Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Upcycle House - novo projeto sobre as ruínas da antiga casa

Vocês não tem aqueles dias em que dá vontade de fazer tudo de novo? Eu tenho - e na verdade estou no meio de um deles. Mas a gente para e pensa que também não dá para jogar fora o que se acumulou de experiências e vida, não é verdade? E se desse para fazer tudo de novo, aproveitando o que já se tem? Bacana, não é mesmo? Pois foi o que esse estúdio australiano fez. Usou os materiais e elementos de uma antiga casa para um novo projeto que batizou de
Eco-xperiment, ou como eles mesmos definem em seu site: 
Um lugar para praticar algumas abordagens experimentais para arquitetura sustentável.
O arquiteto Alexander Symes aproveitou os materiais do antigo prédio existente no terreno para dar uma nova roupagem e construir uma nova proposta. Já mostrei AQUI um exemplo semelhante de projeto feito no Paraguai. Chamamos isso de upcycle.
A diferença do upcycle para a reciclagem é que essa última usa energia para transformar algo velho em novo, enquanto o primeiro usa resíduos em fim da vida naquela função, agregando novos usos e valor. (fonte) 
Um ponto interessante é que o próprio conceito do projeto resgata a ideia de uma ruína reconstruída e nisso se difere do simples reaproveitamento de materiais usados. Segundo a fonte estudada, a filosofia de projeto para esta casa familiar de três quartos foi: "se não está quebrada, não repare e se está quebrada, conserte". 

Apesar do aparente caos da forma, a casa tem preocupações com a sustentabilidade e com o correto aproveitamento da orientação solar para ajudar na economia de energia. 

O interior segue um padrão quase minimalista, em tons claros e com o uso de cores em mosaicos reciclados que quebram o branco das paredes.


Fotos: Barton Taylor

Fonte

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