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2016/07/23

10 Lições que aprendi na faculdade de Arquitetura

Recebo algumas correspondências falando de como os leitores gostaram dessa ou de outra postagem aqui do blog. E sempre fico super feliz! É tão bom ter retorno, não é verdade? Em uma delas, o Jadher me pede para falar de mais histórias da vida acadêmica. E embarquei nessa pergunta como se entrasse no túnel do tempo (tinha uma série assim na TV). E reuni aqui algumas lições que aprendi na faculdade de Arquitetura. E nem todas sobre Arquitetura.


Fonte
1- Fiz vestibular com 17 anos e caí em um mundo super novo. Universidade, gente andando para lá e para cá, cheios de grau e arrotando sabedoria, com livros de filosofia e autores importantes debaixo do braço. Uma das primeiras provas foi de metodologia científica. Era com consulta. Passei os olhos pela prova e de cara me pareceu que os livros e apostilas que podíamos olhar não traziam as respostas que o professor pedia. Com o rabo dos olhos vi meus colegas, toda a sala, olhando nos livros, consultando e escrevendo. Lógico que me senti uma burra. Mas fazer o que: aquilo não fazia sentido. Resolvi seguir a minha intuição e escrevi minha opinião. Saí da prova achando que tinha tirado 0. Para minha surpresa quem se deu mal foram os colegas. Eu tirei 10. E tive minha primeira grande lição: siga sua intuição e o seu conhecimento. A universidade não é caminho de decoreba. É de posição.

2- Uma das cadeiras eletivas era sobre expressão em recursos audiovisuais. O professor era tudo de bom, com ele fizemos um dos melhores trabalhos da minha vida acadêmica. Era sobre a vida em Brasília. Qual a formação dele? Advogado. E segundo ele, muito ruim já que colou toda a sua graduação. Mas se não fosse aquele diploma, não poderia estar nos dando aulas do que realmente sabia e gostava: cinema e expressão em artes visuais. Lição 2: se aprofunde no que gosta, mas sabendo que alguns caminhos e atalhos talvez tenham que ser traçados para se alcançar o fazer o que se gosta e ser remunerado por isso. 

3- Trabalho de campo em introdução à arquitetura: estudar três tipos de habitação, uma delas uma casa antiga em uma cidade satélite perto de Brasília. O dono da casa, um senhor, começou a nos falar dos métodos construtivos em adobe. O namorado de uma das colegas, aluno também de arquitetura, mas do quinto ano, nos alertou: prestem muita atenção à essa aula, ela é preciosa e vale muito. Lição 3: preste atenção à cultura local e a quem detém o conhecimento, mesmo que não seja um profissional. Mantenha sempre a humildade de aprender da fonte.

4- Mudança de faculdade. Saí da então segunda melhor faculdade de arquitetura (UnB) para a terceira (URGS). Quantas diferenças curriculares para se formar a mesma profissão! Na UnB aprendi a projetar sempre pensando na cidade, tanto assim que os nomes das cadeiras de projeto eram PEU (projeto de edificação urbana). Na UFRGS aprendi a projetar pensando em como a obra ia parar em pé, já que era, na época, uma faculdade com orientação mais técnica. Lição 4- Essas duas concepções me acompanharam sempre na vida profissional. 

5- Metade da faculdade quando deu o estalo: já reunia o cabedal de como pesquisar, como ir buscar o conhecimento. Lição 5: Se fosse bom, se fosse completo, ia depender de mim e da minha capacidade de trabalho concretizar um projeto eficiente.

6- Dentre os vários ensinamentos que colegas me trouxeram com os seus trabalhos, um me chamou a atenção: uma guria propôs no início da faculdade unir uma estrutura de ferro com telhas de barro. Era uma ousadia na época. Todos, inclusive professores, ficaram boquiabertos e questionaram. E ela tinha boas justificativas. Lição 6: quando propor algo, faça com embasamento. E se acreditar, toque em frente.



Fonte
7- Uma frase que ouvi de uma amiga psicologa: Aproveite para testar tudo o que quiser enquanto é estudante. Nessa época você pode errar. Como profissional, não. Lição 7: use a universidade para buscar conhecimentos e ousar. E aprenda a ser profissional quando se formar.

