação de projetos para ilustrar essa postagem. Embora não sejam a forma mais comum de expressão arquitetônica, eles nunca perdem em beleza.  
Fonte

Lembro com carinho das aulas de "fazer céus" em ecoline da época da faculdade. Adorava trabalhar com aquela tinta aguada. Naquela época a gente ainda usava bastante a aquarela para perspectivas de venda. 
Fonte
Com o advento da computação digital, essas técnicas meio que foram ofuscadas. Mas....
Fonte
E para quem quiser experimentar e aprender um pouco mais sobre aquarela recomendo um guia super prático que ganhei da Gustavo Gili. Além de mostrar vários truques e técnicas, ele ainda mostra uma coleção de pinturas de encher os olhos! Quem sabe a gente se anima e começa a aquarelar também.
Fonte

Aquarela - Inspiração e técnicas de artistas contemporâneos 
Helen Birch



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2016/04/27

Baterias velhas de smartphones iluminam residências rurais

Iluminar habitações e zonas carentes é um grande desafio. A energia solar é uma solução, mas sempre esbarra em custos. E se houver uma solução que una economia e reaproveitamento de algo que é descartado?

Pois existe. Sabem como? Com as baterias de ion de lítio de smartphones velhos.

Os smartphones são praticamente objetos de uso indispensável em nossas modernas sociedades. E tem uma vida útil bastante curta, cerca de três anos, antes que fiquem obsoletos. Mas suas baterias tem uma capacidade maior: cinco anos. Foi pensando nesses dois anos de energia posta fora que pesquisadores desenvolveram um modelo de reaproveitamento para gerar luz para casas rurais que tornou o uso de geradores solares muito econômico.  
O protótipo do sistema consiste de um painel solar e lâmpada LED 12V ligado a uma bateria contendo três Samsung Galaxy Note 2 baterias.
CRÉDITO: Diouf / Kyung Hee University

Show de bola! Como funciona isso? O pesquisador Boucar Diouf, da Universidade Coreana de Kyung Hee junto com a sua equipe teve a ideia desse programa de reaproveitamento que além de ser mais barato, ainda gera empregos. 

Segundo o artigo que li, "uma bateria de celular padrão, que tem capacidade de 1.000 miliamperes-hora, pode alimentar uma lâmpada de LED de 1 watt durante cerca de três horas, ou uma lâmpada de 0,5 watt - brilhante o suficiente para que alguém leia ou escreva - por cerca de seis horas. Quando ligado a um pequeno painel solar, esse sistema pode durar cerca de três anos sem qualquer manutenção."

Ele é feito em cinco etapas:
  1. recolhimento das baterias usadas
  2. teste e seleção
  3. montagem do sistema
  4. comercialização e instalação. 
O objetivo é que comece a ser implantados projetos pilotos no ano que vem na Africa.

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2016/04/26

Quando chega o frio

Quando chega o frio parece que a vida se renova. Explico: vivo em uma zona temperada de um país tropical. Antigamentente, muito antigamente, havia nessa terra tempos de quatro estações bem definidos.
Ao verão se seguia o outono. Ele estrava mansamente e nos dava tempo de fazer a transição entre o calor e a vida mais extra muros com a reclusão e o cair das folhas.
Outono sempre foi minha estação predileta. Mais que a primavera. Uma que, mesmo sendo uma criatura solar, não sou dos extremos. Meu caminho sempre foi o do meio. O equilíbrio.


(...)
Foi sempre meu desejo
ser aprendiz de Outono,
ser pequeno irmão
do laborioso
mecânico dos cumes,
galopar pela terra
repartindo
ouro,
o inútil ouro.

E outono tem a vantagem de não ter ventos como a primavera. Pelo menos não tantos e tão fortes.

Não gosto de ventos. Prefiro a calmaria.
Mas, amanhã, Outono, ajudar-te-ei, farei com que os pobres das caminhos recebam em folhas de ouro. Outono, boa montada, galopemos, antes que o negro Inverno nos impeça.
As cores do outono são especiais. Aqui no Rio Grande do Sul elas eram como postais. Amarelas, ocres, vermelhas...Verdes variados. Esmaecidos.
Longe de pensar que o outono é triste. Ele é como tempo da semeadura. Há que compreender que a terra precisa descanso. Assim como nós. O preparo para o inverno.   
E as nossas casas, assim como nós, vão se travestindo de mantas, almofadas mais fofinhas, texturas mais aconchegantes. Nossa alma precisa de toques mais acolhedores. Voltamos um pouco mais para dentro.  
Bons livros. Bons vinhos. Boas companhias. O frio, longe de nos fazer adormecer para a vida, nos acende fogueiras de busca de contatos. O frio nos abastece muitas vezes. Precisamos de comidas com mais substância. Precisamos de elementos mais marcantes. 


É duro o nosso trabalho.Vamos amar a terra e ensiná-la a ser mãe, a guardar as sementes que no seu ventre vão dormir cuidadas por dois ginetes vermelhos que correm pelo mundo: o aprendiz do Outono e o Outono.

