Comunicação pública, acessibilidade e cidadania: quando as escolhas falam mais alto

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Vivemos tempos curiosos. Nunca produzimos tanta informação e, ainda assim, milhões de pessoas seguem excluídas de decisões que afetam diretamente suas vidas. Muitas vezes a barreira não está na falta de acesso à internet ou aos meios de comunicação. Ela se encontra muitas vezes na linguagem, na complexidade desnecessária, na distância criada entre quem comunica e quem precisa compreender. Foi com essa reflexão que participei, como assessora de acessibilidade, do 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública, realizado em Porto Alegre. Promovido pela Dominus Consultoria e Capacitação em parceria com a Estratégia de Comunicação & Copy Sawitzki Inovação e Experiência Humana, o evento reuniu profissionais, gestores públicos, pesquisadores e especialistas para discutir temas que hoje ocupam lugar central na vida democrática. Ao longo do dia, palestrantes como Sandra Bitencourt, Maria José Finatto, Rodrigo Abella, Soraia Hanna, Daniela Machado, Leandro Rolim e Gustavo Ferenci compartilhar...

Escola biofílica para estimular a saúde e o aprendizado


Convivo com a Arquitetura desde 1974, quando entrei no vestibular na UnB, e como arquiteta desde 1982 quando me formei na UFRGS. Aprendi várias coisas na vida acadêmica e outras tantas na prática profissional. E ainda me surpreendo como se consegue ser criativo em achar nomes para práticas tão antigas e de bom senso.
A última foi um termo bacana chamado de Biofilia. Li um artigo sobre uma escola na Holanda, projetada pelo estúdio ORGA que usa princípios biofílicos para estimular a sinergia das crianças com o aprendizado e fomentar saúde e concentração.
Mas o que seria exatamente a biofilia? 
A definição seria "amor à vida; instinto de preservação, de conservação". É obvio que se nos debruçarmos para a vida urbana que construímos nas últimas décadas principalmente, vamos entender porque o apelo ao resgate de "elementos do mundo natural" faz muito sentido. O uso de materiais naturais e o uso da correta insolação, aproveitando a luminosidade natural fazem com que nossas reações aos prédios sejam mais saudáveis.
Saudável, porque materiais naturais e de base biológica, calor e umidade regulam e também não contêm substâncias tóxicas. Além disso, os padrões e texturas em materiais naturais estão ligados pela natureza à natureza. Por exemplo, a madeira tem benefícios visuais e táteis: um interior de madeira parece quente e relaxado, mas também o convida a tocá-lo. O material ativa os sentidos e estimula a percepção, principalmente quando combinado com formas orgânicas. Isso dá à sala um efeito calmante, reduz o estresse e diminui a freqüência cardíaca.(site ORGA)

O contato com a natureza torna nossa capacidade de aprendizagem mais aguçada, pois permite uma relação equilibrada com o meio ambiente, fomentando também a busca, a descoberta e as interações sociais. Lembro que estudei nos primeiros prédios provisórios da UnB, com salas de aula que davam para jardins e a experiência era fascinante. Me lembra um pouco as histórias que lia sobre filósofos gregos que falavam com discípulos sob as árvores.   

A escola em questão usa madeira, tijolos de barro, telhados verdes, captura água da chuva para o sistema de descarga de vasos sanitários. A ventilação é natural e permite uma temperatura ambiente amena. Os materiais utilizados podem ser reaproveitados ou absorvidos pela natureza em caso de descontinuidade da escola.


Imagens: ORGA

Leia também: Espaços escolares para novos tempos
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