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Postagem em destaque

10 Lições que aprendi na faculdade de Arquitetura

Recebo algumas correspondências falando de como os leitores gostaram dessa ou de outra postagem aqui do blog. E sempre fico super feliz! É ...

2017/01/22

O Velhão, a Véia e o resgate do passado

Já falei várias vezes que sou uma fissurada pela História e talvez essa fosse minha segunda opção de profissão. Saber o que houve antes de nós, como as pessoas reagiram e como aconteceu o que aconteceu é das lições mais valiosas para conhecer os seres humanos. Porque digo e repito sempre: a tecnologia evolui mas a humanidade e suas paixões permanecem as mesmas...

Então imaginem como achei interessante saber desse espaço em São Paulo onde amigos foram almoçar. Primeiro porque uma metrópole (cada vez mais cinza) como a capital paulista sempre me esconde surpresas que me fazem ama-la. Apesar de. 
"....Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso"
   
 O Velhão e sua inusitada história. Que começa na vontade e desejo (são o mesmo?) de alguém que curte o passado. E o resgata na forma de objetos. Tanto o faz que acaba virando um negócio e para isso compra uma gleba de terras no "meio do nada" que era a região da Cantareira na ocasião. 
 E da primeira gleba e das outras que se sucederam nasce um "centro comercial" que perdura após sua partida desse plano. Sua mulher administra então o negócio e como a sua comida é elogiada, surge um local de gastronomia e ela assume o apelido de Véia.
 As fotos dessa postagem foram tiradas por meus amigos para me passar uma noção do que é o lugar ( e já me despertar a vontade de conhecer em uma próxima viagem à São Paulo). 
Pelo que pude apurar, não existiu um projeto formal e os ambientes parecem ir acontecendo em uma complexa harmonização que lembra como a natureza faz em suas caprichosas criações que parecem fugir de um planejamento mais formal. E esse é justamente o seu charme maior...

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva


 Saiba mais sobre o Velhão AQUI

Trechos da música Sampa de Caetano Veloso são citadas no texto




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snapchat: arqsteinleitao 

2017/01/17

Casa criativa premiada - Murphy House (Casa do Ano RIBA 2016)


Este é pior que eu...Mal consegue passar pelas escadas, cria aberturas escondidas até onde não carece, mas tudo absolutamente primoroso, finamente acabado! Oscar Muller
Assim me chegou o email do colega Oscar (e já falei dele em um arquiteto de primeira) com um link para um vídeo no you tube. Como conheço os projetos do Oscar e sei que ele cria coisas fantásticas em espaços que se transformam, fui conferir e eis que encontro essa casa - A Murphy House, localizada em Edimburgo, e projetada por Richar Murphy ( e segundo li inspirado no trabalho do arquiteto italiano Carlo Scarpa - que aliás merece um estudo mais aprofundado).


O vídeo mostra um projeto cheio de detalhes e espaços inesperados e bem bolados. Tanto que recebeu o prêmio de Casa do Ano 2016 pelo Instituto Real de Arquitetos Britânicos.
"A Murphy House é o melhor exemplo deste ano de como superar restrições desafiadoras - do planejamento de restrições e um local estranho em um local urbano - para construir uma casa deslumbrante. Parte quebra-cabeça, com seus espaços ocultos e inesperados, e parte Wallace e Gromit com suas peças em movimento e paredes desaparecendo, esta é uma casa modelo de perfeição pura e um vencedor digno da casa RIBA do ano de 2016." (Fonte)
 
Uma casa que levou quase dez anos sendo construída. E obteve uma licença especial do Conselho de Municipal de Edimburgo em decisão que não foi unânime na época. Sobre a liberação disse o arquiteto:
"Esta decisão sublinha que os conselheiros de Edimburgo - embora talvez nesta ocasião, não os seus responsáveis ​​pelo planejamento - tomem uma atitude progressista em relação ao contínuo aperfeiçoamento do patrimônio mundial com um design sensível e contemporâneo de alta qualidade". (Fonte)
Com estrutura em aço, a casa de 165 m2, está localizada em um lote considerado estranho e em área de patrimônio histórico da cidade. 

O telhado inclinado é feito de vidro com células fotovoltaicas e serve tanto para prover iluminação como captar energia do sol e conta com mecanismos de regulação para que o telhado seja fechado ou aberto conforme a necessidade do clima.  
O que fascinou o juri (e eu mesma) foram os elaborados detalhes de espaços que em cada um dos cinco níveis da casa, sempre reservam uma surpresa, seja em forma de vãos de iluminação, seja em espaços que se movem e se transformam.   
É o tipo de projeto que mostra que uma casa não se faz só de paredes e que a criação dos espaços internos é inerente ao ato de projetar. Como tratar a ambientação como um adendo a ser feito em tempo posterior? Como criar um conceito de casa, sem atentar para os detalhes que comporão sua arquitetura interna? Não concordam?





