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2015/04/24

Earth House - arquitetura holística

Uma casa integrada à paisagem. Uma casa que se mescla e onde os espaços permeiam a beleza. Quando se fala em arquitetura holística para conceituar esse projeto se deve lembrar da definição clássica do termo que seria: a
"tendência da natureza de usar a evolução criativa para formar um "todo" que é maior do que a soma das suas partes". Pois foi justamente o que os arquitetos da Jolson Arquitetura Interiores fizeram nessa casa australiana onde a arquitetura formal, de interiores, paisagística e o desenho do mobiliário se unem e formam uma perfeita harmonia.  
© Scott Newett & Earl Carter
© Scott Newett & Earl Carter

O projeto foi uma resposta aos anseios do cliente que pedia um projeto que lhe remetesse à sua memória afetiva de aldeias europeias. Os arquitetos deram a sua resposta em forma de uma construção contemporânea mas que mantivesse o mesmo clima pedido. 
 
A Earth House, ou Casa da Terra, usou materiais locais, fazendo uma habitação de fácil manutenção, construída principalmente de taipa, usando uma rocha local esmagada. Esse material responde muito bem ao ambiente de maresia onde a casa se localiza. Com uma vista deslumbrante, diga-se de passagem. 

Os círculos em vegetação crescem e servem de referência aos vários espaços da casa, feitos em módulos que são unidos por corredores como se fossem uma rua por onde os caminhos se fazem, em um belo jogo de luzes, ar e descobertas.
Acho esse recurso muito interessante. Usar a circulação que, normalmente é um espaço apenas de passagem e considerado quase perdido, como um espaço mais rico e completamente inserido na natureza e construção. 


As fachadas foram concebidas de acordo com a orientação solar. Uma como uma grande banco térmico recebendo o sol da tarde. O pátio interno, também um belo recurso em regiões de muitos ventos, protege e permite que a luz entre no interior das áreas de estar.

© Scott Newett & Earl Carter

© Scott Newett & Earl Carter

© Scott Newett & Earl Carter
Uma casa que reforça minha concepção de que a Arquitetura pode mesclar referências afetivas sem precisar ser um pastiche do passado. Pode ser uma resposta ao meio ambiente e suas condições peculiares e ser criativa e única.

Fotografia: Scott Newett, Earl Carter

2015/04/23

Um livro para perder o medo de desenhar

Livros.

Eles e eu sempre uma história de amor e fascinação. Aprendi a ler vendo meus pais lendo. Já falei dessa relação em como os livros ficavam ao nosso alcance desde crianças AQUI . E vejam aqui uma lista dos dez livros que marcaram minha vida.

Pois 23 de abril é o dia do Livro. Gozado, dia do livro. Todo dia é dia do livro, todo dia é dia de ler. Ora pois! 

Esse ano vou falar de outra coisa. E de outro livro. Uma outra expressão tão importante quanto a leitura. O desenho. E me veio à mente hoje porque virou moda livros de colorir para adultos. Confesso que não me fascinam muito. Mas me dei conta que deixei de lado um hábito que tinha desde pequena. Desenhar. 

Não, não o desenho técnico de arquiteto. Ou os rabiscos de ideias de projeto. Mas os desenhos por prazer. Me dei conta que já fazia desenhos de observação desde muito pequena. Tenho a sorte de ter tido um pai que se preocupava em guardar toda a produção de seus pimpolhos, então hoje é só ir no seu arquivo, abrir a minha página pasta (ato falho) e me deparar com algo como isto:
Ou este outro já pelos oito ou nove anos. Tanto um quanto o outro mostram facetas de minha casa. Aos seis anos, a TV, novidade tecnológica que chegava - e estou falando de 1963 - e a minha mãe desempenhando tarefas domésticas, acho que batendo um bolo. Na outra reproduzi a sala de estar de nosso apartamento em Porto Alegre, com uma cadeira que imitava uma Bertoia e a sacada com seus elementos vazados ao fundo. 
Depois eu passei para uma fase de copiar gravuras de livros. Em geral de história. Foi uma época bem produtiva. E amava fazer isso.
Esses são desenhos de 69/70. Já pré adolescente com 12/13 anos. Não me lembro de fazer desenhos próprios, talvez já estivesse muito influenciada pelo mundo castrante e tivesse esquecido de olhar o mundo com meus próprios olhos, ou desenhá-los....

Passando essa etapa, eis que entro na faculdade de Arquitetura. Sem noção de desenho técnico. Apenas com essa capacidade de copiar. E que já não era desenvolvida porque o desenho passou a ser secundário em meio a tantas outras matérias do vestibular. 

Não pensem que foi fácil. Lá me fui eu a tentar entender o que seriam os tais pontos de fuga. E o que era pior, em meio a colegas que desenhavam bem melhor que eu, comecei a ficar um tantinho mais tolhida. Mas ainda assim saía tentando aprender. Querem ver como era no começo???
Duro, né...não muito diferente de vários estudantes que vejo começando. E aí chego ao ponto que eu queria. Não é preciso ser um artista do desenho para ser um arquiteto. Saber se expressar graficamente é uma ajuda e tanto. É preciso sim, ter noção de espaço, de perspectivas, de proporções. Um arquiteto não pode ter medo de traçar, mas não necessariamente tem que ser um artista do desenho. 