8- Vi professores reprovando gente com muita capacidade por um trabalho aquém de suas possibilidades, embora esse trabalho fosse melhor do que aquele do aluno que foi aprovado porque deu o melhor de si. Lição 8: professores não são aqueles tiranos ou queridos que a gente julga. São profissionais dando o seu melhor e isso significa também exigir de acordo com as potencialidades, por mais injusto que nos possa parecer. E eles nos preparam para a vida profissional com as suas críticas.

9- Lição 9 e de vida: a vida nem sempre é justa. E o mundo não é a nossa família. Quanto antes você se der conta disso, mais tranquilo e menos traumático será o seu caminho já que Arquitetura pode ser uma profissão estressante. Quem está na faculdade já é adulto, fazer mimimi ou ficar frustrado, magoado ou afins, só vai atrapalhar sua vida. 

10- Lição 10. O caminho é longo mas gostoso. Se não lhe der prazer a maior parte do tempo, repense. Se der, não vai ser por algumas pedradas e/ou derrapadas, que vai lhe derrotar. No final existe a vitória de seguir em uma profissão bacana, criativa e que trabalha com algo que muda a vida das pessoas: o espaço.


Por incrível que pareça, a gente fazia o projeto final sem computador.
Tudo na prancheta. Essa guria da foto um dia fui eu, sonhando com o canudo, em 1982....

E você? Que lições a faculdade te deixou?


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2016/07/22

Estúdio sustentável, funcional e poético

© Hiroyuki Oki

Com uma profunda compreensão da cultura vietnamita e clima, Tropical Space está comprometido com o uso de práticas de construção ambientalmente amigáveis ​​e seleção de material sustentável.

E é partindo desses conceitos que o estúdio de arquitetura vietnamita Tropical Space projetou o estúdio de um famoso artista local: 
Le Duc Ha. Um cubo de 7m x 7m x 7m. O Terra Cotta Studio.

Arte, sustentabilidade e meu número de sorte! Obviamente esse projeto tinha que me chamar a atenção. O nome já traduz muito da atividade do proprietário. 
© Hiroyuki Oki
 A concepção do projeto é extremamente funcional. Um cubo de tijolos de argila vazados e que abriga uma plataforma de  bambu com três andares que serve para secar os trabalhos do artista. No centro uma grande abertura ovalar onde a luz entra e inunda a oficia e uma área de relaxamento e tomada do chá. 

© Hiroyuki Oki
A concepção do projeto é ambientalmente pensada. A estrutura de tijolos vazados ajuda na ventilação e conforto térmico em um ambiente tropical.

© Hiroyuki Oki
 A concepção do projeto é poética. A estrutura de fechamento protege mas não afasta o artista da natureza e do entorno que lhe trazem inspiração.

© Hiroyuki Oki
A concepção do projeto é cultural. O projeto tem características da cultura Champa. 

A concepção do projeto é generosa. Subindo pelos andares e corredores as pessoas podem observar e desfrutar tanto da bela paisagem do entorno como da oficina do artista.  
© Hiroyuki Oki
A concepção do projeto é multisensorial. Com um valor simbólico da função, o local de trabalho do artista ocupa o centro do piso térreo e é o local onde se pode interagir com o significado da sua obra, escutar o seu sentido, observar as sombras e a luz.  

A concepção do projeto é previdente. Sendo uma região sujeita a inundações, as obras ficam resguardadas nos andares superiores. Mas ao mesmo tempo ficam à vista da luz e das pessoas.
© Hiroyuki Oki
 A intenção dos arquitetos era que o local espelhasse a emoção do artista e que as pessoas pudessem ter um contato maior com a sua arte. Acho que conseguiram. 

Localização: Dien Phuong, Dien Ban, Quang Nam Province, Vietnã
Área : 49 m² 
Arquitetos:  www.khonggiannhietdoi.com
Fotografias: Oki Hiroyuki

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2016/07/21

Casa de férias recoberta com redes de pesca

© Jannes Linders
Uma pequena casa de férias inspirada nos galpões que armazenam feno numa ilha holandesa chamada Texel. Quem disse que a Arquitetura precisa ser grandiosa para ser interessante? Uma pequena residência que usa sua forma como adaptação ao meio como a cultura local sempre fez, mas com uma linguagem moderna. E com algumas diferenças.

