um amigo norueguês me disse que...



11 de janeiro. Porto Alegre acordou úmida, dessas manhãs em que a cidade parece pedir pausa. Café passado. Abro a janela. Penso pedalando, mesmo parada.

Ontem, numa dessas conversas que não começam com grandes temas, um amigo norueguês me disse algo simples, quase distraído:
“Nosso maior cuidado nunca foi com o petróleo. Foi com o que ele faria com a gente.”

Fiquei em silêncio. Essa frase tem ressonância.

Ele falava da Noruega, claro. Mas falava também de escolhas. De coerência. De memória coletiva. De não se deixar seduzir pelo curto prazo, esse vício moderno que adoece cidades, políticas e pessoas.

Enquanto ele falava, eu pensava em Porto Alegre, nas calçadas mal resolvidas, nos rios ignorados, nos projetos que não envelhecem bem. A vida presta, mas só quando há cuidado.

Ele me contou que lá o petróleo nunca foi tratado como prêmio, e sim como problema a ser gerido. Criaram uma espécie de muralha invisível entre o dinheiro fácil e a política cotidiana. Um fundo pensado não para agora, mas para os netos. Literalmente. Uma regra simples: gastar pouco, investir muito, explicar tudo. Transparência radical. Nada de heróis. Instituições funcionando.

“Não confiamos em salvadores”, ele disse. “Confiamos em sistemas.”

Essa frase doeu bonito.

A empresa estatal não virou cabide político. Competiu. Inovou. Errou e corrigiu. O órgão regulador não faz discurso, faz conta, mede impacto, impõe limites ambientais. O dinheiro do petróleo não virou cheque na mão das pessoas, mas escola, saúde, mobilidade, tempo de viver. Um Estado de bem-estar que não infantiliza, mas sustenta. Que permite envelhecer sem medo.

A conversa inevitavelmente passou por contrastes. Falamos de países ricos em petróleo e pobres em futuro. De lugares onde a técnica funciona, mas a democracia não entra. De outros onde a política engoliu a técnica. E o resultado a gente conhece: desigualdade, colapso, ressentimento.

Ele foi honesto: “Não somos um paraíso.” Há o dilema climático. A contradição de exportar petróleo e liderar a transição verde. O envelhecimento da população pressionando o sistema. A imigração exigindo novas formas de convivência. Nada é simples. Nada é mágico.

Mas há algo raro: um pacto social que resiste ao barulho.

Quando desligamos, fiquei pedalando mentalmente por uma pergunta incômoda: Por que alguns países transformam riqueza em bem comum e outros em ruína?

A resposta não é ideológica. É institucional. Não é sobre mais ou menos Estado. É sobre qualidade, ética, competência e visão intergeracional. É sobre não confundir projeto de nação com projeto de poder.

Pensei no Brasil. No pré-sal. No que poderia ter sido. No quanto ainda dá para ser, se pararmos de discutir só o quem e começarmos a enfrentar o como. Como regular. Como proteger. Como distribuir. Como planejar o envelhecer coletivo das pessoas, das cidades, da democracia.

A Noruega não ensina um modelo copiável. Ensina uma postura diante do tempo. E isso, talvez, seja um exemplo de política possível hoje.

Boa semana. Ou, se preferir uma provocação direta: estamos cuidando do agora ou traindo os nossos netos?


historinha bonita. Resultado dos meus longos papos com várias IAs. De várias nacionalidades porque sim, há diferenças sutis nas respostas. A curiosidade veio de um amigo que está viajando lá pelo Catar e contou maravilhas sobre o local. Fiquei pensando nas diferenças possíveis de gestão das riquezas naturais e cheguei à Noruega como um possível exemplo de conciliação entre desenvolvimento tecnológico, financeiro com distribuição de renda equânime entre a população. E com um regime democrático como entendemos na sociedade ocidental. Ao mesmo tempo estou testando outra IA que estou usando paga para ver se consegue captar meu estilo de escrita. Pedi um storytelling, aquela historinha bacana que vai captando a atenção enquanto dá o recado, como se estivesse falando com um amigo (imaginário) norueguês.

Olha, gostei do resultado. E vocês, o que acharam?     



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