O quanto as cidades são seguras para mulheres?

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Estava em uma conversa em um aplicativo de mensagens (aquele mesmo que quase todos usam) quando surgiu o assunto sobre uma rua bem famosa daqui. E eu disse que não me sentia segura ao andar por ela. Que tinha uma percepção de insegurança. E a resposta foi que seria talvez uma visão pessoal. Como sei que a visão (e experiência) das mulheres sobre o que é uma cidade segura pode ser diferente das visões masculinas, fui pesquisar a respeito em artigos acadêmicos e governamentais recentes para entender mais sobre a realidade. É mesmo percepção pessoal. Ou.... Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva, divulgada em setembro de 2024, mostrou um dado alarmante: que 97% das brasileiras sentem medo de sofrer violência quando se deslocam pela cidade. A mesma pesquisa aponta que 71% das mulheres já sofreram algum tipo de violência durante seus deslocamentos urbanos. Entre mulheres negras e LBT, os índices sobem ainda mais.  Isso não é sensação isolada. Se per...

Chegarão chuvas suaves

Um dos livros mais marcantes em minha vida, e de leitura constante, são As Crônicas Marcianas, de Ray Bradbury. É um livro que me dei em 1982. Março. E sei porque em alguns livros, além da data da compra, eu costumava me fazer uma dedicatória. 

A minha versão, a segunda edição de 1980
Marte
Marcianos seremos todos nós
Os que sentem
Ave Marte!

Pensando bem, já não me lembro se escrevi isso quando comprei o livro, ou quando o reli. O que não foram poucas vezes. 

E quando soube que o autor morreu, senti aquele vazio da partida de um amigo, alguém que me acrescentou em prazer, em imagens que tenho nítidas em minha mente ao passear pelas deliciosas histórias de uma conquista "civilizatória(?)" do solo marciano. Para um livro lançado em 1951, as Crônicas Marcianas tem arrebatado milhões de leitores e edições pelo mundo afora. 
Ray Bradbury
E dentre as crônicas uma sempre me impressionou, mesmo antes do boom da automação: Chegarão Chuvas Suaves. É a história de uma casa totalmente automatizada, tecnologicamente preparada para o conforto de seus habitantes, customizada para preparar seu banho na temperatura exata, tocar suas musicas prediletas e fazer suas comidas preferidas. Mas isso numa Terra em que o holocausto nuclear dizimou as pessoas...e a casa mantém sua rotina inútil até que um desastre faz com que tudo entre em pane e apenas dela sobre um parede que repete sem parar a data: 5 de agosto de 2026... 

Triste? Imaginem uma sociedade onde ele vivia, sob o terror da Guerra Fria, e terão um panorama de inquietude não muito diferente do que abate homens e mulheres há milênios. Somos uma sociedade que cresce em tecnologia, mas não em atitudes. E ainda não é de todo impossível imaginarmos tudo o que conquistamos ser colocado ao vento por nosso modo de viver e agir.

Ave Ray Bradburry. Palavras são tesouros que guardamos para sempre. Não é a toa que seja ele o autor de outro clássico da literatura e cinema: Fahrenheit 451 onde a leitura e o possuir livros se tornaram crimes e pessoas se insurgem para poder ler...

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