Os galpões são fechados e protegidos. A casa de férias é aberta e convidativa ao encantamento com a paisagem e a natureza. Aliás, esta interação entre o interior e exterior fazem todo o charme dessa pequena casa de 135 m2.

A estrutura da casa é de madeira e o telhado e fachadas foram recobertos com borracha e redes de pesca coloridas. 

(Via)

© Jannes Linders

© Jannes Linders

© Jannes Linders







Benthem Crouwel Arquitetos


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2016/07/20

Arquitetando sabores e memórias em Granada

É possível conhecer a Arquitetura sem saber a História e a Cultura de quem a projetou? Podemos passear impunemente por Palácios, Templos, ruelas e vielas de locais que admiramos sem passear também pela vida dos homens e mulheres que ali amaram, viveram, sorriram, lutaram e sofreram? Em cada arco, em cada ato, em cada traço existe intenção e existe memória.

Por isso fui para o Almoço Cultural no Studio Clio sobre Granada para conhecer mais que referências sobre a cidade. Fui para mergulhar um pouco na cultura e no porque ela é assim como é hoje. 
FONTE
Da história de Granada pouco sei. Cidade da Andaluzia, situada ao sul da Espanha. Hoje um país. Ontem um monte de reinos com suas línguas e hábitos próprios. O sul foi domínio islâmico por muitas centenas de anos e sua arquitetura reflete essa cultura. A arquitetura do islã tem características peculiares que refletem uma beleza de formas que a nós, ocidentais, fascina! Ela se caracteriza também pela riqueza de pátios internos onde a beleza se descortina com esplendor. E pela luz! Muita luz!
FONTE
Fico imaginando o que Granada significava para os reis católicos em torno de 1500. E agradeço do fundo do coração que tenham tido a sensibilidade de reconhecer a beleza acima das crenças religiosas e terem preservado as imensas riquezas construtivas da cidade.  
FONTE
A geometria perfeita, a não representação de formas da natureza, a valorização do interior e a estreita relação com a água são características marcantes da arquitetura islãmica.
Una parte importante del legado musulmán que no siempre está a la descubierta y es tan evidente es la construcción del jardín y sus fuentes donde experimentaron técnicas agrícolas y realizaron grandes avances en botánica e irrigación (Fuente: Merche S. Calle, Plantas de las tierras de al-Andalus, portal:www.ideal.es). El agua es un complemento básico de la arquitectura islámica. A su valor ritual y simbólico se une su función refrescante. La luz sirve tanto para modificar los elementos decorativos como para crear otras formas ornamentales. Ambos incrementan el dinamismo de la decoración y aumentan el impacto visual de los monumentos (Fuente: Elena Sarnago Notivolo, La Decoración en el arte Islámico, portal: clio.rediris.es) (Fonte)
FONTE
Na Arquitetura Islâmica, a planta do edifício apresenta-se como um conjunto de retalhos, onde cada espaço possui sua própria natureza geométrica. O resultado é uma planta sem um centro regulador, sem uma simetria uniforme, onde cada porção de estrutura estabelece sua própria ordem. A planta do Palácio de Alhambra, localizado em Granada, na Espanha, ilustra bem essa ideia: é a união de quadrados, retângulos, octógonos, dispostos em diversas escalas e ângulos, formando um todo harmonioso. Citando Christopher Alexander [iv]: “(…) the Alhambra (…) a marvel of living wholeness. It has no overall symmetry at all, but an amazing number of minor symmetries (…).”(ver figura 05 – Alhambra Palace Plan) (Fonte)

FONTE - Planta do Palácio de Alhambra
Fico imaginando a riqueza de uma cidade que traz em si a memória cultural de três importantes culturas: mouros, cristãos e judeus. Em cada um uma crença que levou também a criações arquitetônicas. Admira-las, sabendo de onde vieram, só nos acrescenta.

