Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Como enfrentar uma crise sendo autônomo? Uma reflexão

Parou o mundo!!!

Quantas vezes dissemos isso em tempos de correrias, sem atinar para a profundidade das palavras??? Pára o mundo que eu quero descer.

Pois bem, descemos todos. 

Quase todos, é verdade. Tem os que nunca podem descer porque nunca subiram.

Reflexões a parte, confesso que nunca imaginei viver uma situação semelhante à causada pela pandemia do Covid19. Ficava imaginando pessoas velhinhas que tivessem passado pela guerra, tendo seus lares e familiares destruídos, empregos e economias pulverizadas, sem saber sobre o dia de amanhã. 

Hoje, muitos de nós, enfrentam um medo do amanhã bastante grande.
Alguns poucos com gordura suficiente para ter uma geladeira abastecida e comunicação via internet com o mundo.

Mas mesmo assim os meses que se anunciam a frente são atemorizadores pela falta de horizontes.

Nossa economia anda quase estagnada. Mundialmente.

Hora de apertar os cintos.
Mais ainda.  
.
Hora de pensar fora da caixa.


O que preciso aqui dentro de casa que não me é oferecido?

Várias empresas e profissionais liberais estão se organizando para responder com ação essa questão.

Estes dias encontrei um papel com planos de ação que tracei para o escritório nos anos 80 e 90.

Eram época de crise. Brincava que a gente saia de uma, para entrar em outra. Eram tempos de hiper inflação, onde o dinheiro que se recebia pela manhã, já desvalorizava de tarde. 

Onde os orçamentos eram todos para agora. Senão o preço subia.

Tocar um escritório era uma roleta russa. Aplicada no Over Night (aquela aplicação que rendia diariamente e que infelizmente está voltando).


Um dos caminhos pensados, na época, era a consultoria, um trabalho então bastante inovador na arquitetura. Cheguei a traçar planos para atacar área comercial, então mais atrativa que a residencial.

Uma frase que escrevi no roteiro acima vale até hoje:

"O homem sempre encontrou na natureza uma fonte de inspiração para solucionar seus problemas cotidianos" (não sei quem escreveu isso...esqueci de anotar)


Hoje a consultoria como trabalho remunerado dos profissionais de criação autônomos é mais difundida. Os meios digitais ajudam bastante. Pode-se abranger um público bem mais amplo que a perspectiva do século passado permitia.

Mas é preciso atentar que é um trabalho que exige organização para evitar retrabalhos, que deve ter um processo que o torne ágil e satisfatório dentro de uma relação custo benefício que seja razoável para ambas as partes: clientes e profissionais.

Pense antes de tudo no seu mercado alvo.

Quem compraria o quê e quanto pagaria por isso. 

Lembre que uma consultoria está longe de ser um projeto. É mais como ganhar para dar as dicas que se dá de graça. Sempre lembrando que um cliente satisfeito pode querer outros trabalhos. Que podem ser maiores.



Uma consultoria em um momento em que as pessoas tem tempo e precisam ficar em casa pode ser um serviço interessante, até para se tornar mais conhecido. Há vários profissionais que estão se dedicando à isso, fazem inclusive projetos à distância, com total profissionalismo, sendo claros e precisos no que vão entregar para que o cliente possa executar a obra com qualidade.

Por executar a obra, sejamos claros. Se a opção do cliente for por um projeto de arquitetura, é necessário que seja informado da necessidade de contratar um profissional local para acompanhar a execução. É sempre uma boa se fazer parcerias com profissionais de outras localidades, formando uma rede que possa trabalhar junto e com qualidade. A mesma coisa com fornecedores. Da relação cliente - profissional - mão de obra e fornecedor harmoniosa é que sairão os melhores resultados.

Pense no que precisa para elaborar um bom briefing, uma check list que lhe permita ver com clareza que pontos devem ser mexidos, deixe claro o que o trabalho vai oferecer em termos de prazo e material que vai ser entregue. Ofereça opções em termos de materiais e locais de compra. 

Enfim, organize seu trabalho para que seja eficiente e rápido. Tenha claro o que necessita pedir ao cliente, se ele vai mandar fotos, que fotos e em que ângulos serão feitas. Se necessita medidas, deixe claro que a responsabilidade é dele, no caso da consultoria, mas mostre quais medidas precisa. Deixe claro que, se houver obras de marcenaria, as medidas devem ser checadas pelos profissionais.

Você pode propor consultorias desde como mudar um ambiente com o que o cliente já tem, checar o que ele poderia melhorar, fazer um diagnóstico do problema dele. 

Enfim, é preciso pensar de forma diferenciada do que se pensava antes do covid19.

Agilizar e propor.

O que você tem feito para se aprimorar nestes dias?

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