Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Café Alta Política- Metamorfose da Vida



No Café Alta Política, no dia 14 de agosto de 2026, tive a oportunidade de representar o Coletivo Metamorfose da Vida e falar sobre envelhecimento, autonomia e o papel que cada pessoa pode assumir na construção da própria longevidade.

O Café Alta Política é organizado por Julio Pujol e Giselle Hubbe. Um encontro no belo café do Margs em Porto Alegre. Este foi o 60º e teve como tema Leituras do Envelhecer. Junto comigo para um bate papo, o ex-vereador e Secretário Adjunto de Inclusão e Des. Humano de Porto Alegre e Vinicius Kaster, Secretário Adjunto de Esportes de Porto Alegre.



Falei sobre minha formação como arquiteta, mestre em Engenharia de Produção e integrante do coletivo Metamorfose da Vida, e como uma experiência mudou minha maneira de olhar para a vida e para a arquitetura: durante cerca de 20 anos, acompanhei o envelhecimento e o adoecimento dos meus pais. E aprendi como a sala de espera de uma UTI pode ser uma espécie de pós-graduação sobre a condição humana.

A partir dessa experiência, trouxe uma reflexão sobre um Brasil que envelhece rapidamente sem ter alcançado a riqueza necessária para garantir as mesmas condições de envelhecimento para todos. Falei também sobre a importância de preservar a identidade e a autonomia das pessoas depois dos 60 anos, evitando os rótulos que transformam uma população diversa em um grupo uniforme.

Um dos pontos centrais da fala foram os cinco investimentos que considero fundamentais para uma vida mais longa com autonomia: físico, emocional, financeiro, social e cidadão. Cada um deles depende de escolhas feitas ao longo da vida e interfere diretamente nas possibilidades que teremos mais adiante.

Como arquiteta, também sempre chamo a atenção para a relação entre ambiente e autonomia. Uma casa pode prevenir quedas e favorecer a permanência da pessoa em seu próprio espaço. Uma calçada malcuidadada pode produzir o efeito contrário, restringindo a circulação, favorecendo o isolamento e reduzindo a participação na vida da cidade.

Minha fala passou ainda pela segurança das mulheres nos espaços públicos, pela necessidade de políticas públicas voltadas à longevidade e pelo combate ao idadismo, incluindo a infantilização das pessoas mais velhas e o descarte de profissionais experientes pelo mercado de trabalho.

Ao longo da conversa, mostrei como a borboleta aparece como imagem das transformações que acompanham a vida. A ideia central permanece: envelhecer significa continuar sendo sujeito da própria história, com voz, escolhas, desejos e capacidade de contribuir em todas as idades.


Abaixo minha fala completa no evento
 

Comentários

  1. Parabéns, Elenara! Sempre podemos contar com tigo no esclarecimento destas questões que afligem, e vão interferir cada vez mais na vida da nossa população.

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