um amigo norueguês me disse que...
11 de janeiro. Porto Alegre acordou úmida, dessas manhãs em que a cidade parece pedir pausa. Café passado. Abro a janela. Penso pedalando, mesmo parada. Ontem, numa dessas conversas que não começam com grandes temas, um amigo norueguês me disse algo simples, quase distraído: “Nosso maior cuidado nunca foi com o petróleo. Foi com o que ele faria com a gente.” Fiquei em silêncio. Essa frase tem ressonância. Ele falava da Noruega, claro. Mas falava também de escolhas. De coerência. De memória coletiva. De não se deixar seduzir pelo curto prazo, esse vício moderno que adoece cidades, políticas e pessoas. Enquanto ele falava, eu pensava em Porto Alegre, nas calçadas mal resolvidas, nos rios ignorados, nos projetos que não envelhecem bem. A vida presta, mas só quando há cuidado. Ele me contou que lá o petróleo nunca foi tratado como prêmio, e sim como problema a ser gerido. Criaram uma espécie de muralha invisível entre o dinheiro fácil e a política cotidiana. Um fundo pensado não para agora...