Postagens

Mostrando postagens de janeiro, 2026

um amigo norueguês me disse que...

Imagem
11 de janeiro. Porto Alegre acordou úmida, dessas manhãs em que a cidade parece pedir pausa. Café passado. Abro a janela. Penso pedalando, mesmo parada. Ontem, numa dessas conversas que não começam com grandes temas, um amigo norueguês me disse algo simples, quase distraído: “Nosso maior cuidado nunca foi com o petróleo. Foi com o que ele faria com a gente.” Fiquei em silêncio. Essa frase tem ressonância. Ele falava da Noruega, claro. Mas falava também de escolhas. De coerência. De memória coletiva. De não se deixar seduzir pelo curto prazo, esse vício moderno que adoece cidades, políticas e pessoas. Enquanto ele falava, eu pensava em Porto Alegre, nas calçadas mal resolvidas, nos rios ignorados, nos projetos que não envelhecem bem. A vida presta, mas só quando há cuidado. Ele me contou que lá o petróleo nunca foi tratado como prêmio, e sim como problema a ser gerido. Criaram uma espécie de muralha invisível entre o dinheiro fácil e a política cotidiana. Um fundo pensado não para agora...

A urgência de reconstruir comunidades intergeracionais

Imagem
Somos cada vez mais inundados por postagens de moradias para pessoas idosas. Mas ao invés de ser uma solução, se isso fosse na verdade um problema?  Sim, sei que já postei sobre moradias compartilhadas e continuo achando uma ideia interessante. Mas não posso deixar de atentar que estamos, como sociedade, caminhando para  uma crescente tendência de segregação por idade. Vemos a criação de bairros, complexos habitacionais e até cidades inteiras com o intuito de oferecer espaços seguros e adaptados para faixas etárias específicas, sejam elas jovens ou idosas. Embora a intenção possa ser positiva, essa separação gera consequências sociais profundas. Pode, por exemplo,  fragmentar o conhecimento e empatia entre gerações. Neste texto vamos explorar os perigos dessa divisão e mostrar que a reconstrução de laços entre as várias gerações não é apenas desejável, mas sim uma condição essencial para a sobrevivência de uma sociedade justa e funcional. A "crise geracional": estamo...

Japão e as lições chocantes sobre o futuro do envelhecer nas cidades

Imagem
O envelhecimento da população é um dos desafios mais complexos e universais do século XXI. Governos e sociedades em todo o mundo buscam formas de garantir que uma vida mais longa seja também uma vida melhor. Nesse cenário, o Japão se destaca como um epicentro dessa transformação demográfica, possuindo uma das populações mais envelhecidas do planeta e, por isso, um laboratório vivo para o futuro da longevidade. No entanto, ao olharmos mais de perto, o país revela um paradoxo surpreendente. De um lado, encontramos a cidade de Toyama, um modelo global de planejamento urbano que redesenhou a velhice com dignidade, autonomia e conexão. Do outro, uma realidade nacional sombria emerge, marcada por uma crise de solidão, pobreza e desespero que assola milhões de idosos. Essa dualidade oferece um espelho poderoso para o resto do mundo. Este artigo explora os cinco aprendizados mais impactantes e contra intuitivos que a experiência japonesa nos ensina sobre os desafios e as soluções para o futuro...