Fotos © Keith Hunter.

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2017/01/14

Gosto não se discute! Não?

Gosto é gosto e é coisa pessoal. Afinal o que seria do amarelo se todos amassem o fúcsia, não é verdade?

Não, essa coisa de respeito ao gosto alheio parece cada dia mais distante nesses tempos nossos tão mais sectários onde clicar em um polegar para cima ou em uma carrinha brava é tão simples. 
E embora haja mais liberdade para que cada um expresse o seu estilo em sua casa ou negócio, ainda há algumas "normas" que definem o que é elegante do que é considerado kitsch


kitschque se caracteriza pelo exagero sentimentalista, melodramático ou sensacionalista, freq. com a predileção do gosto mediano ou majoritário, e pela pretensão de, fazendo uso de estereótipos e chavões inautênticos, encarnar valores da tradição cultural (diz-se de objeto ou manifestação de teor artístico ou estético)."literatura, pintura, decoração k." 
Fonte

Mas afinal, o que é esse tal de bom gosto?

Para mim o que distingue o “mau” gosto do bom gosto é a falta de conteúdo. É a falta de verdade. A Arquitetura não é diferente da vida da gente, brilho falso pode até agradar, mas não dura. Vira coisa datada como se vê tanto por aí. Um móvel, um revestimento, um ornamento que é moda uma temporada ou duas, mas não fica. É datado. Os clássicos, os estilos de verdade, permanecem. (Elenara Leitão)
E embora haja poucas dúvidas quanto ao acerto do uso de peças clássicos - e por isso são normalmente escolhidos para ambientes de uso público, sejam privados ou pertencentes aos Estados - há quem não goste delas por ene motivos. Já ouvi falar de gente que achava que o quadro tinha que combinar a cor com a mobília. Ou que um determinado estilo não é condizente com o seu gosto pessoal. 
Quando o ambiente é privado sou a favor de total liberdade. Cada um faz com o seu orçamento o que lhe dá mais prazer. Quando é privado mas de uso público, uma empresa, por exemplo, talvez seja interessante levar em conta outros componentes que passem a imagem do negócio. Uma firma de advogados em tons de rosa talvez fiquem bem no filme Legalmente Loira, mas talvez soe estranho para quem trabalha com clientes de perfil mais conservador.  
Fonte
Quando o prédio é público falamos de bens que pertencem ao povo. E por mais abstrata que essa palavra possa parecer, ela é custeada pelos impostos. E impostos todos sabemos a origem. E nesse caso sou bem mais rígida. Acho que deveriam ter normas para mudanças. E vou contar uma experiência pessoal para que entendam porque penso assim desde adolescente:

Morei em Brasilia nos anos 70. Meu pai trabalhava em um órgão estatal e fomos morar em um apartamento funcional. Para quem não sabe o que é isso, é um imóvel que pertence a um órgão público e que é posto à disposição de uma pessoa que está trabalhando para aquele órgão. Por um tempo determinado, leia-se. Mesmo na época da ditadura havia uma alternância de pessoas no poder. O apartamento onde fomos morar tinha uma decoração estilo nordeste brasileiro. Era muito interessante! Cadeiras de couro diferentes, uma mesa imensa com tampos de azulejo. Diferente do gosto sulista de quem assumiu o poder ali. Ordem de cima: tira tudo e decora de novo. Lembro que meus pais tentaram ficar com o que tinha ali, que era muito bom, não estava estragado e mesmo não sendo nosso gosto pessoal, era perfeitamente viável para quem ia morar ali por poucos anos. Conseguiram ficar com um pouco, mas como já tinha sido feita uma compra em uma loja local, os móveis de antes foram para um depósito(!). Isso incluiu eletrodomésticos. Tudo para o tal depósito. Anos fiquei pensando em como ele seria? Não aproveitariam de novo? Ficaria tudo lá mofando? Não existia liberdade de imprensa, ninguém podia fiscalizar de fora....

Então quando vejo hoje que se trocam os móveis, tapetes, enfeites simplesmente porque não são do gosto de quem não é o dono sozinho, não gosto. Quando se coloca um adendo nada a ver em um jardim tombado de um bem público, não gosto. Um bem público não pode ficar sujeito ao gosto pessoal de quem lhe habita. Ponto. E aí sim, discuto o gosto. E acho que se não houver regras que definam o que pode ou não ser modificado, elas devem ser feitas. Se existirem devem ser obedecidas.     

