Café Alta Política- Metamorfose da Vida

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No Café Alta Política, no dia 14 de agosto de 2026, tive a oportunidade de representar o Coletivo Metamorfose da Vida e falar sobre envelhecimento, autonomia e o papel que cada pessoa pode assumir na construção da própria longevidade. O Café Alta Política é organizado por Julio Pujol e Giselle Hubbe. Um encontro no belo café do Margs em Porto Alegre. Este foi o 60º e teve como tema Leituras do Envelhecer. Junto comigo para um bate papo, o ex-vereador e Secretário Adjunto de Inclusão e Des. Humano de Porto Alegre e Vinicius Kaster, Secretário Adjunto de Esportes de Porto Alegre. Falei sobre minha formação como arquiteta, mestre em Engenharia de Produção e integrante do coletivo Metamorfose da Vida, e como uma experiência mudou minha maneira de olhar para a vida e para a arquitetura: durante cerca de 20 anos, acompanhei o envelhecimento e o adoecimento dos meus pais. E aprendi como a sala de espera de uma UTI pode ser uma espécie de pós-graduação sobre a condição humana. A partir dessa ...

De Casa Vazia a Comunidade Viva: O Sonho que Virou Realidade




Ela olhou ao redor. A sala arrumada, as plantas bem cuidadas, a luz suave entrando pela janela. Tudo estava em seu lugar. Tudo, exceto a sensação de pertencimento.

Os filhos haviam seguido seus próprios caminhos em outros países. Amigos, alguns já não estavam mais aqui. Outros tinham suas rotinas, suas famílias. E ela? Tinha a casa, a segurança, uma vida de classe média relativamente confortável. Mas sabia que algo precisava mudar.

O medo veio primeiro. A possibilidade de uma emergência sem ninguém por perto. O risco de uma queda, de uma gripe forte, de um simples pote que não abria. Mas o medo, quando bem direcionado, pode ser um grande motor.

Foi então que começou a pesquisar sobre comunidades colaborativas. Encontrou exemplos incríveis pelo mundo. Cohousings na Dinamarca, vilas intergeracionais na Holanda, modelos de moradia compartilhada no Brasil. Pessoas que decidiram envelhecer juntas, apoiando-se, sem abrir mão da independência.

E se…?

A pergunta ficou martelando na cabeça. E se não fosse só um sonho distante? E se outras pessoas sentissem o mesmo? Começou a conversar, encontrou grupos de discussão online, participou de encontros. E foi ali, no meio de tantas vozes que compartilhavam os mesmos anseios, que a fagulha virou incêndio.

Um pequeno grupo se formou. Pessoas de diferentes histórias, mas com um desejo comum: criar uma forma de viver onde a solidão não fosse regra, onde o cuidado fosse natural, onde a arquitetura servisse ao coletivo sem eliminar a individualidade.

Uma das participantes era arquiteta e trouxe ideias fascinantes. Espaços compartilhados, mas com privacidade. Casas individuais, mas conectadas por jardins internos. Cozinhas comunitárias para quem quisesse dividir refeições. Sustentabilidade, acessibilidade, aconchego. Um lar, não apenas um espaço.

O projeto começou pequeno, quase como um exercício de imaginação. Mas cresceu. Ganhou corpo, se estruturou, virou realidade. Alguns venderam suas casas, outros alugaram. Um terreno foi comprado.

E um dia, enquanto tomava um café na varanda da sua nova casa, ouvindo risadas ao longe e sentindo o cheiro de bolo vindo da cozinha compartilhada, ela percebeu. Não estava mais sozinha. Não tinha apenas um lugar para morar. Tinha um lar, de verdade.

Às vezes, tudo começa com um simples "e se…?".

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