Talvez isso explique o fascínio que os primeiros declínios da temperatura são recebidos. Com a secreta alegria dos velhos amigos que chegam. Mesmo que por pouco tempo.
Assim das raízes escuras e ocultas poderão sair bailando a fragrância e o manto verde da Primavera.
 Neruda, Pablo, Odes Elementares

Imagens: 

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2016/04/25

Das leituras - Alain de Botton e Porto Alegre

Que país é este que vivemos? Como são seus habitantes? Devemos nos sentir amedrontados ou tranquilos, orgulhosos ou envergonhados?
Alain de Botton, o mesmo que escreveu aquele livro que virou best seller, A Arquitetura da Felicidade, também escreveu um livro, que estou lendo, chamado Notícias, o Manual do Usuário. Ele é bem interessante e recomendo a leitura, especialmente para entender como a maneira como a informação nos é apresentada pode influenciar nosso entendimento do mundo. Particularmente gosto da noção de que se deve ter uma visão mais histórica dos fatos. Ou seja, devemos filtrar as coisas que lemos e vemos por uma perspectiva mais ampla e não apenas nos fatos presentes e na visão de quem os apresenta.

Em um dos capítulos iniciais, o autor nos faz a pergunta com que iniciei o texto. E nos dá como resposta que existem duas ferramentas que nos ajudam a formar impressões sobre as comunidades onde vivemos. Uma é obviamente os noticiários, razão de ser do livro.

A outra? A arquitetura.
As aparências das ruas e casas, dos escritórios e parques de um país se combinam para configurar um perfil psicológico daqueles que os conceberam e neles habitam. 
Será realmente? 

O que diz sobre Porto Alegre termos uma rua que é tão cuidada por seus habitantes que recebeu a alcunha de "a mais bonita do mundo" de um blogueiro português? E saber que eles bateram pé e foram chamados de "inimigos da cultura e do progresso” por que não quiseram que um grande edifício garagem fosse ali construído.    
Gonçalo de Carvalho - Fotos : Elenara Stein Leitão
O que diz de Porto Alegre aprender que ela foi fundada por 60 casais de açorianos e que era chamada de Porto dos Casais. Muitos anos depois de aprender esta história no colégio, fiz amizade com um açoriano via internet. Ele me mostrou suas ilhas em um passeio virtual via Google Earth. E só aí fui dimensionar de onde realmente vinham aquelas pessoas. Lá do meio do Oceano, deixando seus paraísos, suas terras, suas famílias para vir aqui, fazer uma nova vida e trazer sua cultura que, conversando com meu amigo português - Casimiro Valério - vi que que era ainda muito presente. Na língua, nas danças, nas expressões. E o nome de Porto Alegre ganhou outro significado, pensando talvez na esperança de novas vidas para aqueles antepassados tão corajosos. 
Porto Alegre Fotos : Elenara Stein Leitão
Dá para conhecer Porto Alegre passeando pelo seu Centro Histórico, reconhecendo seus pedaços, quase um mosaico de prédios com arquiteturas de épocas diversas? Mas que se reúnem em uma harmonia tão peculiar que nem sempre parece esplêndida aos olhos desavisados dos turistas. 
Centro de Porto Alegre Fotos : Elenara Stein Leitão
Confeitaria Rocco - Fotos : Elenara Stein Leitão
Olhando seus retalhos dará para dizer que como somos, nós os que elegemos Porto Alegre como nosso lar?  A cidade tem verde, tem água, tem história. Mas também tem mistérios e segredos que não se revelam sem um esmiuçar mais profundo. Não, o Porto Alegrense não se caracteriza pela abertura sorridente e nem pelos tapinhas nas costas ao primeiro contato. Nem no segundo ou terceiro. A menos que goste muito da pessoa. Será que a arquitetura da cidade revela a timidez de seus habitantes. Ou a sua precaução ao contato mais privado?....
Rio Guaíba - centro de Porto Alegre Fotos : Elenara Stein Leitão
Sim, nosso céu é espetacular. Nossa natureza é generosa com suas cores, matizes e nos orgulhamos de nosso pôr do sol. Em nenhum lugar do mundo, ele é mais belo do que aqui. 

Bairristas, nós???? Imagina....
Por do sol em Porto Alegre - Fotos : Elenara Stein Leitão
As praças de Porto Alegre tem mais que árvores imensas. Elas tem cultura. Elas reúnem pessoas para ler. O que diz sobre nós, seus habitantes, o orgulho de termos uma das maiores feiras de livros ao ar livre?   
Memorial RS - Fotos : Elenara Stein Leitão
Da feira na praça à casa do poeta que era originalmente um hotel. Hotel onde meus pais passaram sua lua de mel....
CCMQ - Fotos : Elenara Stein Leitão
Uma cidade que tem bairros tão marcantes e com vidas tão próprias. Um deles, meu preferido desde sempre, tem ainda seus prédios de alturas reduzidas - até quando não sei....Urge resguardar sua memória
Feira no Bom Fim - Fotos : Elenara Stein Leitão
Canteiro no Bom Fim - Fotos : Elenara Stein Leitão

Av. Osvaldo Aranha no Bom Fim - Fotos : Elenara Stein Leitão
"Construímos pela mesma razão que escrevemos: registrar o que é importante para nós."
Cá entre nós, o Alain de Botton é um autor leve. O livro sobre a imprensa é digerível, claro e a sua visão tem muito a ver com a minha. Já a Arquitetura acho um pouco mais misteriosa. Um tanto mais complexa em suas propostas, conceitos, nuances.

Não tenho muito claro que se consiga uma visão tão clara da personalidade de seus habitantes por mosaicos de espaços. 

E vocês, o que acham?
Atrás do Arco Iris sempre se esconde um tesouro. Ou vários....
Foto : Elenara Stein Leitão
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