Comunicação pública, acessibilidade e cidadania: quando as escolhas falam mais alto

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Vivemos tempos curiosos. Nunca produzimos tanta informação e, ainda assim, milhões de pessoas seguem excluídas de decisões que afetam diretamente suas vidas. Muitas vezes a barreira não está na falta de acesso à internet ou aos meios de comunicação. Ela se encontra muitas vezes na linguagem, na complexidade desnecessária, na distância criada entre quem comunica e quem precisa compreender. Foi com essa reflexão que participei, como assessora de acessibilidade, do 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública, realizado em Porto Alegre. Promovido pela Dominus Consultoria e Capacitação em parceria com a Estratégia de Comunicação & Copy Sawitzki Inovação e Experiência Humana, o evento reuniu profissionais, gestores públicos, pesquisadores e especialistas para discutir temas que hoje ocupam lugar central na vida democrática. Ao longo do dia, palestrantes como Sandra Bitencourt, Maria José Finatto, Rodrigo Abella, Soraia Hanna, Daniela Machado, Leandro Rolim e Gustavo Ferenci compartilhar...

Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia




Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes. 

Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir.

Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro

Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida. 

Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própria casa e comunidade de forma segura e independente, independentemente da idade ou nível de habilidade. Para isso, utilizo diretrizes rigorosas de Desenho Universal e acessibilidade urbana, conforme os parâmetros da NBR 9050, transformando normas técnicas em espaços de inclusão e bem-estar.

A Escrita como Ferramenta de Combate ao Idadismo

Além dos projetos estruturais, atuo como pesquisadora em longevidade e escritora. No Coletivo Metamorfose da Vida e no Movimento Sociedade Sem Idadismo, defendo que envelhecer não deve ser sinônimo de invisibilidade. Minha produção literária e os conteúdos que compartilho nos blogs Arquitetando Ideias, Elenara Elegante, Memórias do nono andar e Ambulando Cogitare buscam traduzir, além de pesquisas científicas sobre envelhecimento em narrativas acessíveis, memórias e percepções de uma vida de observação e experiências em forma de contos, crônicas e reflexões.

Através de livros, crônicas e palestras, acredito na promoção do diálogo intergeracional. Creio no papel fundamental da educação sobre o combate ao idadismo para que as gerações voltem a se reconhecer umas nas outras.

O que Me Move: Valores e Ações

Minha atuação é pautada por valores inegociáveis:

  • Ética e Respeito: Fundamentos de qualquer intervenção no espaço público ou privado.
  • Inclusão e Justiça Social: O desenho da cidade é um ato político que deve contemplar todas as idades.
  • Aprendizado Contínuo: A integração de áreas como a neuroarquitetura e a biofilia para otimizar a saúde dos moradores.

Construir espaços é, fundamentalmente, construir futuros. Seja através da reforma de uma residência para garantir a segurança de um idoso ou na curadoria editorial de projetos que inspiram novas formas de viver a maturidade, meu objetivo permanece o mesmo: desenhar possibilidades para o agora e para o futuro.


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