Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

"Nenhum projeto é muito pequeno para grandes idéias."


Na hora em que eu li esse post, levei um susto! Como assim, arquitetura por 5 cents???? Mas depois, lendo com calma, até que achei sentido na proposta...

A ideia é baseada na Lucy, aquela amiga do Charlie Brown que oferece conselhos psiquiátricos por esse preço. 

Pois esse jovem arquiteto teve a ideia de repetir o feito e montou uma banquinha em um mercado de agricultores nos EUA. E parece que obteve êxito. Não, ele não vendeu projetos por 5 cents. Ele ofereceu uma conversa sobre como as pessoas vivem e como o que fazem em suas casas reflete no meio ambiente. Isso me pareceu muito bom. E quem trabalha na profissão, sabe que se fossemos cobrar 5 centavos por palpite que nos pedem, poderíamos fazer um bom pé de meia no final do mês. A maioria das vezes fazemos isso de graça. Por puro prazer.

Tá bom, eu já disse aqui que palpite não é projeto. E não é. E nem estou dizendo para começarmos a oferecer palpites ou colocar uma banquinha na praça. Mas achei bem inventiva a iniciativa do rapaz, isso eu achei. Quantas pessoas precisam exatamente de uma boa conversa para esclarecer dúvidas. E quantos profissionais ficam encastelados em seu saber sem buscar pontos de contato com o cliente? Obvio que muitas pessoas gostaram dessa abordagem e ele deve ter conseguido alguns clientes que materializaram projetos. Gol.

 

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