O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Garimpar e pesquisar para se inspirar

Recomeços tem dessas magias de carregar simbolismos.

Por isso curtimos tanto o fim de ano. Significa uma virada de páginas e uma abertura de novas possibilidades. Mas espera um pouco...estamos em junho, metade do ano e falando em fim? Simbolismos. Convenções. Nada nos impede de usar o espírito de lá para iniciar nosso novo semestre aqui e agora.

Uma das coisas que costumo fazer para me renovar quando me sinto exausta é dar um tempo. Especialmente ao cérebro. 

Leio mais que falo. Observo mais que ajo. Me deixo levar mais que planejo. É o meu método. 



Algumas das leituras me chamaram a atenção neste fim de semana de garimpagens e vou compartilhar aqui com vocês:


Uma sala de leituras que ocupa o espaço de uma vaga de carro
Projeto de uma arquiteta mexicana, Fernanda Canales, o conceito me chamou a atenção pela simplicidade dos materiais utilizados o que facilita a sua execução em comunidades mais carentes. E o simbolismo de marcar um símbolo icônico de nossa época, o carro, na forma de sua necessidade básica (além do combustível), o lugar onde pode ser guardado, para guardar outras formas de meios de viagens, as da mente, que são os livros. E como Arquitetura se exprime também em imagens, coloco abaixo algumas do projeto que vi no link lá de cima. As fotos são de Jaime Navarro.
 Acima um dos módulos duplos e com dois pavimentos já instalado em uma praça. E abaixo o módulo simples.
Outro artigo que me chamou a atenção e confesso a vocês que ainda não tenho posição definida é se os escritórios abertos seriam sexistas. Li AQUI

As plantas abertas foram uma tendência em termos de espaços comerciais de escritórios e já li que muitas pessoas sentiam necessidade de privacidade e/ou customização de suas mesas e estações de trabalho. Mas é a primeira vez que penso se eles favoreceriam o sexismo em ambientes de trabalho. Para mim ele existe em qualquer ambiente. Mas o artigo é complementado com opiniões de leitores que dizem que sim, os escritórios abertos são terríveis para as mulheres.  

Particularmente concordo mais com a opinião dessa leitora que reproduzo abaixo: 
“Isso acontece em todos os lugares - em escritórios abertos, em escritórios fechados, na rua, na academia, no ônibus. Em toda parte. Independentemente do formato das paredes, as mulheres devem sentir-se como se pertencessem. ” - Lauren T.

Mas outras opiniões dizem que a falta de privacidade torna a ansiedade pior. E é um dado que me deixa com uma pulga atrás da orelha para pensar mais sobre isso. E vocês o que acham?

Como converter sua parede em uma imensa tela de toque 

Um amigo enviou o link e eu já tinha lido a respeito em outro site. A ideia é usar uma tinta condutora de baixo custo para criar uma grade eletrodos. Simples e barato. E transforma as superfícies de sua casa em imensas telas de toque que podem comandar praticamente tudo. Uma ideia fascinante já que também li também que o uso maciço de smartphones está "acabando com o planeta" mais rápido do que supúnhamos. Leia AQUI

Sempre que leio sobre essas casas tão automatizadas me lembro de Ray Bradbury em Crônicas Marcianas


E dentre as crônicas uma sempre me impressionou, mesmo antes do boom da automação: Chegarão Chuvas Suaves. É a história de uma casa totalmente automatizada, tecnologicamente preparada para o conforto de seus habitantes, customizada para preparar seu banho na temperatura exata, tocar suas musicas prediletas e fazer suas comidas preferidas. Mas isso numa Terra em que o holocausto nuclear dizimou as pessoas...e a casa mantém sua rotina inútil até que um desastre faz com que tudo entre em pane e apenas dela sobre um parede que repete sem parar a data: 5 de agosto de 2026... (Elenara Leitão)

E para terminar uma manchete polêmica sobre o fim da filosofia em um jornal me levou a pesquisar mais sobre o entrevistado e cheguei a outra visão sobre ele em outro artigo onde ele coloca uma visão interessante sobre como seria uma boa ciência e como fazer boas pesquisas:

Segundo o imunologista português Antonio Coutinho um de seus mestres, Niels Kaj Jerne (Nobel de medicina de 1984) tinha uma definição para uma boa ciência que passava por três regras: 

Primeira: a primeira é que é preciso saber o que você quer saber. Se essa pergunta nasce dentro do pesquisador, se lhe importa de verdade, a pesquisa sairá com conteúdo.

Segunda: pensar na sua questão o tempo todo. Isso significa que o pesquisador deve ter um foco concentrado na sua questão.

Terceira: Depois depois de um resultado encontrado (ou não), é preciso encontrar a continuação mais perspicaz. Ou seja, aberta a questão, a busca continua....

Continuo então a minha. Há que passar pelos vários estágios em todas as questões da vida. Seja pessoal, seja profissional.

Pensem nisso

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