E o mais bacana. Desenho se aprende! O principal é deixar o medo de lado. E aqui chego ao livro que queria mostrar para vocês (e jurava que já tinha falado dele aqui). Chama-se "Desenhando com o lado direito do cérebro" de Betty Edwards.
E ele parte de um principio simples e direto. Não desenhamos bem porque tendemos a usar muito o lado esquerdo de cérebro que é mais racional, mais cheio de regras e pré- conceitos. E propõe uma série de exercícios onde usamos mais o lado direito. E com isso damos um nó nos medos. E sabem que funciona? Um dos exercícios que me lembro é de copiar uma figura de cabeça para baixo. Pode parecer surreal, mas é muito mais simples e ela ficou no meu caso mais fidedigna do que se a desenhasse da maneira tradicional. 

E a grande lição do livro é: faça diferente de vez em quando. Olhe de outro jeito. Desenhe de outra maneira. Use cores que não pensava usar. Tente. Ouse.

E então me deu essa vontade de voltar a desenhar. Mais livre. Sem me preocupar com a forma. Se vai ficar perfeita ou bonita. Desenhar só para me divertir. Bem parecido com ler. Sim, porque através da leitura, aprendemos e nada mais prazeroso que abrir a mente!

Bom dia do livro! Qualquer livro.

2015/04/21

Casa Zen e Sustentável - uma Caixa de Joias

Sabe quando seus olhos se encantam com um projeto? Pois é, os meus se encantaram com essa casa localizada em Lausanne, na Suiça e projetada por
Felix Bonnier e companhia. 

Com cerca de 300 m2, ela se apresenta como um volume interessante, mas ainda vedado aos olhos que chegam.


O conceito do projeto levaria a um espaço zen, que se abrisse aos poucos e se desvendasse à natureza que a circunda. Ao mesmo tempo que respeitasse os parâmetros de eficiência energéticos locais. 



Além de utilizar materiais reciclados de concreto, aço e madeira como estrutura, é revestida por paredes e telhados verdes que se unem aos outros revestimentos, entre eles aço corten e grandes volumes em PVC verticais, formando um conjunto muito harmonioso.    

 

A casa ainda usa energia solar e geotérmica tanto para o conforto térmico como para geração de eletricidade.


Como uma caixa de joias que se abre e revela tesouros, essa casa se revela ao olhar sob uma camada de um belo e variado jardim, o que a torna ainda mais fascinante e acaba por lhe dar o nome: Villa Jewel Box
Fonte

2015/04/20

Arquitetura comprometida e solidária - veja exemplos

"Solidariedade e Cooperação são as palavras chaves para ajudar o mundo a ter um futuro melhor. No nosso Post de hoje contamos a história de 10 pessoas que estão ajudando algumas comunidades pelo mundo a ter uma vida um pouco mais digna. Quer conhecer essas histórias? E que tal passar adiante esses exemplos para seus leitores também?"

Um convite imperdível feito pela Ana Camila não é verdade? Eu acredito firmemente na atuação da Arquitetura como ferramenta para impulsionar transformações no mundo. E fui lá conferir a postagem sobre Arquitetura solidária: construindo um mundo melhor e vi projetos maravilhosos! 

Um orfanato para crianças desfavorecidas no Quênia, projeto do Orkistudio
O superadobe, sistema construtivo criado por Nader Khalili, que é super barato e indicado para regiões com abalos sísmicos. 
Um edifício multidisciplinar no Quênia que serve de escola, local para reuniões e recolhe a água da chuva para um poço. Projeto de  Greg Elsner
Escolas móveis na Birmânia. Projeto de Amadeo Benetta e Dan La Rossa
Uma comunidade de mini casas para pessoas sem teto. Um projeto que leva o nome de Quixote Village
Casas de areia na África do Sul (Leia AQUI uma postagem sobre um projeto premiado que utiliza essa tecnologia na África do Sul)
A cooperativa 1 Week 1 Project fez a proposta da reutilização de estádios de futebol da copa no Brasil para habitações populares. Uma ideia por enquanto, mas que pode ser uma saída interessante para espaços subutilizados. Leia AQUI um projeto que foi feito na Africa do Sul de centros de treinamento para jovens do continente.
Uma ponte que é ao mesmo tempo um centro de educação na China. Projeto de Li Xiaodong.
Um convento de bambu, um material versátil e barato. Projeto de Enrique Mora no Equador
Casas de papelão de Shigeru Ban
Um banco para quem não tem teto

Bacana não é verdade? E o mais bacana é que são apenas alguns exemplos de uma atuação de solidariedade e comprometimento dos arquitetos com problemas sociais e com um mundo mais sustentável e voltado às necessidades humanas. Vai lá ver a matéria inteira no Habitissimo

Quer mais exemplos? Veja AQUI
 

2015/04/19

Arquitetura de mulheres para mulheres - empoderamento feminino em áreas carentes


Empoderar mulheres vítimas de guerra em Ruanda, na Africa, através de um projeto feito por uma mulher, em colaboração com a organização humanitária Women for Women International usando técnicas construtivas locais resultou em um belo conjunto arquitetônico, um centro comunitário multiimun que foi vencedor de um prêmio de Arquitetura em 2015, no quesito comunidade.

