Blog da Arquiteta Elenara Stein Leitão que, desde 2004, fala sobre arquitetura, urbanismo, interiores e design abordando assuntos ligados à sustentabilidade e uma concepção de espaços que conciliem bom gosto, funcionalidade e aconchego com um toque humano.
Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes. Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida. Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...
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O que seria uma cidade atraente?
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Quase todas as pessoas tem uma ideia do que seja uma cidade atraente em seu imaginário. Para alguns Paris, outros talvez NYC. Outros cidades menores. Os arquitetos urbanistas também tem os seus ideias de cidades e ao longo dos tempos têm-se debruçado sobre as soluções quando planejam as cidades. Brasília, nossa capital, é um exemplo de cristalização de ideias que vigoraram em determinada época, que resultou em um plano fechado e hoje passa pela dinâmica de uma sociedade em transformação. E com ela nossas ideias e nossas soluções urbanas. Dela dizia o seu criador, Lucio Costa: "Cidade planejada para o trabalho ordenado e
eficiente, mas ao mesmo tempo cidade viva e aprazível, própria ao
devaneio e à especulação intelectual, capaz de tornar-se, com o tempo,
além de centro de governo e administração, num foco de cultura dos mais
lúcidos e sensíveis do país"
Belo Horizonte, Goiânia, Palmas são outros exemplos práticos de cidades planejadas.
Mas cidades são mais que planos estáticos. São mais que planos diretores, sejam democráticos ou autoritários. Cidades são feitas de movimento e de gente. Urge resgatar locais onde os encontros possam ocorrer com tempo e conforto. Afinal a cidade existe para os cidadãos e estes para as cidades. Ou deveria...
Mas o que seria uma cidade atraente? O que tem essas cidades que nos encantam? Esses dias achei um video bem interessante aqui, onde Alain de Botton levanta seis pontos chaves que tornam um cidade atraente. O video é em inglês e achei uma postagem do IAB TO onde eles fazem um resumo do que foi dito no video. (aliás eu recomendo muito o site do IAB TO, eles sempre tem artigos super interessantes e atualizados) e que reproduzo abaixo com algumas considerações pessoais.
Variedade e ordem - "Ordem significa equilíbrio, simetria e repetição... Ordem é um dos motivos pelos quais tantas pessoas amam Paris... No entanto, ordem em excesso pode trazer muitos problemas."Pensem nas cidades com ene repetições onde a gente não se encontra porque tudo é igual. É terrível! Veja em simetria com sutileza o que penso sobre a ortodoxia dessa prática.
Vida visível - “Há ruas que são mortas e outras que são vivas. E em geral almejamos as vivas."E como! Fugimos das ruas desertas, sejam nas periferias, sejam nas fervilhantes ruas centrais que se transformam em desertos ao fechar as atividades diárias. Estas talvez espelhem melhor essa assertiva de que ruas são feitas para pessoas. Quem sabe um novo olhar para as ruas das cidades ? E vejam que é possível se ter experiencias corajosas e baratas que mudam a vida das pessoas.
Compactas - “Todas as cidades mais belas e compactas têm praças... A praça ideal deve oferecer um sentido de resguardo, não de claustrofobia." As praças urbanas são ponto de encontro e há maneiras de resgatá-las, mesmo em locais de pouco espaço. Vejam como em praça sobre estacionamento
Orientação e mistério - “Por definição, cidades são enormes. Mas as cidades mais amadas são aquelas que têm várias ruelas e passeios onde nos sentimos aconchegados e podemos nos perder."Quem melhor nos fala sobre isso são os poetas - vejam em anatomia de uma cidade
Escala - “Cidades modernas estão cheias de coisas grandiosas. Joseph Campbell escreveu: 'Se você quer ver no que uma sociedade realmente acredita, procure saber para o que são dedicados seus maiores edifícios...' A altura ideal para qualquer quadra urbana é 5 pavimentos - não mais... Claro, ocasionalmente pode haver um grande edifício, mas vamos manter isso para algo realmente especial - algo que toda a humanidade possa amar."Arquitetura da densidade e escala urbana são leituras interessantes.