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2017/01/09

O dia que esbarrei em Carlos Bratke

Entre as noticias de partidas desse plano - e são tantas que a gente mal tem tempo de respirar, que já parte outro. Hoje foram Zygmunt_Bauman ( "Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar") e Carlos Bratke

A arquitetura seria a antítese da liquidez que não perdura. Teoricamente o arquiteto vive de erigir. De tornar perene. De fazer um sonho acontecer de forma concreta.

Quando enfim me formei, lá pela década de 80, eu tinha meus ídolos. Um deles era Carlos Bratke.
Ele tinha uma ousadia, uma maneira de expressão que eram para mim, na época, muito inspiradoras. Tinha uma secreta vontade de trabalhar com ele. Dessas vontades que ficam guardadas dentro da gente. Principalmente quando a gente aqui não é atirada e não vai bater na porta dos ídolos com a cara e a coragem (e a produção da faculdade que era a única coisa que tinha para mostrar). O tempo e a experiência me mostraram que isso nem é loucura. Que muitos profissionais curtem quem é ousado e que a única coisa que pode acontecer é levar um não na cara. O que por si só já é igual a não fazer nada.
   
Residência em Brasília II / Carlos Bratke /Imagem: Joana França
Enfim, fiquei acompanhando a produção do Bratke de longe. Nesse meio tempo fui conhecendo mais a trajetória de seu pai, Oswaldo Bratke, e me encantei pelo seu processo de trabalho, pela sua preocupação com o bem estar dos usuários.

Uma residência não é verdadeira pelo impacto que possa provocar, mas por seu conteúdo. É o ambiente em que a pessoa, mesmo só, não se sente desamparada.  Oswaldo Bratke

Fonte
E fui mudando o foco da forma do filho para o conteúdo do pai. Fui achando outros ídolos dentro da Arquitetura. Até que um dia esbarrei (literalmente) em Carlos Bratke...

Mas não da forma como gostaria de ter feito. Estava em uma Bienal em Buenos Aires (a mesma onde vi uma palestra de Zaha Hadid e fiquei no mesmo hotel de Eolo Maia). Era uma exposição de obras de arquitetura e eu, super entusiasmada, me afastei para fotografar um painel e dei um encontrão na pessoa atrás de mim. Que obviamente não gostou e expressou em alto e bom som. Sim. Era Carlos Bratke.  

(Por coincidência todos morreram cedo. E em plena produção)    
Fonte
 Há momentos em que ou se transforma o limão em limonada (puxa!!! Tu é Carlos Bratke!!! Sou super tua fã, te admiro demais, etc, etc) ou se enterra o sonho de outrora em um buraco que se abre no chão e nos engole em vergonha pura. (adivinha qual a minha escolha...)
Fonte
Por isso hoje, quando vi que o Bratke tinha encerrado sua passagem nessa terra, ainda em plena atividade profissional, fiquei triste. Lembrei de tantos momentos em que ele esteve ligado à minha própria trajetória. E passou um filme na cabeça, da inspiração dos primeiros anos, à passeios pela Berrini em São Paulo, onde sua obra se mostrou mais profícua.
Fonte
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2017/01/06

Pan y Vino - unindo duas paixões

Pão e Vinho. Não posso negar que são duas paixões minhas (e garanto que de muitas pessoas também). Então como não me apaixonar por essa loja de 32 m2, em um centro comercial de Barcelona que une, em seu conceito de projeto, a ideia do envelhecimento com nobreza e honestidade, justamente a marca de bons vinhos?
 


É projeto de Sandra Tarruella  que explorou a nobreza dos mármores e madeira em uma disposição que privilegia o grande balcão central e deixa as extremidades para a exposição das mercadorias.

Fotos: Meritxell Arjalaguer

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2017/01/04

Hotel boutique sustentável em bambu

Entrada de ano e tem muita gente que consegue sair de férias. Alguns para locais verdadeiramente paradisíacos. Mas mesmo para quem não consegue esse tempo (e/ou grana) para repousar nesses espaços, dá vontade de ver maravilhas que existem pelo mundo afora, não é mesmo? Tipo assim esse Hotel Boutique Sustentável e sua suíte Treehouse em Playa Icacos, no México.   
Mais que um jeito convencional de repousar, imagino que passar um tempo nele desperte uma gama de sensações ( e quem me dera que isso fosse jabá e me desse direito a pelo menos um pernoite ali...). Além de proporcionar privacidade e uma interação com a bela natureza, a energia solar é utilizada para a energia e aquecimento do banho. E a água é reciclada. 





Projeto Deture Culsign, Arquitetura + Interiores
Fotos Leonardo Palafox, The Cubic Estúdio

(Via)

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