O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Escola biofílica para estimular a saúde e o aprendizado


Convivo com a Arquitetura desde 1974, quando entrei no vestibular na UnB, e como arquiteta desde 1982 quando me formei na UFRGS. Aprendi várias coisas na vida acadêmica e outras tantas na prática profissional. E ainda me surpreendo como se consegue ser criativo em achar nomes para práticas tão antigas e de bom senso.
A última foi um termo bacana chamado de Biofilia. Li um artigo sobre uma escola na Holanda, projetada pelo estúdio ORGA que usa princípios biofílicos para estimular a sinergia das crianças com o aprendizado e fomentar saúde e concentração.
Mas o que seria exatamente a biofilia? 
A definição seria "amor à vida; instinto de preservação, de conservação". É obvio que se nos debruçarmos para a vida urbana que construímos nas últimas décadas principalmente, vamos entender porque o apelo ao resgate de "elementos do mundo natural" faz muito sentido. O uso de materiais naturais e o uso da correta insolação, aproveitando a luminosidade natural fazem com que nossas reações aos prédios sejam mais saudáveis.
Saudável, porque materiais naturais e de base biológica, calor e umidade regulam e também não contêm substâncias tóxicas. Além disso, os padrões e texturas em materiais naturais estão ligados pela natureza à natureza. Por exemplo, a madeira tem benefícios visuais e táteis: um interior de madeira parece quente e relaxado, mas também o convida a tocá-lo. O material ativa os sentidos e estimula a percepção, principalmente quando combinado com formas orgânicas. Isso dá à sala um efeito calmante, reduz o estresse e diminui a freqüência cardíaca.(site ORGA)

O contato com a natureza torna nossa capacidade de aprendizagem mais aguçada, pois permite uma relação equilibrada com o meio ambiente, fomentando também a busca, a descoberta e as interações sociais. Lembro que estudei nos primeiros prédios provisórios da UnB, com salas de aula que davam para jardins e a experiência era fascinante. Me lembra um pouco as histórias que lia sobre filósofos gregos que falavam com discípulos sob as árvores.   

A escola em questão usa madeira, tijolos de barro, telhados verdes, captura água da chuva para o sistema de descarga de vasos sanitários. A ventilação é natural e permite uma temperatura ambiente amena. Os materiais utilizados podem ser reaproveitados ou absorvidos pela natureza em caso de descontinuidade da escola.


Imagens: ORGA

Leia também: Espaços escolares para novos tempos
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