O local - “Não queremos que os edifícios pareçam os mesmos em todo lugar." Não viajo para ver o que posso ver aqui. Viajo para ver o diferente, o peculiar, o local. Da mesma forma quero ver na arquitetura refletida a cultura do lugar. Seus métodos construtivos, sua forma de ver o mundo. Não quero ver cópias. Se há referências ao outro, que passe pelo crivo da cultura e reflita um novo olhar, não o mesmo.
Essa casa super simpática me lembrou de imediato duas referências: Uma, os edificios em Atenas que ficavam perto do meu hotel. Todos tinham imensas floreiras que fazia com que ficassem tão simpáticos! Mas olhando com mais foco, me veio a segunda referência. Na verdade as fachadas da frente e fundos são como segundas peles, floreiras que criam um micro clima super agradável no interior do prédio. Justo como a casa do colega Oscar Muller. Eu juro que tenho fotos no computador, mas não consegui acha-las para colocar aqui. A dele é uma casa de vila e, na parte dos fundos, tem uma cortina de metal onde as plantas, em geral trepadeiras, se mesclam e criam um efeito super interessante. Não achei mais referências sobre esse projeto no site e não sei o autor do projeto e nem como é feita a manutenção das floreiras. Em algumas se tem alcance por dentro da casa, em outras me pareceu um pouco complicado, mas o conceito é super bom. PS: O Elcio no comentário abaixo deixou o link com ...
Arquitetura....sonho dourado de muitos jovens que sonham com um futuro glamouroso e cheio de notas na conta bancária. Mas será realmente assim? Veja algumas razões de porque NÃO fazer arquitetura. 1- Principal motivo: DINHEIRO. Para os que visam a recompensa financeira em primeiro lugar: Arquitetura não é uma mina de ouro. Esqueça os figurões que vê na mídia com escritórios em Miami e Paris. Eles são a minoria da minoria. A grande maioria dos colegas arquitetos está ralando em seus escritórios ou em escritórios alheios. E ainda faz bico no fim de semana. 2- Recompensa intelectual : Tudo bem, não vou ganhar rios de dinheiro, mas vou ser reconhecido como uma pessoa criativa e maravilhosa que vive para ajudar os outros. Sim! Ajudar os amigos, parentes e conhecidos dando palpites de como eles podem arrumar suas casas e espaços. Palpite não é projeto , lembre. Sem contar que fica horas pesquisando para achar soluções interessantes e vem alguém e copia. E leva as glórias. 3- Saúde ...
Fonte Embora as fotografias de Arquitetura raramente tenham seres humanos, as representações gráficas dos projetos as tem. As calungas. Este nome esquisito foi o que aprendi a nominar a representação humana nos desenhos, a tal da escala humana, que mostra de maneira mais clara como os espaços se conformam em proporção aos nossos corpos. Fonte Hoje é muito comum que tenhamos blocos de seres humanos, animais e plantas em todos os programas gráficos. E há sites onde podemos buscar figuras das mais diversas etnias e movimentos para humanizar nossas plantas e perspectivas. Me lembrei das calungas ao falar com um colega arquiteto, bem mais jovem que eu, que me mostrou fotos de projetos da década de 80, com simpáticas figuras, simulando movimentos. E, para minha surpresa, ele nunca tinha ouvido falar do termo calunga. Como eu nunca tinha parado para pensar sobre isso, fui dar uma rápida pesquisada e achei que o termo tem origem africana e talvez tenha vindo e...
Li uma reportagem sobre as disparidades entre os modelos de desenvolvimento urbano da China e dos Estados Unidos , utilizando o contraste entre Xangai e Nova York . Enquanto a cidade americana enfrenta altos custos e obras que levam décadas devido à burocracia e processos democráticos, a metrópole chinesa executa projetos com extrema rapidez e economia . Fazendo um breve resumo sobre os dois modelos e seus resultados, cheguei a uma dúvida incomoda. 1. Introdução: O Abismo entre o Conceito e a Realidade Para qualquer habitante de uma metrópole ocidental, os tapumes de obras públicas parecem ter se tornado parte permanente do mobiliário urbano. A frustração com cronogramas que se arrastam por gerações e orçamentos que estouram antes mesmo do primeiro pilar ser erguido é um sintoma da obsolescência infraestrutural. No entanto, a série do programa Fantástico da rede Globo chamada " Entre Dois Mundos " revela que esse marasmo não é uma regra global....
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