No almoço fiquei sabendo sobre a Granada e origem do nome: uma fruta. Não riam, eu não sabia que a nossa romã se chamava Granada na Espanha e que era tão representativa a ponto de estar representada em coluna e no brasão do país.

E sobre a culinária fiquei com uma dúvida: como o porco não é servido nem na culinária judaica nem islâmica, qual a sua origem como representativa da região? 

Almoço Clio | Granada

Palestrante María del Carmen Martínez Chico e culinária de Carine Tigre
Poetizada por García Lorca e esmiuçada por Gerald Brenan, Granada encantou, ao longo de sua história, a califas e a reis, a nômades ciganos e a ilustres viajantes internacionais. Localizada entre o mar e a montanha e orgulhosa de sua herança muçulmana, judia e cristã, talvez mais que nenhuma outra cidade, Granada é o lugar onde o tempo e o espaço se fundem. Tal é a sua beleza, que a lenda conta que, em 1492, Boabdil, o último rei de Granada depois da tomada da cidade pelos Reis Católicos, chorou ao dirigir-se o caminho do exílio. Hoje, a alma apaixonada de Boabdil sobrevive na Alhambra, no Albaicín, em cada canto granadino e, sobretudo, em cada um dos viajantes que, ao abandonar a cidade, viram a cabeça para ver o que deixam para atrás. 

Entrada
Habas con Jamon (salada de feijões com presunto e ovos) - Gentem!!! Uma delícia, tenho que aprender a fazer essa salada. Juro que não consigo esse ponto do feijão para salada, quem souber um macete, me ensine!
Principal
Cerdo com patatas a lo pobre (porco assado com batatas e pimentões ao azeite de oliva) - O tal do porco que eu quero saber qual a origem como prato típico. estava bom, mas eu não sou muito adepta de comer "parente" então apreciei mais as batatas que estavam no ponto!
Sobremesa
Tocino de cielo (flan com calda de frutas secas) - Lendo que era flan, não dei muito valor (não gosto de pudins e flans), mas superou minhas expectativas.
E por fim, um passeio sobre a água e sua relação com Alhambra. E para quem quiser conhecer mais o palácio, clique AQUI


Fotos do almoço: Elenara Stein Leitão

Outras experiências culturais no Studio Clio - Veja AQUI

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2016/07/19

Bamboo House: uma casa passiva certificada na França

Esta bela casa em uma região francesa tem uma peculiaridade que a fez receber a certificação de casa passiva: Uma segunda pele em bambu.

O bambu é um material bastante usado na construção e nesse projeto do escritório de Karawitz Architecture foi usado como um revestimento que protege e se abre de acordo com as conveniências de clima e insolação, fazendo com a casa esteja isolada no frio e também protegida das altas temperaturas no verão. Solução aliás bem desejável no clima mais meridional brasileiro. 

Formalmente a solução encontrada pelos arquitetos é inspirada nos tradicionais celeiros da região.

Ficou curioso e quer saber mais detalhes da construção? Veja AQUI









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2016/07/18

Uma padaria minimalista - Bread and Butter


Sou uma pessoa apaixonada por pães. Resisto aos doces, mas decididamente o ato de fazer e comer um pão deliciosamente quentinho me arrebata! Já compartilhei com vocês minha receita de como fazer pão.

Aliás esse foi um desafio que superei em minha vida. Como boa ariana de signo não sou paciente e o ritual do preparo, espera do crescimento e cozimento me pareciam levar séculos!

Mas eu sempre associo padarias à ambientes cheios de madeira e um ar de casa de vovó. Sei lá, com muitos móveis e coisas penduradas. Uma coisa meio italiana creio. Italiana da imigração brasileira, diga-se de passagem.

Imaginem minha surpresa ao ver esse projeto da Bread and Butter em Hong Kong. Projeto do studiobium para uma padaria artesanal. É completamente minimalista! Talvez a constituição dos pães (água leve, farinha orgânica e manteiga sem sal) explique o conceito que parte de um pátio central com poucos elementos e materiais. E uma solitária vegetação em busca da luz.



Interessante? Inusitado? Surpreendente? Tudo ao mesmo tempo. E elegante. Gostaria de vista-la. E vocês?


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