Segundo as palavras da coordenadora da equipe da Sharon Davis Design, a ideia basica foi criar uma espécie de aldeia, através de" uma série de pavilhões de escala humana aglomerada para criar segurança e comunidade para até 300 mulheres." 

Essa aldeia oportuniza trocas comerciais, permite que as mulheres aprendam habilidades que gerem renda, há espaço para agricultura de subsistência ao mesmo tempo que resgatam a cultura local. Além de alimentos e artesanatos, também podem vender água potável que é colhida nos telhados dos prédios. (Aqui falo de outro projeto para recolhimento de água que mostra bem a importância dela onde é escassa. Coisa que nós, que a temos em certa abundância ainda mal começamos a imaginar)

O projeto foi feito sobre uma extensa pesquisa sobre o local e cultura locais. Os 450.000 tijolos que usaram material local foram prensados manualmente pelas mulheres com técnicas adaptadas da cultura local. E nos locais de exposição foram erguidos sem janelas ou portas, mas com alvenaria entrelaçada de modo a trazer a luz e ar para o interior. Apenas foram usadas portas e janelas onde havia a necessidade de segurança, como nos edifícios da administração. Os telhados curvos foram projetados com ajuda de engenheiros especializados e recolhem água da chuva que é usada e o excedente pode ser vendido. A água recolhida é purificada por sistemas sustentáveis movidos a energia solar e armazenada para beber e cozimento.O prédio conta ainda com geração de energia solar, uso do biogás para cozinhar e aquecer água do banho.  

Mais detalhes do projeto podem ser vistos em Womens Opportunity Center em Ruanda.

Absolutamente maravilhoso, tanto em termos de pesquisa, envolvimento como de resultados. A Arquitetura é muito mais que formas soltas e bonita e sua função social vai muito além de fazer prédios bonitos. Ela pode ser uma atividade solidária e atuante em comunidades, ajudando a transformar realidades em projetos sustentáveis e que resgatem e valorizem as culturas locais.

Aqui outro projeto vencedor desse prêmio em 2014 e que segue a mesma lógica.  


 
 
 
 

Fotos do site Sharon Davis Design
Fonte

Women for Women International | Women's Opportunity Center | Kayonza, Rwanda from Fredric King on Vimeo.

2015/04/17

Energia Fotovoltaica - ferramentas para auxiliar a instalação

Usar os raios do sol para gerar energia de forma limpa já é uma realidade. Poder fazer com que o excesso da energia possa ser lançada à rede e gerar créditos para quem a gerou também. Já falei sobre como as usinas fotovoltaicas já são uma realidade no Brasil

Pois achei um site onde se explica o que é a eletricidade solar de maneira bem simples. Primeiro com um vídeo bem rápido que recomendo assistir      
 
Além de vários artigos e dados sobre como fazer um sistema fotovoltaico, linhas de financiamento, etc, gostei particularmente de duas ações do América do Sol:
 

O Simulador Solar
Entrei com os dados da minha casa e da conta de luz e ele gerou um número aproximado de sistema fotovoltaico (gerador de eletricidade solar) para o meu caso particular. Veja na tabelinha abaixo.

Sistema Fotovoltaico
Capacidade do seu sistema (Potência) 4,5 kWp
Área ocupada pelo seu sistema* de 30 a 37 m2
Inclinação aproximada dos modulos 31°
Radiação sobre os módulos 71.631 kWh
Rendimento anual 1.233 kWh/kWp
Emissões de CO2 evitadas 1.620 kg/a
*Considerando a utilização de módulos de silício policristalino


Como seria seu consumo elétrico anual
Consumo Total 7,63 MWh
Seu consumo da rede elétrica 2,08 MWh
Sua geração fotovoltaica 5,55 MWh 



Olha só o quanto poderia gerar de energia para o sistema! Achei uma maneira rápida de se visualizar a vantagem imediata.

E outra ferramenta de apoio bem legal é uma cartilha educativa
chamada de O Guia de Microgeradores fotovoltaicos que, segundo o site, "é indicado para aqueles que pensam em instalar pequenos geradores de energia elétrica a partir do sol mas não sabem por onde começar."

 Clique AQUI para abrir o guia.


Bacana, não é mesmo? Muita gente se interessa pelo tema, tem vontade de instalar ou pensar em instalar um sistema desses em suas casas ou empresas e nem sabem como. Talvez seja mais fácil do que se supõem se a informação de como fazer começar a ser mais e mais compartilhada. Outras ações importantes são mais linhas de financiamento, uma vantagem via poder público em incentivos fiscais, maior educação da mão de obra tanto dos especificadores, projetistas e principalmente instaladores.


Um campo de muito futuro, sem dúvida.



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